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Meus amigos e amigas (não robôs), do ®DOUG BLOG, a percepção de que as plataformas de Redes Sociais são “cidades fantasma” não está longe de ser verdade e, toca em um ponto real e amplamente debatido na cultura digital: embora bots (robôs) e contas inautênticas não representem a totalidade da Internet, eles constituem uma parcela enorme do ecossistema das Redes Sociais, e existe uma clara complacência coletiva em querer acreditar que este problema é menor do que apresenta ser.
Auditorias de dados cibernéticos, indicam que uma grande proporção de influenciadores digitais de renome é diretamente afetada por seguidores imaginários, com números impressionantes que chegam a quase 60%, no caso da empresa Meta Platforms (que detêm usuários com mais de um milhão de seguidores).
Usuários comuns e criadores de conteúdo buscam reconhecimento social e validação por estatísticas; ao fazerem isso, alimentam um mercado ativo de pacotes de automação, curtidas e comentários gerados por empresas de bots. Quanto mais seguidores alguém tem, maior a monetização. Consequentemente, na mente destes “profissionais da web”, vale a pena investir na compra de “seguidores fantasma”, pois, isso lhes permite monetizar mais e adquirir ainda mais “amigos seguidores robôs”. E assim, pouco se importam com o fato de que Mark Zuckerberg estar enfrentando processos judiciais por má conduta e pela monopolização indevida de sua empresa e seus “tentáculos”.
No Brasil, as atividades de Startups que vendem bots, os quais fornecem seguidores e engajamento artificial por meio de sistemas automatizados (“seguidores fantasma”), não são tipificadas como crime específico no Código Penal; no entanto, são consideradas infrações de natureza civil e comercial. Contudo, até mesmo o Judiciário brasileiro faz vista grossa, deixando de proibir expressamente as operações destas empresas ou de impor sanções que vão além de simples multas, uma vez que este mercado gera receitas vultosas, tornando vantajoso para as Startups pagar estas multas judiciais quando elas ocorrem. Entre os pares destes tribunais, há muitos usuários de Redes Sociais com milhões de seguidores, milhares dos quais são, sem dúvida, “seguidores fantasma” (bots comprados). Assim, punir empresas deste setor equivaleria acariciar com a mão direita da justiça, enquanto se atiraria pedras com a esquerda.
Mesmo sabendo que parte da audiência das Redes Sociais é falsa, o cérebro humano prefere aceitar o número inflado a encarar a irrelevância estatística. Perfis com grandes números de seguidores (mesmo aqueles compostos por bots), atraem milhares de humanos reais, que presumem que a conta é relevante simplesmente pelo seu tamanho.
Este cenário alimenta uma teoria da conspiração genuína da era digital, conhecida como “Teoria da Internet Morta” (“Dead Internet Theory”). Esta teoria sugere que a maior parte do conteúdo, das interações e das postagens na Web não é mais gerada por humanos, mas sim, por I.A. (Inteligência Artificial) e bots que interagem entre si para simular atividade e captar a atenção de pessoas reais. Neste panorama, em que ninguém está realmente conversando com ninguém, os anunciantes também são enganados, pois, seus produtos e serviços são exibidos em milhões de páginas operadas por bots que não consomem nada além da nossa paciência.
Para identificar este comportamento automatizado no dia a dia, analistas de dados recomendam observar padrões que fogem aos dos humanos: contas com 500 mil seguidores, por exemplo, que geram apenas 10 ou 15 curtidas por foto; o uso excessivo de emojis ou frases repetitivas e desconexas (como: “Incrível!” e “Top!”), em postagens que exigiriam respostas mais elaboradas; e seguidores que não possuem foto de perfil nem postagens originais, mas, seguem milhares de pessoas, embora tenham um número ínfimo de seguidores.
As Deepfakes,² este mecanismo de criação de usuários falsos com conteúdo impressionantemente próximo da realidade, é outra “fábrica de seguidores” que alimenta egos inflados. Seguir perfis falsos, ilustra bem como a Internet e sua exploração intensiva do vazio cultural, presente nas Redes Sociais, fomenta uma profunda alienação social em vez de uma conexão genuína, indo na contramão da própria essência que a “rede” sugere... ser social. Em meio à superficialidade, à perda de privacidade e à natureza espetacularizada da vida em bolhas, fatores que levam muitos a sentir que nossa existência cotidiana perdeu a autenticidade e que permanecemos aprisionados na engrenagem de engajamento artificial do mundo digital, que tritura impiedosamente os próprios egos construídos por “amigos e seguidores robôs”.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Stories são publicações em formato de foto ou vídeo curto que somem após 24 horas. Criados inicialmente pelo Snapchat e popularizados pelo Instagram Stories, o recurso é usado para mostrar momentos do dia a dia, bastidores e conteúdos interativos para os seguidores.
² Deepfake, é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com a ajuda de I.A. - Inteligência Artificial. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa em cena pode ser trocado pelo de outra; ou o que a pessoa diz pode ser modificado, usando a voz original da pessoa que é dublada pela I.A.
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
Bender Bending Rodriguez é um personagem robótico da série de televisão animada Futurama, criada pelo cartunista americano Matthew “Matt” Abram Groening (15 de fevereiro de 1954) e pelo roteirista americano David Samuel Cohen, mais conhecido como David X. Cohen (13 de julho de 1966).
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