Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, algumaspalavras com sonoridade semelhante sempre complicam a vida das pessoas e as mergulham em total “escuridão”. Examinemos a conversa da “trindade”: Pai Johan, Mãe ElaineJane e filho Stephen. 💬 Pai, como se chamam esses grampos de prender papéis que você está usando? 💬 É clipes¹, meu filho! 💬 E como se chama quando a lua cobre o sol? 💬 Eclipse², meu filho! 💬 Então, é a mesma coisa? 💬 Não, Stephen, a mesma coisa é um caminhão cheio de chineses. Jane, ouvindo a conversa entre o marido e o filho, diz: 💬 Johan, homem de Deus,que jeito de responder é esse? Isso é preconceito. Isso não pode mais em pleno século XXI! 💬 Tá bom... tá bom... Elaine Jane... então, filho, é um caminhão cheio de japoneses.(risos) 💬 Afff...Johan, o que você acabou de dizer é a mesma coisa.E é clipe no singular, ‘é clipes’ no plural, são clipes. (risos) 💬 Não é a mesma coisa nada, Elaine Jane... japonês é japonês, e chinês é chinês.E essa bodega aqui,é clipes mesmo, clipe é de música! 💬 Sabe de nada... seu filho já está boquiaberto com a vergonha alheia.(risos)E pare de me chamar de Elaine Jane! Minha mãe só me chamava assim quando eu fazia alguma coisa errada. 💬 Está bem... está bem...mim Tarzan³, você Jane!(risos) 💬 Johan, você é tão bobinho! 💬 Então, seu Tarzan, diz pra mãe que é um caminhão cheio de coreanos, e encerra essa história aí. (risos) °°° [NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG] ¹ O inventor e funcionário público norueguês Johan Vaaler (15 de março de 1866 – 14 de março de 1910), foi quem criou o clipe de papel (em inglês clip -plural: clips). Johan patenteou um modelo de arame liso, na Alemanha em (1899), porque, a Noruega não possuía leis de patentes na época, razão pela qual registrou o projeto no exterior.
² O último eclipse solar total de (12 de agosto de 2026), transformou o dia em noite no Hemisfério Norte (Rússia, Islândia, Espanha) e durou mais de dois minutos na faixa de totalidade, porém, não foi visível no Brasil.
³ Na história original do escritor americano Edgar Rice Burroughs (1º de setembro de 1875 – 19 de março de 1950), o nome Tarzan (significa “Pele Branca”), na língua fictícia dos grandes símios. Na trama, o herói é John Clayton III, Lorde Greystoke, filho de aristocratas ingleses. Sua esposa chama-se Jane Porter.
Bem meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, este não será um texto triste, mas sim, de palavras carregadas da saudade que ainda lateja. Já faz alguns anos que vivo sem a presença de meus pais no meu dia a dia. Dizem que esta é a ordem natural das coisas, mas, eu gostaria que não fosse desta maneira.
E, sendo hoje Dia dos Pais (no Brasil), há momentos em que sinto um desejo avassalador de voltar ao “ontem” e ser feliz mais uma vez ao lado daquele grande homem e botafoguense, que foi meu pai.
Na vida, sempre ganhamos ao ter um bom conselheiro. Mas, um dia, começamos a perder nossas referências; o tempo voa, e a saudade vem para nos roubar nossa paz de espírito.
Ainda me lembro como se fosse ontem: meu pai, um homem refinado, um verdadeiro “gentleman”, usando uma bonita aliança de ouro de seus cinquenta e seis anos de casamento com minha mãe, Neuza; sempre sorridente, um homem culto e um matemático brilhante, de mente aguçada, mesmo já avançado em seus maisde noventa anos. Meu pai era, de fato, um homem feliz... e sabia como me fazer feliz também. Hoje, os casais tornam-se meros companheiros, sem alianças... sem afeto.
“Meu filho, todos um dia sentimos nossas dores e tristezas... Você precisa se preparar para o não estar!” -Meu pai me disse esta frase; que na época, eu não compreendia o que aquele “não estar” significava. No entanto, sua ausência, que admito, ainda provoca uma dor aguda em meu peito, fez-me entender o sentido daquelas palavras: reconhecer a finitude da vida e a dor da perda, éum dos fardos mais difíceis da experiência humana.
No entanto, preparar-se para a ausência de um ente querido exige tempo, aceitação e, acima de tudo, acolher os próprios sentimentos, transformando a dor da despedida em memórias duradouras de afeto.
