142- A expressão: “Fim da picada”, nada tem a ver com o desinteresse dos pernilongos e muriçocas, no ato de deixar de picar as pessoas. Na realidade, “fim da picada”, refere-se ao desmatamento ilegal de florestas de mata nativa, ato tão comum no Brasil. Ou seja, é o fim de onde a floresta foi desmatada, onde agora só existem os tocos das árvores em um grande descampado, um triste final da picada. Mas, esta expressão, pode ser também, uma trilha aberta por quem ingressa mata adentro, geralmente utilizando um facão, para facilitar a passagem e marcar o caminho de regresso, pois, caso uma pessoa desapareça, fica mais fácil encontrá-la, seguindo à picada aberta. Mas, chegando ao fim da trilha, a pessoa desaparecida não seja encontrada, isso significa que algo grave aconteceu a ela. Assim, “fim da picada”, serve para definir uma situação ruim e até absurda.
143- “Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”. Este ditado popular, significa que quando há perigo, os cuidados devem ser redobrados. E a metáfora utilizando o jacaré, é por seu dorso ser muito rijo, defendendo-o de dentadas de predadores... No caso deste provérbio, as piranhas, que são peixes carnívoros.
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144- “Matar cachorro a grito”. Este ditado popular poderia fazer referência aos cães que escutam sons inaudíveis para nós humanos, tanto de baixa, quanto de alta frequência, pois, a faixa de audição sonora destes animais, é tal, que seria possível até mesmo chegar a matar, devido ao som estridente. O desespero de cães em uma situação assim, poderá levar estes animais no ato de se chocar contra uma parede, até desfalecer ou morrer, algo terrível de se imaginar. Mas, na realidade este ditado popular (no sentido coloquial), significa que quando o negócio está ruim, seja por falta de recursos financeiros ou outras dificuldades, se alguém está no aperto, é melhor buscar uma solução imediata.
145- Agora, para os felinos não ficarem com ciúmes dos cães, trago esta expressão popular: “Tinha meia dúzia de gatos pingados”, que geralmente é utilizada para designar uma pequena quantidade de pessoas em festas, reuniões, ou eventos sociais, por exemplo. Recentemente devido à COVID, festas até mesmo com pequena quantidade de gente, estavam sendo um luxo.
146- “Mudar da água para o vinho”. Esta é uma parábola bíblica, que faz referência às Bodas de Caná da Galileia e, ao primeiro milagre de Jesus Cristo (7–2 a.C. - 33 d.C.), relatado com exclusividade no Evangelho de (João - 2:1-11). “Durante um casamento, Maria procura seu filho, estando preocupada, diz ao filho, que o vinho havia acabado. Jesus, então, pede aos servos que preencham os vasos com água. Ao provar o líquido, o mestre de cerimônias se depara com o melhor dos vinhos”. Uma mudança radical para melhor, como sugere este relato bíblico.
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147- A Rainha Consorte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - Carlota Joaquina Teresa Cayetana ou Carlota Joaquina de Bourbon (25 de abril de 1775 - 7 de janeiro de 1830), era devota de São Bento e sempre dizia: “Não adianta gritar por São Bento, depois que a cobra mordeu”. Este provérbio português, nos revela, que não adianta reclamar das coisas, depois do fato consumado. Ou seja: não devemos perder tempo à toa e reclamar do resultado inesperado depois.
148- Parecido com o ditado anterior, “Dois palitos”, é uma expressão que define quando algo será resolvido rapidamente, com presteza. É quando alguém afirma que consegue ser ligeiro na solução das coisas. O mesmo que “7 & 8”, na linguagem dos dançarinos. Ou seja, “dois palitos”, significa: “é pra já”.
149- “O filho chora e a mãe não escuta”. Esta é uma expressão que indica o caos social propriamente dito, nada tendo a ver com uma mãe desnaturada que abandona o seu filho chorando. Este ditado representa uma forte referência ao desleixo dos governantes, ao descaso social com o povo, onde só os “filhos da pátria” sofrem, enquanto a grande maioria dos “políticos fdp”, seguem sem nada fazer.
150- “O my God!” (“Oh meu Deus!”), é uma expressão que na tradução do inglês, no primeiro momento, relata espanto, mas, que no modo coloquial brasileiro, foi adaptada para: “Ai, meu Deus do Céu!” - significando entre outras coisas, grande insatisfação ou desconforto, sobre certas atitudes das pessoas.
151- “Olhos de lince”, é uma expressão usada para descrever alguém que tem uma visão acima da média, já que os felinos (especialmente os linces), conseguem enxergar tudo claramente, mesmo à noite. Portanto, a expressão “olhos de lince”, pode ser considerada um elogio à capacidade perceptiva de uma pessoa sobre as coisas.
