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sábado, 24 de maio de 2025

“Kintsugi”


Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, vamos continuar falando de Japão. Nesta postagem abordarei a arte de “abraçar nossas imperfeições”. 

Kintsugi (金継ぎ), também conhecido como Kintsukuroi, é uma técnica japonesa de restauração de cerâmica quebrada, na qual as peças são remendadas com cola/laca, geralmente misturada com pó de ouro, prata ou platina, deixando as rachaduras visíveis e valorizando-as como parte da história do objeto. Além de ser uma técnica, Kintsugi também representa uma filosofia de vida, que valoriza a imperfeição, celebrando a beleza que surge das cicatrizes e da transformação.

Kintsugi (金 kin = ouro | 継ぎ tsugi = emenda), significa literalmente emendar com ouro, sendo uma técnica oriental surgida no século XV, que revitaliza um objeto trincado, geralmente de cerâmica, deixando suas rachaduras em destaque, tornando o objeto ainda mais especial e único, pois, nesta técnica, nenhum objeto fica igual.

Na Filosofia, o significado de Kintsugi é mais do que uma técnica de reparação; é uma celebração da imperfeição e da beleza do que antes era considerado feio. É a valorização das cicatrizes das peças e das pessoas, podendo ser aplicado à vida, incentivando a aceitação dos erros e da dor, sendo o embate entre as dificuldades e a resiliência na busca por uma nova perspectiva.

O kintsugi pode ser uma forma inspiradora de aprender a encontrar beleza na “ressurreição artística”. Na cultura japonesa, uma peça restaurada com esta técnica torna-se muito mais valiosa justamente pelas belas “cicatrizes douradas” que ficam evidentes no corpo da peça.



domingo, 15 de setembro de 2024

“A Semente Somos Nós”

Bem meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, quando residi e trabalhei no Japão, das muitas coisas que aprendi, é que quando migramos para uma outra terra, indo viver em outra cultura, com idioma, gastronomia e costumes diferentes, somos uma espécie de semente e assim começamos uma outra vida.

Porém, dizem que existe apenas uma vida para cada um de nós, que somos sementes de uma existência meramente passageira e no fim, saciaremos o “cio da terra”

Mas, na realidade não existe apenas uma vida. E não estou referindo-me a doutrinas espirituais e sim, ao fato de que vivemos várias vidas ao longo de nossa jornada. Nascemos dentro de outra pessoa, somos crianças, nos tornamos adolescentes, estudamos em vários níveis de ensino, trabalhamos, praticamos esportes, mantemos hobbies e coleções, namoramos, ficamos noivos, nos casamos, nos tornamos pais, avós, ficamos viúvos, nos casamos novamente, adoecemos, nos curamos, envelhecemos... São tantas vidas em uma só vida.

Nesta minha jornada de quatro anos em Tokyo, fiz literalmente isso que penso: deixei uma semente plantada, pois, cultivei no Parque Ueno, mais conhecido por ser também o Jardim Zoológico de Ueno, uma pequena muda de Pau-brasil¹.

A vida é complexa e múltipla e, é maravilhoso encontrar tudo isso nos detalhes, nas diferenças e até nos absurdos da vida. Entendemos pouco sobre preservação do nosso Planeta e queremos explorar o Universo. A diferença está nas despedidas e chegadas; pois, não existe coincidência ao dizer boa viagem a um jornalista que vai para Tokyo, ou a um astronauta que vai para uma agência espacial, somos todos sementes da mesma viagem.

Assim sendo, a semente na verdade somos nós, pois a muda de Pau-brasil já está crescida, porém, sempre recebo notícias da minha árvore plantada por meio de amigos que fiz e lá deixei, sendo estas amizades as verdadeiras sementes plantadas.

°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O Pau-brasil ou Pau-de-pernambuco, que também pode ser denominado de: Arabutã, Ibirapiranga, Ibirapitá, Ibirapitanga, Orabutã, Pau-de-tinta, e Pau-rosado, é uma árvore leguminosa nativa da Mata Atlântica brasileira. Esta árvore pode atingir até 15 metros de altura, possui copa arredondada e tronco tortuoso com cerca de 40 a 60 centímetros de diâmetro.