E o que você faz quando já não tem seu pai por perto para afastar seus medos? Fica um espasmo de saudade. Dizem que a vida é boa, mas, após a morte do seu melhor amigo, ela pode parecer uma vida à toa, sempropósito. Na inocência da infância, quando eu ainda era tão jovem e não conhecia as malícias da vida, eu acreditava que jamais perderia meus pais. No entanto, hoje, já adulto, aprendi a conduzir a vida por conta própria; porém, todos os dias, sinto o vazio deixado pela ausência de meus pais. Sem eles, percebi que eu era como um fruto que amadureceu antes do tempo: um adulto ainda repleto de perguntas sem respostas.
O tempo passa e a vida boa e à toa... voa, mas, a saudade volta em minha direção por todas as partes. Minha maior tristeza, hoje, é saber que a vida não pode retroceder; ainda assim, tornei-me um contador de histórias, compartilhando relatos que aprendi, em grande parte, com esta própria saudade. Saudade da minha avó, da minha mãe e da mulher que amei, mas, acima de tudo, do meu pai.
Quando minha mãe faleceu, trouxe meu pai para morar comigo. Nesta nova convivência, ele recontava suas histórias de vida, sempre com a mesma cadência e o mesmo ritmo, não para cansar meus ouvidos, mas, como um mantra para renovar suas memórias, garantindo que nenhuma delas escapasse de uma mente que inevitavelmente envelhecia junto com sua “casca”.
Assim sendo, por ter aprendido a ser um contador de histórias com o melhor contador de histórias que conheci, finalizo esta postagem do ®DOUG BLOG com esta narrativa da minha infância:
Eu sempre adorei maçãs verdes, aquelas que são mais ácidas e, este gosto está profundamente enraizado nas minhas memórias afetivas. Recordo com carinho a imagem do meu pai segurando um canivete em uma mão e uma maçã verde na outra, descascando a fruta sem romper a tira da casca. Eu sempre me impressionava com sua habilidade sutil; parecia algo tão simples para ele, mas, impossível de eu reproduzir. Minha mãe costumava dizer que era um desperdício de nutrientes, já que as vitaminas da maçã estão concentradas principalmente na casca. Mesmo assim, eu adorava vê-lo descascar cada maçã para eu comer, porque, o que eu realmente queria, era vê-lo realizar aquela arte... aquela “mágica” com a casca da fruta. Já adulto, tentei descascar maçãs verdes sem romper a tira... foi difícil aprender e, embora tenha conseguido algumas vezes, jamais alcancei o nível de maestria do meu pai. A verdade é que não sou mais criança e, muitas vezes, sinto-me perdido, sem saber a quem pedir para descascar uma maçã verde com perfeição. As “cascas” das maçãs verdes da vida ainda continuam a existir, mas, agora as enfrento sem meu pai ao meu lado, em dias em que a própria vida, muitas vezes, parece ter um gosto ácido. Quanto às maçãs verdes de verdade, elas passaram a ter gosto de isopor, resultado do tanto de saudade que sinto de meu eterno contador de histórias.
FELIZDIADOSPAIS!
“Meu filho, todos um dia sentimos nossas dores e tristezas... Você precisa se preparar para o não estar!” (Walter de Mello)
“Naquela Mesa” Interprete: Elizeth Cardoso
♫Naquela mesa ele sentava sempre E me dizia sempre o que é viver melhor Naquela mesa ele contava histórias Que hoje na memória eu guardo e sei de cor Naquela mesa ele juntava gente E contava contente o que fez de manhã E nos seus olhos era tanto brilho Que mais que seu filho Eu fiquei seu fã.
Eu não sabia que doía tanto Uma mesa num canto, uma casa e um jardim Se eu soubesse o quanto dói a vida Essa dor tão doída não doía assim
(não doía assim) Agora resta uma mesa na sala E hoje ninguém mais fala do seu bandolim Naquela mesa tá faltando ele E a saudade dele tá doendo em mim.
