“Carlos Drummond de Andrade”, nascido em “Itabira, Minas Gerais” em (31 de outubro de 1902), falecido no Rio de Janeiro, em: (17 de agosto de 1987), completaria hoje 117 anos, se houvesse possibilidade de estar vivo (se tornando numa espécie de “Matusalém”¹ da literatura).
Caros amigos, “Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro...” Mas, a minha tristeza é compreensível, pois, eu “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.
Por assim ser, igual a “Adão”, sinto-me também expulso do “Paraíso”, pois, “Adão”, foi a primeira “vítima da maçã” e o coitado ainda foi “espoliado - e no próprio corpo”. Eu estou aqui muito tranquilo. Porém, cá não escuto sinos e nem harpas (como me foi prometido, quando da minha passagem). Mas, dizem que só os mais evoluídos escutam tais sons estando no Céu. Ou seja, passei anos em “Itabira”, escutando sinos que “conversavam o dia inteiro entre si”... E hoje, não sou evoluído para escutar os mesmos? Isso só prova que: “Para a virtude da discrição, ou de modo geral qualquer virtude, aparecer em seu fulgor, é necessário que faltemos à sua prática.” Mas, cá de cima do “Céu de Itabira”, eu gosto de “Observar o voo das aves com uma complicação técnica que elas dispensam”... E para isso, preciso só da visão e não da audição.
Sinto falta também, das cartas que escrevia sempre para o amigo “Mário de Andrade”², mas, hoje ele anda nessa onda de “WhatsApp”, pois, ele sempre foi modernista... Eu, destas modernidades evito, pois, “Cada nova geração de computadores desmoraliza as antecedentes e seus criadores”.
Sim, meus caríssimos amigos, aqui no Céu temos Internet, então vivam bastante, e morram tranquilos, pois, o vício de vocês está garantido.
Um dia que estava à toa, sentado numa nuvem, vi meu neto “Pedro Augusto Graña Drummond” (1960), bisbilhotando as minhas coisas... E num fundo falso da minha escrivaninha, não é que o danado encontrou umas poesias eróticas, que eu escrevi anos atrás e que estão inéditas. Só não morri de vergonha, porque, vivo já não me encontro mais. Todos ficaram espantados, pois, eu tenho esta minha “cara de vovozinho”. Tivesse eu nascido com a cara do “Nelson Rodrigues”³, seria outra história, pois, este já nasceu com aquela maravilhosa “cara debochada e sacana” .
Aqui no Céu também temos uma grande biblioteca, mas, como aí na Terra, “Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante”.
Para finalizar, deixo um beijo para todos vocês: “O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
* Poema escrito na imagem inicial da postagem ®DOUG BLOG... Lembrete: “Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) da vida, mas a poesia (inexplicável) da vida.” - “Carlos Drummond de Andrade”.
¹ “Matusalém — Metusalém ou Methuselah” (3317 a.C.), é um personagem bíblico do “Antigo Testamento”, filho de “Enoque”, pai de “Lameque” e avô de “Noé”. Ficou conhecido por ser o que teve mais longevidade de toda a “Bíblia”, vivendo 999 anos.
² “Mário Raul Morais de Andrade” (9 de outubro de 1893 - 25 de fevereiro de 1945), além de ser amigo intimo de “Drummond”, foi um poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta e fotógrafo brasileiro, pioneiro da poesia moderna brasileira com a publicação da sua principal obra: “Pauliceia Desvairada” (1922).
³ “Nelson Falcão Rodrigues” (23 de agosto de 1912 - 21 de dezembro de 1980), foi um escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do “Brasil”. “Pernambucano de Recife”, mudou-se em (1916), para a cidade do “Rio de Janeiro”.
°°°
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* “Garfield e Odie” (1978), criações do cartunista americano: “Jim Davis” (28 de julho de 1945).