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domingo, 15 de outubro de 2023

“Uma Andorinha Só Não Faz Verão e a Inteligência Artificial”

Os robôs nunca irão tirar o lugar dos humanos no Mundo. A inteligência, se for artificial, é apenas uma colcha de retalhos, são fragmentos retirados da inteligência falha e limitada dos seres humanos. Em suma, se os robôs não são brinquedos, nada mais são do que uma distração resultante da ansiedade criativa de todos nós, em tentarmos viver felizes sozinhos (ao lado de engenhocas) e longe de outras pessoas.

A inteligência artificial que codifica tudo, está deixando as pessoas muito sozinhas com tudo e com todos. Os aplicativos aliados à Web nos deixam conectados com o Mundo e com o nada e assim, entendemos da pior maneira, que até a ausência se transforma em outra forma de solidão e, este talvez seja o motivo maior do abandono.

Especialistas da área de saúde mental, afirmam que a pandemia isolou ainda mais as pessoas. Mas, ao meu ver, a solidão já existia bem antes da COVID chegar e assolar o Mundo e, em grande parte, a culpa do isolamento das pessoas, parte dos próprios solitários, que buscam uma perfeição que não poderão encontrar nem diante do espelho. A solidão é e sempre será, uma embarcação à deriva que existe em todas as partes do Mundo.

Dizem que para ter amigos basta ter dinheiro no bolso. Eu sou da época que para ter amizades não precisava de muita coisa. O dinheiro atrai pessoas com interesses próprios e não amigos de verdade. Quem cultiva amizades como estas, possui pouca sabedoria.

A dor que a pessoa solitária sente pode nunca deixá-la. A pessoa solitária não tem esperança de nada, ela só quer que a vida seja de outro jeito. Mas, se fosse diferente seria melhor? - não existe uma certeza nisso, pois, mesmo que as coisas mudem, o solitário continua sendo ele mesmo.

A pessoa solitária sente aquele aperto imenso na garganta e no peito, tem vontade de gritar. Às vezes está tudo bem e de repente o Mundo desaba sobre nossas cabeças, mas, o ser taciturno pensa que as coisas ruins da vida só acontecem com ele. E quebrar coisas para aliviar a tristeza, só causará prejuízos materiais e poderá machucar a pessoa solitária.

Porém, o que pode ser feito para resolver alguns dos problemas da solidão e do abandono? Uma pessoas solitária só quer ser mais feliz, ter mais amigos, ter um pouco mais de tudo. Em suma, quer sentir-se notada e, se possível for, ser amada e assim, deixar de provar o amargo sabor do abandono. 

O problema, é que hoje até os jovens estão abandonados (os idosos então, são completamente anulados, quase descartados). O abandono é um crime contra a dignidade humana. O pior, é que às vezes a pessoa solitária não deixa de ter tudo na sua vida... ela na verdade, não tem nada e nem ninguém mesmo. Portanto, não é exagero não conseguir ver o que há de bom ao seu redor, pois, não há felicidade e sem se sentir feliz, nada parece funcionar bem.

A pessoa solitária não precisa de remédio, de religião, não precisa de ajuda financeira. O solitário precisa de atenção. Mas, a quem recorrer? - se todo mundo a quem conta suas tristezas, não quer saber e não respeita o tamanho do vazio que ele (solitário), sente.

Sentir-se melancólico é o mal do século¹, porque, os solitários só têm realmente a si mesmos. Perdidos, isolados, esquecidos, maltratados, mudos no que dizem, residem dentro de si mesmos e dessa maneira, os solitários perdem suas forças.

Encontrar uma maneira de desabafar é útil, pois, não é necessário tanto sofrimento. Mas, o solitário faz monólogo, fala sozinho, murmura, xinga e nada o alivia.

O solitário não quer presenças oportunistas, “visita de médico”, ele espera que apareça milagrosamente alguém constante, algum afago, mas, infelizmente, isso quase nunca (ou nunca), acontece e a cura da melancolia do solitário não existe.

O pior de tudo, é que quem está do lado de fora do abandono e da solidão, acredita que o solitário se vitimiza, que se faz de coitadinho e, atitudes assim, só tornam o solitário ainda mais isolado socialmente.

Mas, um ser solitário não tem família? Sim, todos temos família, porém, as pessoas solitárias já perderam até suas referências familiares, seus laços mais íntimos.