Eu não sabia que doía tanto Uma mesa num canto, uma casa e um jardim Se eu soubesse o quanto dói a vida Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala E hoje ninguém mais fala do seu bandolim Naquela mesa tá faltando ele E a saudade dele está doendo em mim Naquela mesa tá faltando ele E a saudade dele tá doendo em mim Naquela mesa tá faltando ele E a saudade dele está doendo em mim.♫
°°° ♪ “Naquela Mesa” (1969), é uma emocionante homenagem póstuma ao lendário mestre do“chorinho”,Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim (14 de fevereiro de 1918 - 13 de agosto de 1969). A canção foi escritalogo após a morte repentina do músico aos 51 anos,por seu filho Sérgio Freitas Bittencourt (3 de fevereiro de 1941 — 9 de julho de 1979), no vídeointerpretada na voz da “Divina” - Elizeth Moreira Cardoso (16 de julho de 1920 - 7 de maio de 1990).
Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, muitos homens sabem cozinhar por habilidade, enquanto outros se veem forçados pela necessidade a lidar com talheres e panelas. Alguns são profissionais (chefs), outros são supérstites.¹
A cozinha tem uma forma curiosa de revelar quem somos, geralmente dividindo os homens que cruzam seu portal em duas castas bem distintas: os que entram por vocação e os que entram por sobrevivência.
De um lado do balcão, temos o cozinheiro por habilidade profissional. Para ele, a cozinha não é um cômodo; é um templo, um palco, um laboratório de alquimia. Este homem planeja o cardápio da semana com esmero. Ele conhece a diferença entre um corte julienne e brunoise,² ostenta facas que cortam o vento e trata uma panela de ferro fundido com o zelo de quem cuida de um recém-nascido. Quando ele pilota o fogão, há uma coreografia: o avental é impecável, o vinho já está no decanter³ para ser servido nas taças corretas... e o molho reduz em fogo brando, enquanto ele discursa sobre a importância do tempo de cura do queijo Camembert⁴. Cozinhar, para este homem, é um ato de sedução, de vaidade e de puro prazer. Ele quer os aplausos, os elogios sussurrados entre garfadas, a validação de que domina o fogo e os sabores diante de sua plateia: seus convidados para jantar.
E entre estes convidados, está espremido entre a pia e a geladeira, o cozinheiro por necessidade. Os caprichos da vida o empurraram para a beira do fogão... seja um divórcio, a mudança para estudar fora e ter de morar sozinho, a independência recém-adquirida ou simplesmente o custo proibitivo dos aplicativos de entrega (delivery). Ele não tem vontade de criar nada; quer apenas saciar sua fome com arroz, ovos, pão, linguiça e macarrão instantâneo. Ele não faz reduções de molho; em vez disso, compra sachês prontos, aquece-os e mistura tudo diretamente no “Miojo”. Os utensílios que utiliza são sobreviventes da época em que morava com os pais: uma frigideira com o revestimento antiaderente descascando (teflon), uma panela de pressão que exige ajuste da borracha de vedação antes de cada uso e uma colher de pau com um lascado na ponta. Para ele, a cebola não é picada ritmicamente com facas bem afiadas; ele destroça a cebola com uma “faquinha cega”, enquanto chora lágrimas de puro arrependimento por não ter comprado além do sachê de molho de tomate, também o tempero pronto. Seu maior triunfo não é arrancar elogios de uma plateia exigente (aliás, ele nem convida ninguém para comer sua gororoba), ele apenas pretende conseguir transformar duas salsichas, um resto de extrato de tomate, duas fatias de muçarela⁵ e um pão amanhecido, em algo digno de ser engolido sem que a azia o desperte às três da manhã.
O irônico é que, na intimidade do prato feito, a fome não faz distinção de classe culinária. O estômago ignora se o risoto levou quarenta minutos de caldo de legumes artesanal ou se o arroz com ovo foi o ápice do malabarismo de fim de mês. Como minha saudosa vó Lurdes sempre dizia com muita propriedade: “A fome é o melhor tempero!” -um famoso provérbio popular atribuído ao filósofo, político e advogado romano: Marco Túlio Cícero (3 de janeiro de 106 a.C. - 7 de dezembro de 43 a.C.).
A mágica da cozinha é que ela é um território mutável. Não raramente, o homem que começou queimando o alho por pura obrigação, com o tempo, pega o jeito da coisa. O primeiro feijão que dá certo traz um orgulho inesperado. O molho que engrossa no ponto certo desperta uma faísca. E assim, entre um erro e um acerto forçado, o cozinheiro da necessidade percebe que vaidomesticando as panelas. Ele limpa o suor da testa, olha para o prato simples que acabou de criar e, pela primeira vez, sorri antes da primeira garfada... descobrindo, enfim, que a necessidade também sabe parir o talento.