152- “Pagar o pato”, significa no conceito popular, pagar por algo que não se fez. É uma expressão encontrada na obra italiana: “Facetiae” (1470). O texto conta a história de um camponês que vendia patos e certa vez, uma mulher queria comprar alguns destes animais, para fazer um grande jantar de Thanksgiving Day¹, para sua família, porém, sem ter recursos financeiros, perguntou ao camponês, se poderia “pagar o pato”, por intermédio de encontros furtivos. Um dia, ambos foram surpreendidos pelo marido (quase traído), pois, o coito entre mulher e o camponês não chegou a ser consumado. Assim, sem concordar com o trato estabelecido pelas partes, o marido ficou com os animais (pagando por eles em dinheiro), porém, encerrou tal questão, se separando da esposa, por não confiar mais nela e assim, a mulher “pagou o pato”, por sua conduta indigna.
153- O polímata americano, Benjamin Franklin (17 de janeiro de 1706 - 17 de abril de 1790), proferiu a seguinte frase: “Quem dorme com cachorros acorda com pulgas!” - e o significado desta frase é o seguinte: cuidado ao se envolver com certas pessoas, que tentam influenciar suas atitudes, com as atitudes erradas delas, pois, isso fará quem se deixar influenciar, acabar igual ou pior que elas.
154- A expressão: “Rodar a baiana”, refere-se a uma ameaça, ao ato de alguém causar um escândalo em um local público. Esta frase (que virou ditado popular), teve origem nos blocos de carnaval do Rio de Janeiro, no início do século XX, quando alguns malandros aproveitavam a folia de rua para beliscar as nádegas das moças que desfilavam de saia rodada. Então, os capoeiristas começaram a se vestir de baianas para proteger as mulheres. Assim, o desfrute, com quem o malandro pensava ser uma dama, acabava com golpes de capoeira do rapaz fantasiado de baiana. Quem estava de fora só conseguia ver “a baiana rolar” e depois uma grande briga começar. Em outras palavras, “rodar a baiana”, é promover uma baita confusão, ou armar um escândalo, no sentido de tomar satisfação com alguém, tirando a limpo uma situação.
155- “Salvo pelo gongo”. Esta expressão possui origem nas lutas de boxe, onde um pugilista, estando prestes a perder o combate, esteja ele cambaleante ou quase nocauteado, ao escutar o soar do gongo, é salvo ao fim do round, antes de beijar a lona. Outra explicação (esta bizarra), faz referência a uma antiga e tola invenção, chamada: “caixão seguro”, onde, com medo de serem enterradas vivas, pessoas que sofriam de epilepsia, encomendavam caixões com uma corda ligada a um sino (que ficava fora da sepultura), pois assim, seria possível avisar alguém, caso elas acordassem de uma perda de consciência (e não óbito), estando sepultadas. Mas, a pergunta é a seguinte: estas pessoas não acabariam morrendo sem ar dentro do caixão, antes da ajuda de quem escutou a sineta chegar?
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156- “Se os sonhos fossem cavalos, os mendigos seriam todos cavaleiros”. Este provérbio judaico, nos remete a outro ditado muito utilizado: “Se ferradura trouxesse sorte, burro não puxava carroça”, que traça o paralelo entre os menos favorecidos financeiramente (do ditado inglês), com o ato de ter sorte (do ditado judaico). Aliás, este ditado, está relacionada as tradições hebraicas, quais relatam que no judaísmo, é considerado maior mal, criar crianças num lar sem amor. Assim, o Talmud (coletânea de livros sagrados dos judeus), nos revelam que, na data do aniversário judaico de uma criança (Mazal Tov), que significa literalmente em hebraico: boa sorte, deva ser um dia celebrado com entusiasmo, para que a sorte da criança não fuja à galopes.
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157- “Segurar vela”. Esta é uma expressão que existe desde a época em que as velas eram as únicas fontes de iluminação das casas, principalmente na Idade Média, quando ainda não existiam nem lâmpadas a óleo, assim, as pessoas menos experientes seguravam uma vela para que os mais experientes pudessem executar qualquer tipo de trabalho braçal, no período noturno. Na França, a expressão: “tenir la chandelle”, se refere a criados que eram obrigados a segurar candeeiros, enquanto seus patrões mantinham relações sexuais, porém, o serviçal deveria ficar de costas, para manter a privacidade, ato que acabou adaptado para os tempos modernos, quando alguém está entre um casal de namorados, “segurando vela”.
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158- Aqui temos um dilema neste ditado popular: os pessimistas dizem: “Quanto mais alto, maior o tombo” (e por isso desistem de subir). Os otimistas dizem: “Quanto mais alto, melhor a visão” (e por isso continuam subindo). Ou seja, é preciso manter a humildade na vitória, pois o lugar mais alto do pódio pode ser também aquele de onde a queda é maior. Em suma: o medalhista de ouro olímpico está feliz, e o medalhista de bronze está igualmente feliz, mas, o medalhista de prata sente como se estivesse despencando do pódio, porque, na cabeça dele, não ganhou a medalha de prata, mas sim, perdeu a de ouro.