Com o passar do tempo, as pessoas solitárias chegam a aceitar sua angústia, como se fosse um “coleção de vazios” que acontecem todos os dias. O problema é que o abandono virou figurinha repetida e figurinha repetida não completa álbum, porque, uma pessoa sozinha não tem poder de influência suficiente para promover uma nova definição em uma situação de abstração, pois, como dizem: “Uma andorinha só não faz verão”.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
* Arte inicial animada da postagem ®DOUG BLOG, “The Simpsons” - do autor americano: Matt Groening (15 de fevereiro de 1954).

¹ Mal do século - “Mal du siècle”, é uma expressão, originária de Chateaubriand - França, utilizada como um tópico literário, referente à crise de crenças de valores pessoais e sociais, na Europa no século XIX.




“Abandono” (1979)
Roberto Carlos Braga (19 de abril de 1943)

♫Se voltar não faça espanto, 
Cuide apenas de você
Dê um jeito nessa casa, 
Ela é nada sem você
Regue as plantas na varanda, 
Elas devem lhe dizer
Que eu morri todos os anos, 
Quando esperei você.

Se voltar não me censure, 
Eu não pude suportar
Nada entendo de abandono, 
Só de amor e de esperar
Olhe bem pelas vidraças, 
Elas devem lhe mostrar
Os caminhos do horizonte
Onde eu fui lhe procurar.

Não repare na desordem, 
Dessa casa quando entrar
Ela diz tudo que eu sinto, 
De tanto lhe esperar.♫
°°°
♪ “Abandono” é uma canção do final dos anos (1970), de autoria do cantor e compositor brasileiro: Ivor Lancellotti (30 de março de 1945).

domingo, 12 de dezembro de 2021

“Soledad... Simpatia Pura!”

Dizem que sentir solidão é preferível, do que receber afeto dissimulado. Porém, o amor verdadeiro (este sim, é a melhor companhia), pois, bem acompanhados, nunca estamos solitários. Agora, quando se está mal acompanhado, você pode estar cercado por uma arena esportiva lotada de pessoas e mesmo assim, se sentirá só.
    
Feito esta introdução, trago aqui no ®DOUG BLOG, este conto sobre Soledad, uma mocinha taciturna, de poucas palavras, nascida na província de Valladolid, Espanha, filha mais velha de cinco irmãos.
    
A família de Soledad sempre foi humilde, residindo em um velho sobrado, tendo a casa sempre cheia, pois, além de Soledad, residem no local seus quatro irmãos, pai,  mãe, avô (pai de seu pai), uma tia (irmã de sua mãe) e um primo (que foi estudar na província), alugando o porão do sobrado, onde ele dizia encostar seu esqueleto, cercado por paredes tão mofadas e gélidas. Porém, mesmo com a casa repleta de parentes, Soledad faz jus ao seu nome.
    
Por falar em estudar, Soledad acabou estudando só o básico, para poder trabalhar fora e ajudar  nas despesas da casa.
  
Soledad chegou a ficar noiva, mas, desistiu de casar, por achar a vida conjugal e a maternidade, boa só para outras mulheres (talvez por influência de sua tia Zaira), que dividia com ela, um dos quartos do antigo sobrado. Esta tia que além de beata é solteirona, sempre dizia à Soledad, que o casamento é pura ilusão. 
    
A beleza também não é algo que chame a atenção em Soledad, pois, como ela mesma diz: “Não sou bela, sou simpatia pura!”
    
Soledad adora escrever e, sempre coloca em seus textos a verdade do significado de seu nome: SOLIDÃO. Apesar de sua mãe viver sempre lhe contradizendo, falando que seu nome foi dado por conta de sua devoção a Nossa Senhora da Soledade. Ou seja, foi um ato de fé, não de solitude.
    
Soledad sempre teve uma triste sensação de estar presa do lado errado do rio, mas, quando passava para o outro lado da margem do rio, tinha o mesmo sentimento de grande vazio interior. 
    
O certo, é que por se sentir oca, a solidão já atingiu Soledad bem mais que em seu nome, já pegou a moçoila de jeito, fazendo os cadarços apertados de seus sapatos e os laços de seus cabelos, se tornarem em grilhões, retirando sua liberdade, que na adolescência, faz a gente tentar se emponderar e assim, crer que podemos fazer tudo o que quisermos das nossas vidas. Mas, isso é utopia, cismava desolada Soledad, com os cotovelos pousados no parapeito da janela, onde observava a chuva molhar mais aquela tarde que também chegavam ao fim, em completa insipidez.