O cerne da questão é, que eu aprendi a amar tanto comer quanto cozinhar, graças às minhas saudosas vó Lourdes e mãe Neuza, naturais de Minas Gerais, o estado brasileiro com a melhor culinária que conheço.
Porém, embora as mulheres ainda administrem 96% das cozinhas domésticas no Mundo e constituam a base do preparo de alimentos das famílias, elas chefiam apenas 7% das cozinhas profissionais. A alta gastronomia tem sido historicamente dominada por homens, devido a estruturas de poder social, desigualdade de oportunidades e maior visibilidade na mídia.Historicamente, o preparo de banquetes nas cortes europeias e a literatura sobre a alta gastronomia eram domínios masculinos. E nas cozinhas profissionais modernas dos grandes chefs, esta disparidade (como já mencionado),é ainda mais acentuada. °°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG] ¹ Supérstite significa sobrevivente. É um termo do latim (superstite). O termo é bastante usado no meio jurídico e burocrático (especialmente em inventários e partilhas).
² Na gastronomia, Julienne são tiras finas (cerca de 2 a 3 mm de espessura), enquanto Brunoise são cubos minúsculos derivados dessas tiras (cerca de 2 a 3 mm de lado). Embora sejam mais aplicados a vegetais, carnes também podem ser cortadas assim para recheios ou cozimento rápido.
³ Um decanter (ou decantador de vinho), é um recipiente de vidro ou cristal com base larga e gargalo estreito, utilizado para acomodar o vinho após a abertura da garrafa; ele permite que o líquido repouse, separando sedimentos e possibilitando a oxigenação, liberando os aromas do vinho antes de servi-lo.
⁴ O Camembert é um queijo francês de maturação superficial. Ele passa por um processo de “cura” promovido por fungos benéficos (Penicillium Camemberti), que formam sua casca branca aveludada e criam sua textura cremosa de dentro para fora.
⁵ Oficialmente, a palavra MUÇARELA deve ser escrita com “Ç”. Esta é a grafia registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. No entanto, no uso cotidiano, em cardápios e embalagens, a forma MUSSARELA (com “SS”), é a mais popular (coloquial) e amplamente aceita no comércio. Além disso, a forma MOZZARELLA (com “Z”), também está correta. Em outras palavras, a forma usada no dia a dia é a única que está incorreta.
Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, será a Copa do Mundo o maior exercício de faz de conta coletivo que a humanidade já criou?... ou trata-se de uma emoção genuína compartilhada por nações diversas, onde por algumas horas, o futebol transforma estranhos em amigos?
A
Copa do Mundo é um pacto de paz temporário, selado com cerveja a
preço de Champagne, pintura facial, perucas engraçadas e gritos de guerra iguais a“remada viking, RÖ!”,da torcidanorueguesa. Uma utopia com
data de validade impressa no ingresso.
Vamos começar pelo aspecto econômico da Copa do Mundo: os preços exorbitantes dos ingressos fizeram desta a edição mais cara da história do torneio. A estratégia da FIFA de transformar a Copa em um show, somada aos custos de viagem e hospedagem na América do Norte, transformou o evento em um produto para a elite, deixando a classe trabalhadora praticamente fora dos estádios... e isso tratando-se de um esporte que sempre foi um lazer popular.
Quarenta e oito países cruzaram seus caminhos durante a Copa do Mundo, que durou 39 dias (de 11 de junho a 19 de julho de 2026) - o dia em que a Espanha conquistou sua segunda estrela, empregando um estilo eficiente de passes curtos e posse de bola (conhecido como: “tiki-taka”). A seleção espanhola também se mostrou sólida na defesa, sofrendo apenas um gol em oito partidas, terminando invicta,com um total de 7 vitórias e 1 empate, encerrando assim a festa da Argentina e marcando o “último tango de Lionel Messi”. Tudo saindo conforme o não planejado por Messi.
Nas arquibancadas, nações confraternizavam pacificamente em meio a um Mundo em guerra. Quem dera a vida realmente imitasse a arte... é maravilhoso deixar-nos levar por tal ilusão. E, na final,em mais umareviravolta lamentável da FIFA, coube a Donald Trump¹ entregar o troféu à seleção espanhola, invadindo, literalmente, a foto no pódio dos campeões, ficando de “papagaio de pirata”. Mais uma quebra de protocolo da relutância de Trump em ceder o momento aos vencedores.