“A semente somos nós”
Ruy Barbosa 🌱 Ivone 🌱 Larissa 🌱 Isabel 🌱 Jossara 
Olga 🌱 Vilma 🌱 Joanna 🌱 Gracinha 🌱 Lucinalva
Teresa 🌱 Agnes 🌱 Theodosia 🌱 Pedro Luso 🌱 Lúcia
Graça 🌱 Marli 🌱 Pedro 🌱 Belinha 🌱 Tomás
Amalia 🌱 Ane 🌱 Valdelice 🌱 Carmen Silza 🌱 São
Maria  Lobos 🌱 Mila 🌱 Beatriz 🌱 Carolina
Carmen Cardeñosa 🌱 Judit 🌱 Irina 🌱 Serena 🌱 Juan
Chica 🌱 Olinda 🌱 Beto 🌱 Ester 🌱 Ellie
Alécio 🌱 Liz 🌱 Gracita 🌱 Taís 🌱 Andrea

“O  Cio da Terra”  [TV Globo - 1987] —  
Milton Nascimento e Pena Branca & Xavantinho
* Percussão: Robertinho Silva
 
♫Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar do pão.

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel.

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão.

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar do pão.

Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel.

Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão
E fecundar o chão
E fecundar o chão
E fecundar o chão
E fecundar o chão
E fecundar o chão.♫
°°°
“O  Cio da Terra”, é uma canção de (1977), de  Milton Silva Campos do Nascimento (26 de outubro de 1942) e Francisco Buarque de Hollanda - Chico Buarque, que fez muito sucesso também na voz da dupla, os irmãos: Pena Branca & Xavantinho - José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca (4 de setembro de 1939 - 8 de fevereiro de 2010), e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho (26 de dezembro de 1942 - 8 de outubro de 1999). * Roberto da Silva - Robertinho Silva (1° de junho de 1941), é baterista e percussionista brasileiro.

sábado, 24 de julho de 2021

“Hachikō: Cão Fiel do Japão”

Que Mundo maluco é este que estamos vivendo, meu Deus? Até os Jogos Olímpicos de Tokyo 2020, acontecem (no final de julho e começo de agosto de 2021) - tudo por decorrência da pandemia que convive entre nós, fazem quase dois anos. A pergunta que deve ser feita é: deveriam estar acontecendo estes Jogos Olímpicos, ainda em período pandêmico? Mesmo assim, vou aproveitar a Olimpíada, que acontece no Japão, um País incrível, onde vivi alguns anos, (mesmo ocorrendo abalos sísmicos), para trazer a história de um personagem muito conhecido na Terra do Sol Nascente, o cão Hachikō - em japonês: ハチ公, conhecido como cão fiel Hachikō - 忠犬ハチ公 (10 de novembro de 1923 - 8 de março de 1935).
   
Hachikō foi um cachorro da raça Akita, animal muito leal ao seu dono, que perdurou até mesmo após a morte dele.
   
Todos os anos,  no dia (8 de março), que é além de ser a data de meu aniversário e Dia Internacional da  Mulher, é também dia de uma cerimônia solene na Estação de trem Shibuya, em homenagem à história do cão e seu dono.
   
Em (1924), Hachikō chegou em Tokyo com Hidesaburō Ueno, um professor do Departamento de Agricultura da Universidade de Tokyo. O cão sempre acompanhava Ueno, desde a porta de casa, até à estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos dois, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos de noite, impressionava profundamente todos os transeuntes. A rotina continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde, o professor não retornou em seu usual trem, como de costume. Assim, a vida feliz de Hachikō sendo o fiel animal de estimação do professor Ueno, foi interrompida apenas um ano e quatro meses depois de seu início, pois, o professor Hidesaburō Ueno sofreu um derrame súbito no dia (21 de maio de 1925), durante uma reunião do corpo docente e morreu e obviamente, nunca mais retornou à estação onde seu cão sempre o esperava.
   
A história diz que, na noite do velório (na casa do professor), Hachikō, que estava no jardim, quebrou uma das portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala, onde o corpo estava sendo velado, passando à noite toda deitado ao lado de Ueno, recusando-se a sair de perto do caixão. Outro relato diz, que quando chegou a hora de colocar vários objetos pessoais do falecido no caixão, junto ao corpo (tradição japonesa), Hachikō pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.
   
Depois do enterro de Ueno, Hachikō foi enviado para viver com parentes do professor, que moravam em Asakusa, no leste de Tokyo. Mas, ele fugiu várias vezes e voltava para a antiga casa, em Shibuya. Quando um ano se passou, ele ainda não havia se acostumado à sua nova casa e assim, foi dado ao ex-jardineiro do professor Ueno, que conhecia o cão desde que ele era um filhote. Mas Hachikō continuou fugindo várias vezes também do seu novo lar. Ao perceber que seu antigo dono já não morava na casa em Shibuya, Hachikō ia todos os dias à estação de trem, da mesma forma como ele sempre fazia, esperando que ele voltasse para casa. Todo dia ele ia e procurava o professor entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. Hachikō fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros.
   
