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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

“O Poder Paralelo — O Rio de Janeiro Continua Lindo?”



O Rio de Janeiro Continua Lindo? Boa pergunta. O que estão fazendo com o meu Rio de Janeiro é uma verdadeira covardia, algo inominável. A cidade que outrora foi cantada em verso e prosa, sendo “maravilhosa”, por Gilberto Gil (26 de junho de 1942):

♫O Rio de Janeiro continua lindo ♪ O Rio de Janeiro 
continua sendo ♪ O Rio de Janeiro, fevereiro e março...♫ 
   
Para mim e para tantos outros cariocas, o Rio de Janeiro continua sendo um lugar lindo e bom para se viver, apesar das adversidades.

No entanto, inúmeros casos de má gestão política, fruto de décadas de erros, transformaram o meu Rio em um verdadeiro campo minado, onde “poderes paralelos” (organizados pelas mãos manchadas de sangue de traficantes e milicianos), tomaram conta da cidade.

Este flagelo das milícias (formadas por policiais corruptos), não combate o crime; pelo contrário, gera ainda mais criminalidade. Com os milicianos no comando, até mesmo os traficantes perderam espaço no cenário do crime organizado, que mudou de mãos.

Há, contudo, muitos tipos de criminosos e bandidos por aí: quadrilhas que assaltam carros-fortes e caixas eletrônicos, sequestradores e criminosos em geral que realizam arrastões nas praias (a forma de lazer mais democrática da população), visto que as belas praias do Rio pertencem a todos, sejam cariocas ou não.

O Governo Federal tem agido como Pôncio Pilatos (dezembro de 12 a.C - 38-39 d.C.), lavando as mãos diante da situação; falha até mesmo em garantir a segurança das nossas fronteiras, as portas de entrada para o armamento que alimenta o crime no Brasil, especialmente nas favelas do Rio. As drogas também fluem por estas fronteiras, passando livremente e gerando lucros enormes usados ​​para comprar mais armas, que acabam nas mãos de criminosos.

Porém, o Rio de Janeiro não é o único lugar entregue às baratas; muitas capitais, bem como cidades de médio e pequeno porte, também foram abandonadas à própria sorte. A situação é simplesmente mais visível no Rio, porque, a mídia tem sua sede majoritariamente aqui, o que facilita a produção de reportagens sobre o assunto. São Paulo, por exemplo, é uma capital tão violenta quanto, ou talvez até mais violenta do que o Rio de Janeiro. É verdade que São Paulo é geograficamente maior que o Rio, mas, não estou me referindo à extensão territorial; falo, sim, da média de mortes decorrentes da criminalidade (comparando as duas capitais).

O fato é que, hoje em dia, nem mesmo o Corpo de Bombeiros é uma instituição confiável, visto que a corrupção foi detectada até mesmo nessa corporação. Como disse Cazuza (4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990) na música “O Tempo Não Para” (1988):

... A tua piscina está cheia de ratos ♪ tuas ideias
não correspondem aos fatos  o tempo não para...

A maioria das forças policiais no Brasil é mal preparada e está em desvantagem bélica (armada com o que não passa de brinquedos em comparação com o armamento pesado utilizado pelos criminosos), o que nos remete à questão das fronteiras. Segundo um relatório recente da Anistia Internacional, 77,2% dos policiais no Brasil (sejam federais, militares ou civis), são corruptos, sendo também responsáveis ​​por mais mortes do que qualquer outra força policial no Mundo. Estes números alarmantes apenas evidenciam a total falta de segurança em que vivemos. É claro que existem bons policiais; no entanto, devo ressaltar que basta uma “laranja podre” para estragar o cesto inteiro, manchando a reputação de toda a corporação.