Seguindofalandodevaidades, agorade dois jogadores de futebol nascidos em(5 de fevereiro),meparece que a megalomania do interminável CR7 - Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro (5 de fevereiro de 1985), o leva a pensar que o “cristianismo” consiste nas pessoas que o seguem nas redes sociais.Atualmente,sobra-lhevaidadeefalta-lhe futebol;quanto ao nosso Neymar da Silva Santos Júnior (5 de fevereiro de 1992), ele não serviu nem para cair no gramado durante esta Copa do Mundo. Atualmente, Neymar Jr.é jogador profissional de Poker... então, que vá para a “casa do BARALHO!”
Mas porque, gostamos tanto o futebol? É porque, acentelha do frenesi coletivo de uma partida da Copa do Mundo acende-se na catraca. O torcedor, carregando o peso de um passaporte que o Mundo insiste em escrutinar, escaneia o código de barras e cruza uma fronteira invisível. Lá dentro, o protocolo geopolítico implode... um homem agitando a bandeira da Palestina divide um pacote de pipoca com um sujeito de camisa azul e branca. Duas cadeiras adiante, um ucraniano e um russo fingem que o único território em disputa são os trinta centímetros quadrados do degrau de concreto... e nem a Rússia nem a Ucrânia sequer se classificaram para a 23ª Copa do Mundo.
Durante noventa minutos mais acréscimos, o planeta suspende a incredulidade. Olhamos para o gramado verdinhoe aceitamos a mentira mais bonita da terra: a de que os conflitos humanos podem ser resolvidos com uma bola de couro e dois exércitos de onze soldados, duas etapas regulamentares e um trio de arbitragemcontestável aliado ao VAR². Queremos desesperadamente acreditar que aquelaguerra é apenas um jogo com regras claras, onde o pior que pode acontecer é um gol de pênalti ou uma eliminação dolorosa na fase de grupos.
Nas arquibancadas, o Mundo exterior, marcado por feridas reais das guerras, encontra um alívio artificial. O ódio é despejado sobre os assistentes de arbitragem (bandeirinhas), que, graças aos avanços tecnológicos, marcam impedimentos com base em meros fios de cabelo cruzando a linha limite da regra, enquanto a intolerância dá lugar à ansiedade compartilhada de uma cobrança de escanteio aos 48 minutos, nos acréscimos do tempo de jogo do segundo tempo.
Quando o árbitro apita o fim da partida, o feitiço começa a quebrar. A multidão escoa pelos portões, a realidade volta a cobrar o seu preço e as notificações de bombardeios da violência bélicapiscam novamente nas telas dos Smartphones. Mas, por algumas semanas, quarenta e oito nações insistiram em nos dar o direito à ilusão. E, no fundo, a gente sabe que só suporta a crueza dos dias porque, de vez em quando, a arte nos deixa esquecer quem realmente somos.
A Copa do Mundo de (2026), sediada por Canadá, EUA e México, marcou a descoberta de muitos jovens talentos promissores do futebol, bem como a despedida de inúmeras superestrelas, incluindo os protagonistas da final: o jovem espanhol Lamine Yamal³ e o veterano argentino Lionel Messi³. O camisa 10 argentinofoi superado em campo, mas, não derrotado no mundo do futebol, onde dançou seu “último tango em New Jersey”.
Em (2007) Messi e Yamal viveram juntos algo que só os deuses do futebol conseguem explicar. Quase duas décadas antes de se enfrentarem na final de Copa do Mundo, ambos protagonizaram um encontro que se transformou em uma das imagens mais marcantes da história do futebol. Algumas fotos foram tiradas durante um ensaio beneficente organizado pelo jornal catalão Diari Sport em parceria com a UNICEF. Na época, Messi tinha apenas 20 anos e despontava como uma das grandes promessas do Barcelona. Já Lamine Yamal era um bebê de poucos meses, escolhido por sorteio para participar da campanha solidária ao lado da família, ondeYamal aparece literalmente na banheira, sem estar em posição de impedimento, sendo ele quem atualmente veste a camisa da vitoriosa equipe catalã. °°° [NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG] ¹ Donald John Trump (14 de junho de 1946), 45º e 47º Presidente dos EUA.
² O VAR utilizado no futebol, é a sigla que significa: “Video Assistant Referee” - Árbitro Assistente de Vídeo.