 

sábado, 3 de outubro de 2020

“Dona Gertrudes”

Dona Gertrudes quando era jovem, vivia rodeada de parentes e amigos. Um dia conheceu Polkas, um migrante polonês, que fugia com a família para o Brasil, se livrando da Segunda Guerra Mundial e dos horrores do Holocausto.
   
Dona Gertrudes mesmo com diferenças gritantes de cultura e idioma, acabou casando-se, com Polkas, com quem teve quatro filhos, três rapazes (sendo, dois gêmeos) e uma menina, hoje todos casados. É avó de 6 netos e já tem uma bisnetinha também (filha de seu primogênito). 
    
Dona Gertrudes (hoje com 86 anos), após o casamento de sua filha caçula, ficou viúva (na época com 80 anos). Com a morte de Polkas, os filhos começaram a espaçar suas idas na casa dos pais, só um dos gêmeos, passava lá toda semana, para levar as compras de supermercado e farmácia, mas, sempre na correria, não ficava nem para o cafezinho. Com o passar do tempo, os filhos começaram a visitar a mãe, só nas datas comemorativas: aniversário, Dia das Mães e Natal.
   
Dona Gertrudes assiste TV todos os dias, muito por gostar de novelas, mas, também, para ter a sensação de estar acompanhada em casa. Os telejornais antes das novelas, trazem 90% de notícias trágicas, que por tabela, fazem parte da rotina de Dona Gertrudes: TERRORISTAS EXPLODEM TORRES GÊMEAS... CAIU O AVIÃO DO TIME DA... MORREU O CANTOR... CRIANÇA DESPENCA DO 10° ANDAR DO PRÉDIO...  POLÍTICOS ESCONDEM DINHEIRO ATÉ NAS CUECAS... POLICIAIS ESPANCAM JOVENS EM COMUNIDADE...  Mas, no começo de março deste ano, ao ligar a TV, Dona Gertrudes escuta em todos os canais: PANDEMIA... QUARENTENA... LOCKDOWN... O telefone toca (o de Dona Gertrudes ainda é fixo), do outro lado da linha, a filha desesperada, por conta da novidade pandêmica, diz para sua mãe, que não poderá ir visitá-la tão cedo (mas, ela estava visitando antes?) - e assim, também sucedeu com mais dois filhos... O outro, continuou indo levar as compras, mas, agora, mascarado, nem subir, sobe mais ao apartamento da mãe, colocando todas sacolinhas no elevador e depois, vai embora, sem ao menos (mesmo de longe), dar um aceno de tchau com as mãos para ela.
   
Certa manhã, ainda no início da pandemia, Dona Gertrudes abre as amplas janelas da sala de seu apartamento e, não escuta viva alma, nem o piar dos pássaros, latidos de cães, miados dos gatos da vizinhança ou o movimento e buzinas de carros. E inexplicavelmente, Dona Gertrudes suspira profundamente, com um riso sarcástico no canto da boca, sente-se vingada e aliviada, pois, finalmente o Mundo todo estava compartilhando com ela, aquela sensação de vazio qual sentia faz tempo, todos os dias, desde que o esposo Polkas faleceu.
°°°
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO: 
* Arte ®DOUG BLOG (abaixo), baseada na personagem: Bizantina Escatamáquia Pinto, a Velha Surda (1956), dos programas humorísticos de TV: Praça da Alegria e A Praça é Nossa.



“Velha Surda da Praça”

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

“Solidão”

Ainda estamos cumprindo dias de quarentena, embora alguns menos ajuizados (cansados da solidão), resolveram “fazer amizade” com o vírus e tentar a sorte.

Da varanda do meu apartamento, todas às noites, avisto pelas janelas, alguns vizinhos assistindo TV, outros fumando seus cigarros (na madrugada que se anuncia), alguns acenam suas mãos, esperando um aceno de volta... são sintomas do “insulamento pandêmico”.

É até normal que nesta fase de desterro social (principalmente os nossos idosos), sintam-se encantoados, pois, a maioria dos “nossos velhinhos”, nem de informática são familiarizados. 

Quem nunca se sentiu só, antes mesmo da pandemia? Muitos, mesmo estando cercados por Maracanãs repletos de pessoas ao redor, já tinham a solidão batendo ponto em suas vidas. 

Estar só, não significa transformar tudo em uma novela mexicana e sim, saber observar que a solidão não faz vítimas fatais, o que faz vítimas fatais atualmente, é o vírus, mas, este é um caso da ordem de saúde médica-hospitalar e não de dramaturgia ou literatura.

