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domingo, 2 de agosto de 2026

“Lugar de Homem é na Cozinha”

Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, muitos homens sabem cozinhar por habilidade, enquanto outros se veem forçados pela necessidade a lidar com talheres e panelas. Alguns são profissionais (chefs), outros são supérstites.¹

A cozinha tem uma forma curiosa de revelar quem somos, geralmente dividindo os homens que cruzam seu portal em duas castas bem distintas: os que entram por vocação e os que entram por sobrevivência.

De um lado do balcão, temos o cozinheiro por habilidade profissional. Para ele, a cozinha não é um cômodo; é um templo, um palco, um laboratório de alquimia. Este homem planeja o cardápio da semana com esmero. Ele conhece a diferença entre um corte julienne e brunoise,² ostenta facas que cortam o vento e trata uma panela de ferro fundido com o zelo de quem cuida de um recém-nascido. Quando ele pilota o fogão, há uma coreografia: o avental é impecável, o vinho já está no decanter³ para ser servido nas taças corretas... e o molho reduz em fogo brando, enquanto ele discursa sobre a importância do tempo de cura do queijo Camembert. Cozinhar, para este homem, é um ato de sedução, de vaidade e de puro prazer. Ele quer os aplausos, os elogios sussurrados entre garfadas, a validação de que domina o fogo e os sabores diante de sua plateia: seus convidados para jantar.

E entre estes convidados, está espremido entre a pia e a geladeira, o cozinheiro por necessidade. Os caprichos da vida o empurraram para a beira do fogão... seja um divórcio, a mudança para estudar fora e ter de morar sozinho, a independência recém-adquirida ou simplesmente o custo proibitivo dos aplicativos de entrega (delivery). Ele não tem vontade de criar nada; quer apenas saciar sua fome com arroz, ovos, pão, linguiça e macarrão instantâneo. Ele não faz reduções de molho; em vez disso, compra sachês prontos, aquece-os e mistura tudo diretamente no “Miojo”. Os utensílios que utiliza são sobreviventes da época em que morava com os pais: uma frigideira com o revestimento antiaderente descascando (teflon), uma panela de pressão que exige ajuste da borracha de vedação antes de cada uso e uma colher de pau com um lascado na ponta. Para ele, a cebola não é picada ritmicamente com facas bem afiadas; ele destroça a cebola com uma “faquinha cega”, enquanto chora lágrimas de puro arrependimento por não ter comprado além do sachê de molho de tomate, também o tempero pronto. Seu maior triunfo não é arrancar elogios de uma plateia exigente (aliás, ele nem convida ninguém para comer sua gororoba), ele apenas pretende conseguir transformar duas salsichas, um resto de extrato de tomate, duas fatias de de muçarela e um pão amanhecido, em algo digno de ser engolido sem que a azia o desperte às três da manhã.

O irônico é que, na intimidade do prato feito, a fome não faz distinção de classe culinária. O estômago ignora se o risoto levou quarenta minutos de caldo de legumes artesanal ou se o arroz com ovo foi o ápice do malabarismo de fim de mês. Como minha saudosa vó Lurdes sempre dizia com muita propriedade: “A fome é o melhor tempero!” - um famoso provérbio popular atribuído ao filósofo, político e advogado romano: Marco Túlio Cícero (3 de janeiro de 106 a.C. - 7 de dezembro de 43 a.C.).

A mágica da cozinha é que ela é um território mutável. Não raramente, o homem que começou queimando o alho por pura obrigação, com o tempo, pega o jeito da coisa. O primeiro feijão que dá certo traz um orgulho inesperado. O molho que engrossa no ponto certo desperta uma faísca. E assim, entre um erro e um acerto forçado, o cozinheiro da necessidade percebe que vai domesticando as panelas. Ele limpa o suor da testa, olha para o prato simples que acabou de criar e, pela primeira vez, sorri antes da primeira garfada... descobrindo, enfim, que a necessidade também sabe parir o talento.

O cerne da questão é, que eu aprendi a amar tanto comer quanto cozinhar, graças à minha saudosa vó Lourdes e à minha mãe Neuza, naturais de Minas Gerais, o estado brasileiro com a melhor culinária que conheço. 