Não devemos aceitar viver em um país onde os políticos são corruptos, onde a polícia e os criminosos se confundem e onde o sistema de justiça é injusto. Não quero um país que negligencie serviços públicos básicos, como transporte e saúde de qualidade para todos, independentemente de raça, cor ou classe social; ou que ignore o saneamento básico, permitindo a existência de palafitas e favelas (e, quando digo básico, refiro-me ao essencial: água potável e tratamento de esgoto). Acima de tudo, não posso aceitar um país que não priorize a educação, pois, somente uma educação eficaz pode transformar nossos filhos e filhas em cidadãos íntegros.

Dizem que o homem cauteloso morre de velhice... Quero que meu Rio de Janeiro seja seguro, para que possamos morrer de velhice em vez de vítimas de “balas perdidas” (que parecem sempre encontrar alguém). Estas balas interrompem a vida de pessoas inocentes, pessoas que jamais vivenciam a segurança e que nunca saberão o que é morrer de velhice, pois, nós, pessoas de bem (e até mesmo os criminosos), estamos todos, de uma forma ou de outra, morrendo cada vez mais jovens devido à violência urbana.

Vivemos tempos de guerra, de desilusão pessoal e de indignação contra as autoridades. Afinal, qual foi o sentido da intervenção militar na cidade do Rio de Janeiro, com o envio do Exército às ruas, se os criminosos continuam no poder? E, quando falo em criminosos, não me refiro apenas a traficantes de drogas ou assaltantes de bancos; Afinal, se isolássemos a Praça dos Três Poderes (sede do governo Federal), teríamos, metaforicamente falando, uma nova prisão de segurança máxima no Brasil.

Acredito que já passou da hora de pararmos de brincar de polícia e bandido, mas, acima de tudo, é hora de pararmos de brincar com nossos votos e de eleger esses “filhotes da ditadura”, justamente as pessoas que defenderam o AI-5¹ anos atrás.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ AI-5 - Ato Institucional Número Cinco, foi o quinto dos dezessete grandes decretos emitidos pela ditadura militar, nos anos que se seguiram ao golpe de estado de (1964), no Brasil.
 
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO: 
* Garfield e Odie (1978), criações do cartunista americano: Jim Davis (28 de julho de 1945).



♪Dizem que ela existe pra ajudar ♪ Dizem que ela existe pra proteger ♪
Eu sei que ela pode te parar ♪ Eu sei que ela pode te prender ♪
Polícia para quem precisa ♪ Polícia para quem precisa de polícia ♪
Polícia para quem precisa ♪ Polícia para quem precisa de polícia...♪
Titãs - Cabeça Dinossauro” — (1986).

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domingo, 20 de agosto de 2017

“Do Severino, Paulo Silvino ao Professor Aloprado do Humor, Jerry Lewis”

Nem nos recuperamos do sentimento da perda do nosso querido Severino - Paulo Silvino (27 de julho de 1939 - 17 de agosto de 2017), hoje (20 - agosto), mais uma vez, o humor está de luto. Dessa vez, quem está contando suas anedotas no Céu, é o bom e velho professor Aloprado - Jerry Lewis (16 de março de 1926 - 20 de agosto de 2017), que morreu aos 91 anos (em sua casa), em Las Vegas - no estado norte-americano de Nevada.

Jerry Lewis foi um dos artistas mais presentes nas minhas lembranças de menino (quando o assunto era referente aos filmes de humor). Mas, não este humor sem “lenço e sem documento”, que estamos assistindo por aí hoje em dia, um humor que se tornou uma verdadeira “Zorra”, uma completa “Porta dos Fundos”. Jerry Lewis era um humorista nato, clássico, tanto é que ficou conhecido como o rei da comédia.

A última apresentação de Lewis nos palcos, ocorreu no Hotel South Point - Las Vegas - EUA, em (outubro de 2016), em um show de  Stand-up Comedy, que Jerry Lewis inventou anos atrás, antes mesmo deste tipo de humor existir.