³ Lamine Yamal Nasraoui Ebana (13 de julho de 2007) e Lionel Andrés Messi Cuccittini (24 de junho de 1987).
“Wonderwall, a voz das arquibancadas”
°°° ♪ A música “Wonderwall”, da banda de rock inglesa Oasis, formada em (1991) em Manchester, tornou-se o grande hino que impulsionou a seleção da Inglaterra durante a Copa do Mundo de (2026). A faixa clássica de (1995), virou a voz das arquibancadas e trilha sonora oficial das comemorações da equipe inglesa, no campo e vestiário, após cada vitória.
Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, pais e filhos muitas vezes são estilingues e passarinhos e esta crônica coloca isso à prova. 💬 Pai, o que é um aforismo? 💬 Meu filho, um aforismo é uma frase criada por um autor, jornalista, filósofo, pessoas que trabalham com o intelecto. 💬 É o tipo de frase que a mamãe diz: “Você quer apanhar, menino?” - quando eu faço bagunça? 💬 Não, meu filho, esse tipo de frase é hereditária, passado de geração em geração, pelas mães, para manter a ordem na casa. Mas é uma frase considerado de autor desconhecido. 💬 Se o autor é desconhecido, a mamãe pode tomar a autoria dessa frase para ela.(risos) 💬 Não seria má ideia, tendo em vista, que você, mocinho, faz sua mãe repetir essa frase diversas vezes por semana. (risos) 💬 E para que servem os aforismos, papai? 💬 Eles servem para enfatizar uma forma de pensamento, como: “Eles passarão... Eu passarinho!” 💬 E o que isso significa? 💬 O significado varia, meu filho, cada pessoa que lê pode interpretar de uma maneira diferente. Acredito que Mário Quintana, o autor desse aforismo, quis transmitir uma mensagem de resistência, esperança e leveza diante dos problemas ou das pessoas que tentaram o atrapalhar em algum momento da vida. 💬 E esse Mário já morreu? 💬 Sim, faz muito tempo. Ele faleceu na década de noventa. 💬 Se ele era um passarinho, com certeza morreu com uma estilingada! (risos) A mãe ao escutar tal tirada do filho, diz: 💬 Não seja cruel, Vinicius, você quer apanhar, menino?
No entanto, esta frase frequentemente repetida pelas mães é bem engraçada, afinal, que mãe em sã consciência acredita que um filho vá dizer: “Sim, mamãe, eu quero levar umas palmadas!” °°° [NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG] *A frase “Eles passarão... Eu passarinho!” - é o verso mais famoso do “Poeminho do Contra”, escrito por Mário de Miranda Quintana (30 de julho de 1906 - 5 de maio de 1994), poeta, tradutor e jornalista brasileiro, em 1978: “Todos esses que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão... eu passarinho!”
Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, relacionamentos amorosos são construídos sobre comportamentos românticos superestimados.Vamos aos fatos:
Casais adoram sair para comer e, não é incomum vermosalguns deles napenúria financeira disfarçada de gesto fofo, compartilhando tudo que comem,até o último pedaço do profiterole¹,aquela colherada perfeita que deveria ser tua, mas, que é sumariamente usurpada pelo teu amor, enquanto ela/ele diz: “Deixa eu provar só mais um pedacinho”. Isso não é amor; é um saque calórico consensual. Em outras palavras, um casal dividindo uma sobremesa não é prova de “quentinho no coração”... na verdade, é só falta de dinheiro para comprar dois profiteroles.
Continuando na conquista do par perfeito peloestômago, quem nunca decidiu fazer um piquenique no parque? Acho que todos nós já tivemos esta ideia,
que é ao mesmo tempo romântica e desastrosa. A literatura e o cinema
nos vendem a imagem de um casal sorridente, bebendo vinho espumante e
beliscando queijos, sanduíches, salgadinhos, etc..., sob o sol da tarde, tudo dentro deuma linda cesta de vime, sobre uma toalha xadrez vermelha... mas, a realidade nua e crua é outra...envolve
formigas subindo pelas pernas do casal, a grama pinicando lugares
inacessíveis, o espumante esquentando em copos de plástico e o vento
levando os queijos,sanduíches e salgadinhospara longe da toalha. Aí, uma pessoa se levanta para tentar salvar o lanchee, derruba o vinho na outra e, quando você finalmente consegue dar uma mordida no sanduícheque sobrou, sente a crocância das formigas misturada à maionese.