A figura permanente do cão à espera de seu dono, atraiu a atenção de alguns transeuntes, muitos deles, frequentadores da Estação de Shibuya, que já haviam visto Hachikō e o professor Hidesaburō Ueno, indo e vindo diariamente. Percebendo que o cão esperava em vão a volta de seu amigo, muitos ficaram tocados e passaram, então, a trazer água e comida para aliviar sua vigília. Por quase dez anos contínuos Hachikō aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do trem na estação, na esperança de reencontrar-se com seu dono.
    
A fama repentina de Hachikō fez pouca diferença na sua vida, pois, ele continuou exatamente da mesma maneira como antes. Todo dia, ele partia para à Estação de Shibuya e, esperava lá pelo professor Hidesaburō Ueno. Em (1929), Hachikō contraiu um caso grave de sarna, que quase o matou. Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com feridas das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se levantava mais, apresentando uma aparência miserável, não parecendo mais com o cão de raça e pulcro que tinha sido ao lado de Ueno, sendo confundido com qualquer cão mestiço de rua.
   
Com Hachikō envelhecendo e tornando-se muito fraco, acabou sofrendo de dirofilariose, um verme que ataca o coração do cão. Assim, na madrugada de (8 de março de 1935), com idade de 11 anos, ele deu seu último suspiro, em uma rua lateral à Estação de Shibuya. A duração total de tempo que ele tinha esperado, saudoso de seu dono, foi de nove anos e dez meses. A morte de Hachikō estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses e muitas pessoas, ficaram inconsoláveis com a notícia de seu óbito, com o governo local decretando um dia de luto oficial.
   
Os ossos de Hachikō foram enterrados em um canto da sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tokyo, para que ele finalmente se reencontrasse com o amigo, qual havia procurado e esperado por tantos anos. Sua pele foi preservada e uma figura empalhada do cão pode ainda ser vista no Museu Nacional de Ciências Japonesas.
    
Em (21 de abril de 1934), uma estátua de bronze de Hachikō, foi esculpida pelo renomado escultor Tern Ando (18 de abril de 1849 - 17 de outubro de 1952), sendo erguida em frente ao portão de bilheteria da Estação de Shibuya, com um poema gravado em uma placa, intitulado: Linhas para um cão leal. A cerimônia de inauguração foi uma grande ocasião, com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão de pessoas. A fama de Hachikō se espalhou em todo o Japão, fazendo a raça Akita passar a ser a preferida no País.
   
Porém, como quase tudo na vida acaba sendo utilizado de maneira errada, anos mais tarde, a figura e lenda de Hachikō foi distorcida e usada como símbolo de lealdade ao Estado, aparecendo em propagandas que difundiam o fanatismo nacionalista que acabaram levando o Japão à Segunda Guerra Sino-Japonesa, no final da década de (1930) e também à Segunda Guerra Mundial. Lamentavelmente, a primeira estátua foi removida e derretida para fazer armamentos durante o período de guerra, em (abril de 1944). No entanto, em (1948), uma réplica foi feita por Takeshi Ando (1° de novembro de 1942), filho do escultor original da obra, sendo reintegrada no mesmo lugar da anterior e hoje, a nova estátua do cão, é um ponto de encontro extremamente popular na Estação de Shibuya.
    
Em (1987), no filme japonês: “Hachikō Monogatari - ハチ公物語 - O Conto de Hachiko”, foi lançado e contava a história do famoso cachorro e seu amigo professor. Uma refilmagem americana foi feita em (2009), intitulada de: “Hachikō: A Dog’s Story - no Brasil: Sempre ao Seu Lado”, onde o ator Richard Gere (31 de agosto de 1949), interpretou o professor Hidesaburō Ueno, ajudando a popularizar a história do famoso e bondoso cão, também no ocidente.
   
Em (8 de março de 2021), completaram-se 86 anos desde que Hachikō se foi, mas, em (2015), nos 80 anos de sua morte, os alunos da Faculdade de Agricultura da Universidade de Tokyo, mandaram esculpir mais uma estátua para homenageá-lo, desta vez a escultura retrata o reencontro de Hachikō com seu dono. Esta nova estátua, está no Campus da “Universidade de Tokyo e os recursos para a produção, foram obtidos por doações.

 

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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.