Além de influenciar uma geração inteira de comediantes e ser um ícone do riso, Jerry Lewis também conduziu causas humanitárias, como o seu programa beneficente anual, intitulado de: “Dia do Trabalho para a Associação de Distrofia Muscular”, que ele começou a apresentar em (1952). Lewis se aposentou do evento no ano de (2011). Aqui no Brasil este evento é conhecido como: “TeleTon”, apresentado até hoje no “SBT”, pelo dono da emissora: Silvio Santos (12 de dezembro de 1930 * Falecimento: 17 de agosto de 2024).

Jerry Lewis atingiu o estrelato junto do cantor e ator Dean Martin (7 de junho de 1917 - 25 de dezembro 1995), com quem atuou a partir de (1946), formando uma das duplas mais memoráveis do humor americano. Dean era o elegante da dupla, especialmente quando cantava, enquanto Lewis, exercia o papel do parceiro imprevisível. Os espetáculos eram totalmente abertos à improvisação e cacos.

Após dez anos de muito sucesso no teatro e no cinema, graças a espetáculos (mas, principalmente aos filmes) - “O Marujo Foi na Onda” (1952) e “O Rei do Laço” (1956), a amizade foi desgastando, aí não teve jeito, pois, como tudo na vida tem um fim, em (24 de julho de 1956), Dean Martin e Jerry Lewis fizeram o último espetáculo como dupla, no Clube Copacabana - Nova York - EUA.

O filme mais famoso de Lewis, é a comédia: “O Professor Aloprado” (1963), protagonizado e produzido por ele. O longa-metragem conta a história do atrapalhado professor universitário Julius Kelp, que depois de ser humilhado por alunos e, quase demitido da instituição de ensino, devido as constantes trapalhadas em que se envolvia, ele cria uma fórmula que o faz ser elegante, charmoso e bom de papo. Nasce então Buddy Lee, um playboy galanteador. O filme ganhou uma nova versão nos (anos 90), quando Eddie Murphy (3 de abril de 1961), viveu o professor aloprado, mas, sem o mesmo glamour.

O último filme de Jerry Lewis, foi lançado no ano passado (2016), “A Sacada”, em que faz um papel secundário. O último como protagonista, foi no papel de: Max Rose (2013), um filme totalmente fora do seu estilo, já que “Max Rose” é um drama, onde Jerry vive o papel homônimo do filme, que é um viúvo sofrendo com a perda da esposa Eva - Claire Bloom (15 de fevereiro de 1931), ao mesmo tempo em que investiga uma descoberta, que pode acabar com as certezas adquiridas após muitos anos de casado. Esse filme traz Lewis ao papel principal desde: “Rir é Viver” (1995). O antepenúltimo trabalho de Jerry como ator, foi o filme brasileiro “Até Que a Sorte Nos Separe 2” (2013), em que Lewis atuou com os comediantes brasileiros Marcius Melhem (8 de fevereiro de 1972) e Leandro Hassum (26 de setembro de 1973).

Outro grande trabalho do ator, foi o filme: “O Rei da Comédia”, de: Martin Scorsese (17 de novembro de 1942). Nessa trama Jerry Lewis interpretou Jerry Langford, um comediante de sucesso que possui um programa de TV, em que dá oportunidade, para jovens humoristas de talento. A caminho do trabalho, ele é sequestrado por Rupert Pupkin - Robert De Niro (17 de agosto de 1943), que só o libera, em troca da participação em seu programa.

Ao longo de sua carreira, Lewis ganhou vários prêmios pelas suas atuações, como: American Comedy Awards, Golden Camera, Los Angeles Film Critics Association e Festival de Venice.

Além disso, possui duas estrelas na Calçada da Fama, em Los Angeles, na Califórnia - EUA, no 6150, categoria Televisão e 6821, na categoria Cinema, ambas no Hollywood Boulevard. Em (2005), recebeu o Governors Award, da Academia de Artes e Ciências Televisivas.

Jerry Lewis nunca recebeu um Oscar por sua atuação como artista. Ele só foi lembrado pela Academia de Cinema em (2009), quando recebeu um Oscar, por seus trabalhos humanitários. Mesmo sem uma estatueta como ator, Jerry Lewis sempre foi um modelo a ser seguido para muitos comediantes e humoristas do Mundo todo.
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* Garfield e Odie (1978), criações do cartunista americano: Jim Davis (28 de julho de 1945).