Se
formos puxar o fio desta meada de ilusões românticas, a lista de
fantasias amorosas não para por aí. Pense na clássica posição “dormir de
conchinha”. No reino dos ideais românticos, casal que não dorme assim, está vivendo errado.Mas, a realidade desta posição decúbito lateral duplo, nãorepresenta o auge da intimidade e do conforto... muito pelo contrário,na vida real, no dia a dia, após exatos dez minutos dormindo assim,
o braço que fica embaixo da outra pessoa perde totalmente a circulação,
chegando ao estado clínico de um membro morto. Você começa a ponderar
se é melhor acordar seu amor ou simplesmente amputar o braço ali mesmo.
Isso sem falar nos pés gelados sendo aquecidos entre as tuas pernas.
Para completar, há a batalha implacável, silenciosa e incansável pelo
controle do edredom durante a noite toda. O resultado: uma noite de sono
terrível e um hálito matinal, pior até do que a própria noite em claro,
bafo potente o suficiente para derrubar um rinoceronte.
E
quanto aos casais que tomam banho juntos, eles nunca vivenciam a cena
exatamente como nos filmes eróticos. Na realidade, não há sensualidade alguma em tomar banho juntos (de chuveiro);
após tentativas de contorcionismos circenses, com duas pessoas nuas se esforçando em fazer algo acontecer que não funcionaria nem mesmo em um
ambiente seco e espaçoso, duas pessoas constrangidas,finalizam oato, comuma pessoa ficando sob a água quente, enquanto a outra leva respingos e treme de frio, esperando a sua vez de se lavar.
No fim das contas, o amor verdadeiro não sobrevive por causa destes grandes clichês idealizados pelo romantismo social... ele
sobrevive apesar deles. Amar é, justamente, olhar para a outra pessoa
tremendo de frio no canto do box, com o braço dormente e a boca cheia de
formigas, e pensar: “Vamos lá...eu aguento mais um mês...”.
Assim
sendo, na vida amorosa, tudo gira em torno de beleza e paciência. Se as
coisas derem certo... BELEZA! Se não derem... PACIÊNCIA!
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O profiterole é uma sobremesa clássica de origem franco-italiana, feita com uma massa leve e oca chamada “pâte à choux”, tradicionalmente recheada com sorvete de baunilha ou creme e servida com uma calda quente de chocolate.
Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, o futebol é apenas um jogo certo?... Errado! Em outros tempos era assim, mas, atualmente o futebol é um negócio... e um negócio muito lucrativo. E assim, acabou melancolicamente para nós brasileiros a Copa das chuteiras cor-de-rosa,onde a Nike pagou uma verdadeirafortuna para que aschuteiras “pink” substituíssem as tradicionais pretas.
Os torcedores brasileiros vivem em uma espécie de distorção temporal histórica permanente. Enquanto o futebol mundial avança (impulsionado por táticas cirúrgicas, imensa intensidade física e um trabalho de observação técnica - scout), baseado na ciência, nós continuamos a viver das glórias de triunfos passados que, para toda uma geração de torcedores, existem apenas no YouTube ou nas histórias contadas pelos torcedores mais velhos.
Precisamos parar urgentemente de romantizar as conquistas das seleções do passado; parar de bater no peito e gritar: “Somos pentacampeões mundiais!” - isso não é sinal de orgulho, só se tornou numa forma de consolo coletivo. Aquelas cinco estrelas acima do escudo são a nossa defesa contra a mediocridade do presente.
O problema é que o escudo é feito de linha de costura e memórias... e nada disso vencerá Copas do Mundo. As memórias do emblema não entram em campo, não fazem pressão alta, não batem faltas,laterais e escanteios, nem convertem e defendem pênaltis. As cinco estrelas bordadas na camisa “Canarinho” carregam um peso enorme, mas, só têm o poder de intimidar os adversários atualmente por, no máximo, quinze minutos. Depois disso, o oponente se ajusta ao jogo; o respeito permanece, porém, o medo da camisa amarela se dissipa, pois, vitórias são conquistadas em campo, não no levantar de taças de outrora. Então, o apito final soa e acumulamos mais uma eliminação em Copas do Mundo, prolongando um jejum de títulos que agora dura 28 anos.