A solidão machuca, deixa suas escoriações, mesmo quando decidimos ficar sozinhos (por vontade própria, na solitude), pois, nenhuma solidão é boa companhia, nem a social e muito menos a virtual, esta, imposta pelos modernos Smartphones Touch Screen, conectados nas Redes Sociais, que nos dão a falsa impressão de mantermos milhares de amigos. A Web nos permite até estar “nas nuvens”, sem a necessidade de um Céu sobre nossas cabeças.

Um estudo da ONU - Organização das Nações Unidas, revelou que a população global atual (2020), mesmo com tantas baixas pela COVID-19, é de: 8 bilhões de habitantes no Mundo. Então, como é possível crer que ainda exista alguém sentindo solidão, neste nosso Mundo tão empachado de gente? Mas, o pior, é que mesmo com tanta gente, existem pessoas à beça se sentindo só por aí.

A solidão acontece em abundância, pois, somos parte de uma engrenagem hipócrita, que vive de aparências sociais. Algumas pessoas incultas, preferem estar na companhia de gente ainda mais inculta que elas (mesmo que seja de modo virtual), para que assim, todos possam coexistir, sem ganhar nada com isso, porque, elas vivem fazendo de conta, nesta verdadeira dança das cadeiras sem fim.

Já abordei vários temas aqui no ®DOUG BLOG, entre eles: timidez. E hoje, mais uma vez eu afirmo, que nem as pessoas tímidas, gostam só da companhia delas mesmas, pois, como bem disse o poeta jacobita inglês, John Mayra Donne (22 de janeiro de 1572 - 31 de março de 1631): “Nenhum homem é uma ilha isolada!” 

Baseado nesta frase, creio que a solidão só serve, para pessoas que querem se esconder de si mesmas, fazendo acrobacias para se manter longe das relações, que na cabeça delas, desafiariam até a lei da gravidade.

A solidão com o tempo só traz lágrimas e depressão (esta sim perigosa, pois, afeta a saúde da mente e do corpo), tornando a sensação de tomar conta da própria vida, em fracasso e desinteresse. 

Momentos de introspecção são necessários em nossas vidas. Mas, introspecção e sermos seres solitários, são duas coisas distintas, pois, mesmo quando acreditamos estar muito bem acompanhados, inevitavelmente, um dia, parentes e amigos nos desapontam de alguma maneira e aí, começa aquele teatro, onde interagimos muitas vezes por educação (mas, isso cansa), até o dia, que nos excluímos (ou somos excluídos), até dos grupos de família do WhatsApp, por exemplo.

Imagine a seguinte cena: você entra em um restaurante, se senta, pede o cardápio, janta; pede uma sobremesa, come; pede um cafezinho, toma; paga a conta e vai embora. Todos ao seu redor pensam: “coitadinho, que pessoa solitária, jantando sozinho(a)”. 

Mas, estar só, pode significar tantas coisas. Você pode estar saindo de uma relação, pode estar de luto, pode estar trabalhando provisoriamente em uma cidade (que não é a de sua residência) e, em todos estes casos, você precisa comer, mesmo que seja de maneira solitária e, em nenhum destes casos a solitude é digna de pena. 

Ou seja, não somos o quê pensam de nós, já basta este Mundo louco e pandêmico em que vivemos, onde quase nada de correto conseguimos observar ao nosso redor no momento. Tecer um elogio parece ser algo sofrido de acontecer, mas, uma crítica, está sempre afiada, fácil de sair da boca das pessoas. Mas, fofocas e maledicências hoje (como quase tudo no Mundo), são realizadas no modo digital, pois, muitos estão entorpecidos pelo vício virtual, muitos por vontade própria, outros tantos adotados pela quarentena.

Tem dias que a companhia mais fascinante que conheço, sou eu mesmo. Gosto de passar umas horas exercitando o meu bate-papo pessoal. Vocês que são pais/mães, observem os seus filhos, pois, crianças são especialistas nos bate-papos interiores (e não é à toa, que muitas vezes, sinto saudade daquelas boas épocas de menino, que vivi). 

Clarice Lispector (10 de dezembro de 1920 - 9 de dezembro de 1977), disse: “... que minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha a coragem de me enfrentar...” - o grande erro do solitário é este, não conseguir enfrentar a si mesmo (e ao seu degredo), de peito aberto.