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sábado, 12 de agosto de 2017

“Dia dos Pais”

O segundo domingo do mês de agosto, é quando comemoramos no Brasil o Dia dos Pais. Mas, acreditasse que este dia foi criado, meio sem querer, na antiga Babilônia, onde, em longínquos 4 mil anos atrás, um jovem chamado Elmesu¹ teria moldado em argila o primeiro cartão, onde desejava sorte, saúde e vida longa a seu pai, o Rei babilônico Nabucodonosor II (630 a.C - 561/562 a.C).

Em (1972), o Presidente americano Richard Nixon (9 de janeiro de 1913 - 22 de abril de 1994), oficializou nos Estados Unidos (seguido pelo Reino Unido), esta data no calendário cristão, o Dia dos Pais - Father’s Day. Deste dia em diante, a data tornou-se uma festa nacional no terceiro domingo de junho.

Mas, o Dia dos Pais é comemorado em quase todas as partes do Mundo, em Portugal, por exemplo, é em (19 de março), que coincide com o dia cristão, que se comemora uma grande festividade a José de Nazaré - São José (século I a.C. 30 d.C.), pai de Jesus Cristo², data comemorativa em que se homenageia a figura paterna da família cristã.

Como vemos, as datas comemorativas do Mundo, tem muito a ver com a Igreja Católica, que estabelece um calendário, que nem sempre coincide com o ano civil que começa no dia (1º de janeiro) e termina no dia (31 de dezembro).

Porém, baseados ou não nos calendários civis ou religiosos, o certo é que todos nós, sem nenhuma exceção, precisamos de um pai para nascer e isso, acontece assim, desde que o Mundo é Mundo, pois, até Jesus viu Deus desejar um pai presente em seus dias, nos curtos 33 anos de vida que passou na Terra. E foi justamente no trigésimo terceiro destes anos, que Jesus deu sua vida em sacrifício, sendo crucificado para salvar a humanidade de seus pecados. Mas, ao que parece, muitos seres (que se julgam humanos), ainda não entenderam o real valor de tamanho sacrifício do filho de Deus.

O Dia dos Pais, assim como o Dia das Mães, deve ser todos os dias, pois, os principais conceitos que os pais devem ensinar aos seus filhos, acontecem no dia a dia, que são amor e respeito ao próximo e não só uma vez por ano, onde os filhos, tocados por uma pitada de sentimentalismo, presenteiam os seus pais com objetos muitas vezes dispensáveis a eles. Um abraço e um beijo na face, são muito mais expressivos nestes momentos da vida, podem ter certeza.

A liberdade é um direito constitucional, mas, o amor e o respeito, são base fundamental das famílias bem estruturadas. A sociedade em que vivemos (salvo em alguns países comunistas e muçulmanos), é quase toda livre, onde todos devem ter o direito de expressar suas ideias (arcando com as respectivas consequências, daquilo que pensa, diz e faz obviamente). Porém, esta liberdade é uma via de mão dupla, onde “eles” respeitam a minha individualidade, assim como “eu” enquanto indivíduo, devo respeitar a opinião dos outros também. Se todos nós tivermos esta consciência e respeitarmos os limites uns dos outros, o direito de um terminará, onde começará o direito do outro, pois, só assim teremos uma sociedade mais igualitária e justa. Contudo, aonde aprendemos a caminhar com retidão na vida, seguindo valores de verdade? Com certeza, dentro do nosso lar, ao lado de pai, mãe e irmão(s).

Se notarmos, o aprendizado das melhores coisas da vida, incidem sempre perto das pessoas que nos transmitem boas energias, pois, o bom humor é essencial para ter uma vida feliz. É como pregava/dizia José Datrino - profeta Gentileza (11 de abril de 1917 - 29 de maio de 1996): “Gentileza gera gentileza!”

