Meus amigos e amigas do ®Doug Blog, muitas pessoas consideram a história de “Le Petit Prince - O Pequeno Príncipe”, uma narrativa lúdica e fascinante, tanto é assim, que, durante décadas, foi o livro mencionado por todas as candidatas nos concursos de Miss Universo.
Porém, na realidade é uma narrativa bastante sexista, onde a Rosa¹ é a representação de Consuelo, Viscondessa de Saint-Exupéry - nascida, Consuelo Suncín de Sandoval (10 de abril de 1901 – 28 de maio de 1979), esposa salvadorenha do escritor e ilustrador francês Antoine de Saint-Exupéry (29 de junho de 1900 - 31 de julho de 1944), que ele conheceu em uma de suas aventuras aéreas ao redor do Mundo.
O relacionamento do casal era intenso, apaixonado, mas, também, bastante turbulento e marcado por constantes separações. No livro, a Rosa (metafórica), é Consuelo, descrita como vaidosa, exigente, cheia de caprichos e até um pouco tóxica, o que reflete sua personalidade forte, influencia direta das crises pelas quais o casal passou.
Ao mesmo tempo, a Rosa é o grande amor do Pequeno Príncipe (Saint-Exupéry). Por trás de todas as incógnitas da obra, o autor transmite a mensagem de que a Rosa é única e que o amor requer cuidado e responsabilidade. Mas, a dedicação diária do principezinho, aprisiona, mantém a flor em uma cúpula, enquanto ele explora o universo: “A terra das lágrimas é tão misteriosa!”, pensou o Pequeno Príncipe, ecoando o próprio lamento de Saint-Exupéry,sempre distante de casa.
Esta dinâmica espelhava perfeitamente o amor conturbado entre Saint-Exupéry e sua esposa. Ao dar vida à Rosa, em O “Pequeno Príncipe”, o autor não estava apenas criando uma metáfora sobre a fragilidade do amor, mas, também, expôs sua própria alma e as dores de um casamento que oscilava entre o Céu e o inferno.
A Rosa fazia do Principezinho não um ser zeloso, mas sim, inseguro, pois, exigia uma redoma de vidro, biombos e uma atenção dramática, quase sufocante. Da mesma forma, Consuelo exigia uma devoção que Saint-Exupéry, que com seu espírito livre de piloto e seus próprios demônios interiores, quase nunca conseguia oferecer. A atenção que sua esposa merecia, desaparecia assim que seu avião decolava rumo a novas aventuras. O casal se amava e se repelia com a mesma intensidade com que se atraía. Cada partida do escritor para os céus era uma fuga e, ao mesmo tempo, uma dolorosa contagem regressiva para o reencontro.
No entanto, por trás da vaidade e dos caprichos que tornavam sua convivência exaustiva, havia uma profunda vulnerabilidade que só o Pequeno Príncipe fazia seu autor compreender fora da literatura... quando já era tarde demais... quando ele já estava longe de seu asteroide (sua casa), levando Saint-Exupéry para mais uma viagem para longe de Consuelo, sua Rosa real.
A toxicidade que marcava o relacionamento não provinha da malícia, mas, de um medo mútuo da rejeição. A Rosa usava seus quatro espinhos inúteis para se proteger do Mundo, enquanto Consuelo usava seu temperamento tempestuoso para garantir que não seria esquecida em terra firme.
No fim, o livro se tornou o pedido de desculpas mais poético da história da literatura, onde Saint-Exupéry compreendeu, por meio de sua fábula, que a beleza de sua flor não residia na perfeição, mas, no tempo que passara com ela. Era a dedicação que a tornava única no Mundo, com seus caprichos, espinhos e tudo o mais. E disse o autor em seu alter ego, principezinho: “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção!”
No clássico de Antoine de Saint-Exupéry, a Raposa e a Serpente são personagens metafóricos cruciais. A Raposa ensina o príncipe sobre o valor dos laços afetivos e do ato de saber cativar; já a Serpente representa a transformação e a passagem, ajudando-o a retornar ao seu planeta por meio da morte simbólica.
Outros personagens de “O Pequeno Príncipe”, que têm suas características específicas na sociedade: o Vaidoso, representa o ego inflado e a necessidade doentia de ser admirado e aplaudido por todos, vivendo exclusivamente da opinião alheia; o Rei, simboliza o apego ao poder e ao controle. Ele exige obediência absoluta apenas para inflar o próprio ego, embora não tenha poder real sobre nada; o Homem de Negócios, representa a obsessão pela posse e pelo egoísmo. Ele passa a vida contando estrelas apenas para dizer que são suas, sem usufruir ou apreciar a beleza delas; o Bêbado, ilustra a fuga da realidade e a dependência. Ele bebe para esquecer a vergonha de beber, um ciclo vicioso alimentado pelo próprio ego fragilizado.
¹ Rosa é uma flor, mas, é escrita com R maiúsculo porque, é um personagem, não tendo nada a ver com o nome próprio Rosa.
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