Eu gosto dos encontros casuais, do que é súbito. Aprecio poder viajar pelo Mundo, andar por aí com a liberdade, de saborear o vento que bate em meu rosto e em meus cabelos prematuramente grisalhos. Gosto da companhia das boas músicas e dos muitos escritores (sempre meus cúmplices). Aí, neste meu bate-papo interior, eu começo a relembrar tudo que já vivi, das tantas pessoas que já estiveram ao meu lado e, sinto falta de muita gente... “Pessoas” que li e não conheci (mas, que adoraria ter conhecido), gente que amei incondicionalmente e se foi... Esposa, avó, mãe, pai e alguns amigos. Mas, de contrapartida, lembro de gente, que eu prefiro correr delas, igual ao “Forrest” correu no filme: (“Forrest Gump – O Contador de Histórias” (1994), pois, estas, são tão nocivas quanto ao Novo Coronavírus.

A solidão mesmo sendo uma expressão múltipla, ela é só um momento infeliz em nossas vidas. Assim sendo, estas frases do filósofo francês, Paul Valéry (30 de outubro de 1871 - 20 de julho de 1945), se fazem pertinentes: “Um homem só está em má companhia!” e “Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade!” 

Ou seja: tenham calma meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, mantenham o equilíbrio (mesmo que introspectivamente), nestes dias de tamanhas incertezas (por mais difícil que isso possa parecer no momento), porque, um dia a solidão passará, pois, na vida, tudo é mesmo passageiro, mutável e perecível. E assim, um aceno de mão (vindo de um vizinho, pela janela e/ou sacada), vizinho este que você nem conhece... ou um sorriso seguido de uma palavra positiva, podem salvar a solidão de ambos, deste “exílio de ensimesmamento” de todos nós. 




“Solidão Que Nada” (1987)

♫Cada aeroporto
É um nome num papel
Um novo rosto
Atrás do mesmo véu
Alguém me espera
E adivinha no céu
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer
E eu quero tudo
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel
Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar.

Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada
Solidão, que nada.

Alguém me espera
E adivinha no céu
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer
E eu quero tudo (tudo)
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel
Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não 
(não há promessas)
É só um novo lugar.

Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada
Solidão, que nada.
  
Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada.♫
°°°
♪ “Solidão Que Nada”, é uma composição de: Agenor de Miranda Araújo Neto - Cazuza (4 de abril de 1958 - 7 de julho de 1990); George Alberto Heilborn Israel (16 de maio de 1960) e Nilo Romero Filho (1° de agosto de 1960).

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

“O Homem Invisível e o Planeta Mongo”

Quando escrevemos um texto para os nossos blogs, penso que a maioria de nós não faz de maneira biográfica, apesar de compreender, que muito do que escrevemos, faz parte das nossas preocupações de vida, pois, de nada adianta nos preocuparmos com o meio ambiente, por exemplo, se não nos preocuparmos primeiro com a totalidade do ambiente em que vivemos.
    
Senão, vejamos: você está, numa praça, crianças brincam, idosos jogam dominó, babás e mães conversam, o vendedor de pipoca estoura o milho na panela e mesmo assim, estando rodeado de tanta gente, você sente que está só.
     
Ou, você está, dentro de um ônibus, no Metrô, numa antessala de um consultório médico ou dentário, ali existem outras pessoas, que estão no mesmo lugar contigo, mas, nem por isso vocês estão juntas.
    
Aliás, estar juntos, hoje em dia, até alguns casais que convivem no mesmo lar, não estão na mesma página. As fotos do casal estão expostas por toda a casa em porta-retratos, eles dormem na mesma cama, mas, ambos muitas vezes, sentem um vazio sem fim.
    
Quando uma pessoa muito rica morre, você já viu no cortejo fúnebre, um carro-forte seguindo o rabecão funerário? Isso ninguém viu e, nunca irá ver. Viver pobre e solitário, morrendo rico e cercado de pessoas em um velório (ou cerimônia crematória), é pura estupidez. Nos tempos modernos, não existe mais espaço para sarcófagos, pirâmides e faraós.
    
De um modo geral, nossa relação com a solidão é tamanha, que chegamos ao ponto de recebermos mais ligações e mensagens de texto (via Smartphone), vindas das operadoras de telemarketing, que de parentes e amigos.
    