Então, não importa se seus amigos são rudes, se são considerados estranhos pela sociedade, contanto que queiram sua felicidade, você nunca estará em má companhia. Bons amigos às vezes valem mais do que muitos parentes, porque, parentes nascem na família, enquanto amigos são algo que podemos escolher. O que não podemos escolher são nossos pais. Portanto, é obrigação de quem traz um ser ao mundo tornar-se um pai ou mãe verdadeiro e responsável, sabendo como criar, educar e ver seus filhos se tornarem boas pessoas. Os pais têm o dever de ensinar aos filhos o valor de cultivar uma amizade verdadeira e pura, porque só assim podem transmitir a esta nova geração o alicerce do que eles próprios aprenderam com seus pais, que por sua vez aprenderam com os seus.

Nossas mães possuem mais facilidade de expressar o amor pelos filhos, assim, a grande maioria dos filhos são mais receptivos com suas mães. Então, precisamos encontrar uma maneira de fazer com que os pais digam sem medo, todos os dias para os seus filhos: Eu te amo! - porque, só desta maneira, veremos a resposta dos filhos, dizendo que amam e que sentem orgulho de seus pais também. Mas, isso não é só tarefa dos filhos pequenos, os adolescentes e adultos, precisam demonstrar o seu amor, pelas pessoas que consideram como as mais importantes das suas vidas: seus pais.

Então, não se sintam acanhados de beijar os seus pais e dizer o amor que sentem por eles, pois, isso eu faço com o meu pai Walter³ todos os dias, e graças a Deus, ele está lúcido, no alto dos seus 90 anos, de uma vida bem vivida em família, pois, meu pai não envelheceu, ele é jovem a mais tempo que eu.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Elmesu, filho de Nabucodonosor II, não possui registro das datas de nascimento e morte conhecidas.

² Jesus de Nazaré — Jesus Cristo [em hebraico: ישוע/ יֵשׁוּעַ - Yeshua / em grego: Ἰησοῦς - Iesous] (7–2 a.C. - 33 d.C.).
 
³ Meu pai Walter de Mello (28 de outubro de 1926 - 12 de novembro de 2017), faleceu aos 91 anos, três meses após esta publicação.
 
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* Garfield e Odie (1978), criações do cartunista americano: Jim Davis (28 de julho de 1945).




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sábado, 5 de agosto de 2017

“Coulrofobia — Medo de Palhaço”

Mesmo que a essência do palhaço seja fazer graça e, que o palhaço inexista sem uma relação com o riso do público. Mesmo assim, a figura do palhaço não é uma unanimidade, tendo sua imagem subvertida do humor ao terror, em frações de segundos.

Acreditem, nesta vida existe gente com medo de tudo: baratas, dentistas; aviões; bandidos; elevadores e até de palhaços. Cada uma destas fobias, possui nomes específicos: Coulrofobia, é um destes nomes, termo dado ao pavor de palhaços.

Desde os primórdios, a figura do palhaço aparece, com a principal motivação de fazer a plateia sorrir. Os palhaços, sempre com suas caras pintadas, cabelos e roupas coloridas, com uma bola vermelha no nariz, fazem piadas de tudo, caminhando de modo desengonçado, com sapatos enormes. Falam de modo estridente, mesmo assim, com tudo isso, não é todo mundo que acha este personagem divertido. Como eu disse, muita gente sente medo... Muito medo.

Quem tem Coulrofobia, pode sentir um grande desconforto com a imagem do palhaço em cena. Inclusive, existem pessoas que chegam a sentir ansiedade, a transpirar excessivamente e até a sentir o coração palpitando aceleradamente, estando na presença de um palhaço.

Esta fobia, pode vir a se apresentar na infância, na adolescência, ou até mesmo na vida adulta. Contudo, a psicologia explica, que para se ter Coulrofobia, a pessoa precisa ter passado por alguma experiência traumática, ou ter sido exposto a situações desagradáveis que envolvam a figura do palhaço... ninguém sente medo dos palhaços, de maneira gratuita.