Porém, embora as mulheres ainda administrem 96% das cozinhas domésticas no Mundo e constituam a base do preparo de alimentos, elas chefiam apenas 7% das cozinhas profissionais. A alta gastronomia tem sido historicamente dominada por homens, devido a estruturas de poder social, desigualdade de oportunidades e maior visibilidade na mídia. Historicamente, o preparo de banquetes nas cortes europeias e a literatura sobre a alta gastronomia eram domínios masculinos. E nas cozinhas profissionais modernas dos grandes chefs, esta disparidade é ainda mais acentuada.
°°°

[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹
Supérstite significa sobrevivente. É um termo do latim (superstite). O termo é bastante usado no meio jurídico e burocrático (especialmente em inventários e partilhas).


² Na gastronomia, Julienne são tiras finas (cerca de 2 a 3 mm de espessura), enquanto Brunoise são cubos minúsculos derivados dessas tiras (cerca de 2 a 3 mm de lado). Embora sejam mais aplicados a vegetais, carnes também podem ser cortadas assim para recheios ou cozimento rápido.


³ Um decanter (ou decantador de vinho), é um recipiente de vidro ou cristal com base larga e gargalo estreito, utilizado para acomodar o vinho após a abertura da garrafa; ele permite que o líquido repouse, separando sedimentos e possibilitando a oxigenação, liberando os aromas do vinho antes de servi-lo.


⁴ O Camembert é um queijo francês de maturação superficial. Ele passa por um processo de “cura” promovido por fungos benéficos (Penicillium Camemberti), que formam sua casca branca aveludada e criam sua textura cremosa de dentro para fora.


⁵ Oficialmente, a palavra MUÇARELA deve ser escrita com “Ç”. Esta é a grafia registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. No entanto, no uso cotidiano, em cardápios e embalagens, a forma MUSSARELA (com “SS”), é a mais popular (coloquial) e amplamente aceita no comércio. Além disso, a forma MOZZARELLA (com “Z”), também está correta. Em outras palavras, a forma usada no dia a dia é a única que está incorreta.

 

 

domingo, 26 de julho de 2026

“Fim de Festa — O Último Tango de Lionel Messi”

Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, será a Copa do Mundo o maior exercício de faz de conta coletivo que a humanidade já criou?... ou trata-se de uma emoção genuína compartilhada por nações diversas, onde por algumas horas, o futebol transforma estranhos em amigos?

A Copa do Mundo é um pacto de paz temporário, selado com cerveja a preço de Champagne, pintura facial, perucas engraçadas e gritos de guerra iguais a remada viking, RÖ!”, da torcida norueguesa. Uma utopia com data de validade impressa no ingresso.

Vamos começar pelo aspecto econômico da Copa do Mundo: os preços exorbitantes dos ingressos fizeram desta a edição mais cara da história do torneio. A estratégia da FIFA de transformar a Copa em um show, somada aos custos de viagem e hospedagem na América do Norte, transformou o evento em um produto para a elite, deixando a classe trabalhadora praticamente fora dos estádios... e isso tratando-se de um esporte que sempre foi um lazer popular.

Quarenta e oito países cruzaram seus caminhos durante a Copa do Mundo, que durou 39 dias (de 11 de junho a 19 de julho de 2026) - o dia em que a Espanha conquistou sua segunda estrela, empregando um estilo eficiente de passes curtos e posse de bola (conhecido como: “tiki-taka”). A seleção espanhola também se mostrou sólida na defesa, sofrendo apenas um gol em oito partidas, terminando invicta, com um total de 7 vitórias e 1 empate, encerrando assim a festa da Argentina e marcando o “último tango de Lionel Messi”. Tudo saindo conforme o não planejado por Messi.

Nas arquibancadas, nações confraternizavam pacificamente em meio a um Mundo em guerra. Quem dera a vida realmente imitasse a arte... é maravilhoso deixar-nos levar por tal ilusão. E, na final, em mais uma reviravolta lamentável da FIFA, coube a Donald Trump¹ entregar o troféu à seleção espanhola, invadindo, literalmente, a foto no pódio dos campeões, ficando de “papagaio de pirata”. Mais uma quebra de protocolo da relutância de Trump em ceder o momento aos vencedores.

Seguindo falando de vaidades, agora de dois jogadores de futebol nascidos em (5 de fevereiro), me parece que a megalomania do interminável CR7 - Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro (5 de fevereiro de 1985), o leva a pensar que o “cristianismo” consiste nas pessoas que o seguem nas redes sociais. Atualmente, sobra-lhe vaidade e falta-lhe futebol; quanto ao nosso Neymar da Silva Santos Júnior (5 de fevereiro de 1992), ele não serviu nem para cair no gramado durante esta Copa do Mundo. Atualmente, Neymar Jr. é jogador profissional de Poker... então, que vá para a “casa do BARALHO!”