Quem de nós nunca se viu vivendo dentro de um filme do Flash Gordon (ícone perene da ficção científica), que tão bem nos representa, no Mundo contemporâneo, em que existe um tal de Universo Virtual, que sabe-se lá onde fica? Talvez seja no Planeta Mongo¹ (uma espécie de universo paralelo). Ou ainda, quem de nós, por vezes, já sentiu ser, um daqueles bonequinhos movidos por corda, que saem disparados pela casa, e quando topam com uma parede, ficam andando sem sair do lugar?
    
O que aprendemos de concreto, nesta vida, é que uma pessoa só pode ser ignorada por dois motivos: primeiro por ser alguém insuportável; segundo por ser alguém que é invejado. Uma pessoa insuportável, por incrível que pareça, consegue ser aceita com mais facilidade nos grupos sociais, do que a invejada. Sim, pois, quem é insuportável se faz presente nas rodinhas sociais, enquanto quem tem a sombra da inveja nas suas costas, sequer é convidado até mesmo para os eventos mais populares, por medo de que ofusque os demais convidados.
   
Dos heróis das histórias em quadrinhos, aquele que mais se assemelha com a verdade da vida do maior número de pessoas do Mundo, é O Homem Invisível, não por suas habilidades de super-herói, mas sim, por sua invisibilidade, por sua habilidade tácita de ser antissocial, devido ao seu talento de se fazer ausente em locais públicos, mesmo estando presente. E hoje com o advento dos Smartphones, ser invisível mesmo estando conectado ao Mundo (via Internet), é algo que está ao alcance dos dedos, sempre acelerados nas telas de touch screen dos nossos celulares, ou seja, muitos vivem no piloto automático, de maneira anestesiada, como se subsistissem, agindo como se fossem zumbis virtuais e, agora também invisíveis, numa espécie de quarentena opcional, onde não sentem solidão em sua condição de invisibilidade, mesmo que não façam parte da Liga da Justiça.
    
No Mundo contemporâneo, não é difícil percebermos (salvo raríssimas exceções), muitas pessoas agindo da mesma maneira, quando se sentem violadas em seus direitos e, assim, como o herói, se tornam invisíveis diante de situações inconvenientes, que a sociedade denomina, Zona de Conforto.  
    
Sendo invisíveis, estamos cada dia mais seletivos em nossas relações pessoais, mesmo estando vivendo em grupos sociais, como qualquer pessoa sociável e visível ao Mundo. Ou seja, já não nos vestimos mais em trajes de gala para grandes festas e eventos, preferimos o conforto dos moletons surrados das nossas quarentenas do dia a dia. Somos invisíveis, cobertos com o manto da invisibilidade (uma das três Relíquias da Morte), do universo do bruxo Harry Potter e assim, não ficamos visíveis para os outros, uma vez que este modo defensivo, nos torna solitários, às vezes por opção, às vezes por uma situação de vida imposta pelas demais pessoas que nos cercam, as mesmas pessoas que te excluem (que te jogam para escanteio), por egoísmo e maldade gratuita, assim, como se a amizade, fidelidade e respeito, fossem sentimentos desnecessários em nossos dias, até o Natal chegar, pois, aí todos são receptivos e praticam atos de empatia. 
    
Deste modo, outro herói entra em cena, ou no mar de dúvidas e isolamento, pois, agora, igual ao Príncipe Namor - Sub-Mariner, aqui em terra firme, somos só mais um peixe fora d’água, igual a tantos outros peixes que aprenderam a respirar na superfície, mas, estão perdidos neste mar de isolamento que o Mundo contemporâneo indica para nós, com insegurança social, falta de qualidade de vida, que faz com que as pessoas vivam cada dia mais sem opções de lazer (que no latim é: licere), ou seja, “ser lícito”, “ser permitido”. Mas, sendo invisíveis, não nos permitimos a quase nada, além de uma xícara de café (ou chá), uma maratona de séries por streaming na cama, pois, existem seis dias pretos no calendário (por semana) e temos de trabalhar muito, para ganhar “o pão nosso de cada dia”, neste Mundo literalmente desconstruído e descolorido em “50 tons de branco”, onde confundimos à busca de ter sossego, de ter quietude, de possuir ausência de problemas e de preocupações, com solidão.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Flash Gordon, é o herói de aventura e ficção científica, lançado em (1934), tendo suas histórias muitas vezes passadas no Planeta Mongo - (Flash Gordon & the Warriors of Mongo). Foi criado pelo desenhista americano: Alex Raymond (2 de outubro de 1909 - 6 de setembro de 1956), a princípio para tiras de jornal e depois, para televisão e cinema, sempre com muito sucesso.



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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.