Mesmo que o objetivo desse personagem seja divertir a plateia, existe para algumas pessoas, uma memória inconsciente, de que os palhaços são seres malignos. Na história da humanidade, existem vários relatos de palhaços macabros e, se você disser que não conhece pelo menos uma história nesse sentido (com relação aos palhaços maus), você precisa ir mais ao cinema.

Culturalmente, existem registros desta figura tragicômica em civilizações muito antigas, como: Egito antigo e Europa Medieval. A princípio, os palhaços serviam apenas para entreter, eram os bobos da corte nos reinos, sendo personagens até das obras de William Shakespeare (26 de abril de 1564 - 23 de abril de 1616), quando o autor aplicou a comicidade dos palhaços, para escrever: “Macbeth” (1606); “Antônio & Cleópatra” (1607) e “Hamlet” (1609).

Mas, foi o britânico Joseph Grimaldi (18 de dezembro de 1778 - 31 de maio de 1837), a ser o primeiro palhaço a representar nos palcos circenses, seu estilo macabro, no ano de (1820). Grimaldi, usava maquiagens, perucas e roupas de cores muito fortes, fazendo as pessoas que assistiam aos seus espetáculos, sentirem sensação de ansiedade e até de fuga do local. Até quem convivia com Joseph Grimaldi no dia a dia, relatava sentir muitas vezes um grande desconforto, com a indumentaria de palhaço (mesmo estando no cabideiro), pois, a fantasia, possuía adereços que lembravam machucados e lágrimas.

Grimaldi também recebia má fama, por ser depressivo e autoritário em casa (com a esposa e os filhos). Ou seja, nem as crianças de casa, gostavam deste palhaço. Ou seja, nem sempre o palhaço sabe se fazer sorrir. Assim sendo, surge a ideia, de que toda a maquiagem de alegria do personagem (palhaço), esconde uma figura assustadora. Com Joseph Grimaldi, as pessoas começaram a ligar a figura do palhaço, ao sentimento de desconfiança e medo.

Outras histórias aconteceram (ou foram criadas), envolvendo a figura do palhaço. A própria história de Grimaldi inspirou Charles Dickens (7 de fevereiro de 1812 - 9 de junho de 1870), a escrever “The Posthumous Papers of the Pickwick Club” (1836), onde o protagonista é cômico e horripilante ao mesmo tempo.

Mais um exemplo de palhaço macabro, é o maior inimigo do Batman, Joker - Coringa (1940), com suas roupas coloridas, seu fabuloso sarcasmo e sua risada insana. Temos ainda, o personagem clássico do livro “It - A coisa” (1986), de: Stephen King (21 de setembro de 1947), com o assustador palhaço: Pennywise. Este personagem de King, foi inspirado no serial killer, John Wayne Gacy (17 de março de 1942 – 10 de maio de 1994), que viveu nos Estados Unidos e usava uma fantasia de palhaço, sequestrando e matando meninas e meninos. Ao total, ele assassinou 33 crianças.

Esta popularização repulsa da imagem dos palhaços, se deve ao fato, de que muita gente passou a crer, que os palhaços nunca são o que aparentam ser. Criando desta maneira, uma imagem negativa no inconsciente coletivo.

Contudo, existe tratamento para quem enfrenta esta e outras fobias. Algumas técnicas ajudam a dissociar a imagem dos palhaços dos sentimentos ruins. Quem sofre de Coulrofobia, pode vir a sentir bem-estar e voltar a conviver com a figura deste personagem, que a princípio, deva ser alegre e festiva. Quem sente Coulrofobia, se fizer uma terapia adequada (após um período de tratamento), é possível que o coulrofóbico, consiga dissipar a imagem ruim do palhaços de sua mente. No entanto, é importante respeitar o seu tempo e as suas limitações, até porque, ninguém precisa mesmo gostar de palhaços, tendo medo deles ou não?
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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.