Mas porque, gostamos tanto o futebol? É porque, a centelha do frenesi coletivo de uma partida da Copa do Mundo acende-se na catraca. O torcedor, carregando o peso de um passaporte que o Mundo insiste em escrutinar, escaneia o código de barras e cruza uma fronteira invisível. Lá dentro, o protocolo geopolítico implode... um homem agitando a bandeira da Palestina divide um pacote de pipoca com um sujeito de camisa azul e branca. Duas cadeiras adiante, um ucraniano e um russo fingem que o único território em disputa são os trinta centímetros quadrados do degrau de concreto... e nem a Rússia nem a Ucrânia sequer se classificaram para a 23ª Copa do Mundo.

Durante noventa minutos mais acréscimos, o planeta suspende a incredulidade. Olhamos para o gramado verdinho e aceitamos a mentira mais bonita da terra: a de que os conflitos humanos podem ser resolvidos com uma bola de couro e dois exércitos de onze soldados, duas etapas regulamentares e um trio de arbitragem contestável aliado ao VAR². Queremos desesperadamente acreditar que aquela guerra é apenas um jogo com regras claras, onde o pior que pode acontecer é um gol de pênalti ou uma eliminação dolorosa na fase de grupos.

Nas arquibancadas, o Mundo exterior, marcado por feridas reais das guerras, encontra um alívio artificial. O ódio é despejado sobre os assistentes de arbitragem (bandeirinhas), que, graças aos avanços tecnológicos, marcam impedimentos com base em meros fios de cabelo cruzando a linha limite da regra, enquanto a intolerância dá lugar à ansiedade compartilhada de uma cobrança de escanteio aos 48 minutos, nos acréscimos do tempo de jogo do segundo tempo.

Quando o árbitro apita o fim da partida, o feitiço começa a quebrar. A multidão escoa pelos portões, a realidade volta a cobrar o seu preço e as notificações de bombardeios da violência bélica piscam novamente nas telas dos Smartphones. Mas, por algumas semanas, quarenta e oito nações insistiram em nos dar o direito à ilusão. E, no fundo, a gente sabe que só suporta a crueza dos dias porque, de vez em quando, a arte nos deixa esquecer quem realmente somos.

A Copa do Mundo de (2026), sediada por Canadá, EUA e México, marcou a descoberta de muitos jovens talentos promissores do futebol, bem como a despedida de inúmeras superestrelas, incluindo os protagonistas da final: o jovem espanhol Lamine Yamal³ e o veterano argentino Lionel Messi³. O camisa 10 argentino foi superado em campo, mas, não derrotado no mundo do futebol, onde dançou seu “último tango em New Jersey”. 

Em (2007) Messi e Yamal viveram juntos algo que só os deuses do futebol conseguem explicar. Quase duas décadas antes de se enfrentarem na final de Copa do Mundo, ambos protagonizaram um encontro que se transformou em uma das imagens mais marcantes da história do futebol. Algumas fotos foram tiradas durante um ensaio beneficente organizado pelo jornal catalão Diari Sport em parceria com a UNICEF. Na época, Messi tinha apenas 20 anos e despontava como uma das grandes promessas do Barcelona. Já Lamine Yamal era um bebê de poucos meses, escolhido por sorteio para participar da campanha solidária ao lado da família, onde Yamal aparece literalmente na banheira, sem estar em posição de impedimento, sendo ele quem atualmente veste a camisa da vitoriosa equipe catalã.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]

¹ Donald John Trump (14 de junho de 1946), 45º e 47º Presidente dos EUA.

² O VAR utilizado no futebol, é a sigla que significa: “Video Assistant Referee” - Árbitro Assistente de Vídeo.

³ Lamine Yamal Nasraoui Ebana (13 de julho de 2007) e Lionel Andrés Messi Cuccittini (24 de junho de 1987).

 

 
 
 “Wonderwall, a voz das arquibancadas
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♪ A música “Wonderwall”, da banda de rock inglesa Oasis, formada em (1991) em Manchester, tornou-se o grande hino que impulsionou a seleção da Inglaterra durante a Copa do Mundo de (2026). A faixa clássica de (1995), virou a voz das arquibancadas e trilha sonora oficial das comemorações da equipe inglesa, no campo e vestiário, após cada vitória.

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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.