Esta nostalgia tóxica nos cega de duas maneiras. Primeiro, ela gera uma arrogância infundada, pois, entramos em competições acreditando que a vitória é um direito divino do Brasil, e não o resultado de trabalho duro, tática e suor em campo. Quando ocorre a inevitável queda diante de equipes europeias taticamente disciplinadas, como tem acontecido consistentemente nas últimas duas décadas, o choque é enorme, por que, nos recusamos a aceitar que o romântico “futebol-arte” da década de (1970 - vitorioso) ou de (1982 - derrotado), já não basta para vencer no século XXI. Em segundo lugar, o saudosismosufoca o presente ao impor um fardo desumano aos jogadores de hoje, exigindo que cada novo atacante seja o próximo Pelé, Garrincha, Ronaldo Fenômeno, Romário, etc... - Portanto, exigir apenas “amor à camisa” e garra, como se os problemas que assolam o nosso futebol fossem puramente uma questão de força de vontade, é um erro. A falta de organização, sobretudo extracampo, manifesta-se de forma gritante na corrupção dentro da CBF - Confederação Brasileira de Futebol, o que inevitavelmente afeta os jogadores. E no fim, são os torcedores quem pagam a conta, ficando mais uma vez com falsas esperanças, com ruas pintadas, álbuns de figurinhas incompletos e camisas que outra vez não viram a sexta estrela ser bordada.
A história da camisa “amarelinha” brasileira hoje se transformou em lenda, ainda temos a mais bela história do futebol mundial; disso ninguém duvida. No entanto, enquanto Pelé e Garrincha jogavam com maestria chutando e cabeceando bolas de couro que perdiam a forma no decorrer da partida, as gerações atuais reclamam das modernas bolas de alta tecnologia. O problema, porém, não é a bola, é a capacidade limitada de quem chuta e cabeceia a “redondinha”. E outra, simplesmente colocar um técnico estrangeiro à beira do campo de paletó e gravata(mascando chicletes), não nos levará, por si só, a conquistar outra Copa do Mundo. Moldamos a forma como o planeta vê o futebol, mas, o fizemos da pior maneira possível. Já não somos mais contadores de histórias; estamos apenas nos apegando a triunfos do passado... conquistas que deveriam servir de inspiração, não de muleta. Se o Brasil quiser voltar a ser protagonista e buscar o hexa, o primeiro passo é descer de seu pedestal histórico. Isso significa olhar no espelho, reconhecer que o topo hoje pertence a quem melhor planeja. Precisamos entender, de uma vez por todas que a tradição ajuda a explicar de onde viemos, mas, não ganha jogos sozinha.
Precisamos parar com esta conversa de: “Se tivéssemos um jogador como o Pelé de novo...” — que eu saiba, o Sá jogou no Uruguai, Si e Su jogaram na Coreia e So jogou no Japão. Mas, o “SE” nunca jogou futebol.
Não desaprendemos a jogar futebol; simplesmente deixamos de compreender sua dinâmica... uma dinâmica reativaque japoneses, noruegueses e até mesmo osnorte-americanos, que nem gostam de futebol (eles chamam de Soccer), aprenderam a dominar com disciplina e dedicação.Mas, não perdemos as últimas seis Copas do Mundo para nenhuma destas seleções ou para outras; perdemos as últimas Copas do Mundo para nós mesmos.
A Copa do Mundo de (2030), será realizada em seis países de três continentes: Espanha, Portugal e Marrocos, que atuarão como sedes principais, enquanto Uruguai, Argentina e Paraguai receberão as partidas de abertura para celebrar o centenário do torneio. Assim sendo: até (2030)... hexa brasileiro! °°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
* Arte inicial ®DOUG BLOG: Erling Braut Haaland (21 de julho de 2000), jogador de futebol nascido no Reino Unido, mas, que defende a seleção norueguesa e Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior - Vini Jr. (12 de julho de 2000), jogador de futebol brasileiro.
¹ Edson Arantes do Nascimento - Pelé (23 de outubro de 1940 - 29 de dezembro de 2022); Manoel Francisco dos Santos - Mané Garrincha (28 de outubro de 1933 - 20 de janeiro de 1983); Ronaldo Luís Nazário de Lima - Ronaldo Fenômen (18 de setembro de 1976) e Romário de Souza Faria (29 de janeiro de 1966).
⚽5 de julho de 2026⚽ Apita o árbitro... final do jogo! A Noruega vence o Brasil por 2 a 1... e o Brasil está eliminado da Copa do Mundo.
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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].