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Que
Mundo maluco é este que estamos vivendo, meu Deus? Até os Jogos
Olímpicos de Tokyo 2020, acontecem (no final de julho e começo de
agosto de 2021) - tudo por decorrência da pandemia que convive entre
nós, fazem quase dois anos. A pergunta que deve ser feita é: deveriam
estar acontecendo estes Jogos Olímpicos, ainda em período pandêmico?
Mesmo assim, vou aproveitar a Olimpíada, que acontece no Japão, um
País incrível, onde vivi alguns anos, (mesmo ocorrendo abalos sísmicos),
para trazer a história de um personagem muito conhecido na Terra do
Sol Nascente, o cão Hachikō - em japonês: ハチ公, conhecido como cão
fiel Hachikō - 忠犬ハチ公 (10 de novembro de 1923 - 8 de março de 1935).
Hachikō foi um cachorro da raça Akita, animal muito leal ao seu dono, que perdurou até mesmo após a morte dele.
Todos os anos, no dia (8 de março), que é além de ser a data de meu aniversário e Dia Internacional da Mulher, é também dia de uma cerimônia solene na Estação de trem Shibuya, em homenagem à história do cão e seu dono.
Em
(1924), Hachikō chegou em Tokyo com Hidesaburō Ueno, um professor
do Departamento de Agricultura da Universidade de Tokyo. O cão sempre
acompanhava Ueno, desde a porta de casa, até à estação de trens de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia. A visão dos
dois, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos de
noite, impressionava profundamente todos os transeuntes. A rotina
continuou até maio do ano seguinte, quando numa tarde, o professor não
retornou em seu usual trem, como de costume. Assim, a vida feliz de Hachikō sendo o fiel animal de estimação do professor Ueno, foi
interrompida apenas um ano e quatro meses depois de seu início, pois, o
professor Hidesaburō Ueno sofreu um derrame súbito no dia (21 de maio
de 1925), durante uma reunião do corpo docente e morreu e obviamente,
nunca mais retornou à estação onde seu cão sempre o esperava.
A
história diz que, na noite do velório (na casa do professor), Hachikō, que estava no jardim, quebrou uma das portas de vidro da casa
e fez o seu caminho para a sala, onde o corpo estava sendo velado,
passando à noite toda deitado ao lado de Ueno, recusando-se a sair de
perto do caixão. Outro relato diz, que quando chegou a hora de colocar
vários objetos pessoais do falecido no caixão, junto ao corpo (tradição
japonesa), Hachikō pulou dentro do caixão e tentou resistir a todas as
tentativas de removê-lo.
Depois
do enterro de Ueno, Hachikō foi enviado para viver com parentes do
professor, que moravam em Asakusa, no leste de Tokyo. Mas, ele fugiu
várias vezes e voltava para a antiga casa, em Shibuya. Quando um ano
se passou, ele ainda não havia se acostumado à sua nova casa e assim,
foi dado ao ex-jardineiro do professor Ueno, que conhecia o cão desde
que ele era um filhote. Mas Hachikō continuou fugindo várias vezes
também do seu novo lar. Ao perceber que seu antigo dono já não morava na
casa em Shibuya, Hachikō ia todos os dias à estação de trem, da
mesma forma como ele sempre fazia, esperando que ele voltasse para casa.
Todo dia ele ia e procurava o professor entre os passageiros, saindo
somente quando as dores da fome o obrigavam. Hachikō fez isso dia após
dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros.
A
figura permanente do cão à espera de seu dono, atraiu a atenção de
alguns transeuntes, muitos deles, frequentadores da Estação de
Shibuya, que já haviam visto Hachikō e o professor Hidesaburō Ueno,
indo e vindo diariamente. Percebendo que o cão esperava em vão a volta
de seu amigo, muitos ficaram tocados e passaram, então, a trazer água e
comida para aliviar sua vigília. Por quase dez anos contínuos Hachikō
aparecia ao final da tarde, precisamente no momento de desembarque do
trem na estação, na esperança de reencontrar-se com seu dono.
A
fama repentina de Hachikō fez pouca diferença na sua vida, pois, ele
continuou exatamente da mesma maneira como antes. Todo dia, ele partia
para à Estação de Shibuya e, esperava lá pelo professor Hidesaburō
Ueno. Em (1929), Hachikō contraiu um caso grave de sarna, que quase o
matou. Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com
feridas das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se
levantava mais, apresentando uma aparência miserável, não parecendo mais
com o cão de raça e pulcro que tinha sido ao lado de Ueno, sendo
confundido com qualquer cão mestiço de rua.
Com Hachikō envelhecendo e tornando-se muito fraco, acabou sofrendo de
dirofilariose, um verme que ataca o coração do cão. Assim, na madrugada
de (8 de março de 1935), com idade de 11 anos, ele deu seu último
suspiro, em uma rua lateral à Estação de Shibuya. A duração total de
tempo que ele tinha esperado, saudoso de seu dono, foi de nove anos e
dez meses. A morte de Hachikō estampou as primeiras páginas dos
principais jornais japoneses e muitas pessoas, ficaram inconsoláveis com
a notícia de seu óbito, com o governo local decretando um dia de luto
oficial.
Os
ossos de Hachikō foram enterrados em um canto da sepultura do
professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku,
Tokyo, para que ele finalmente se reencontrasse com o amigo, qual havia
procurado e esperado por tantos anos. Sua pele foi preservada e uma
figura empalhada do cão pode ainda ser vista no Museu Nacional de
Ciências Japonesas.
Em
(21 de abril de 1934), uma estátua de bronze de Hachikō, foi
esculpida pelo renomado escultor Tern Ando (18 de abril de 1849 - 17
de outubro de 1952), sendo erguida em frente ao portão de bilheteria da Estação de Shibuya, com um poema gravado em uma placa, intitulado: Linhas para um cão leal. A cerimônia de inauguração foi uma grande
ocasião, com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão
de pessoas. A fama de Hachikō se espalhou em todo o Japão, fazendo a
raça Akita passar a ser a preferida no País.
Porém,
como quase tudo na vida acaba sendo utilizado de maneira errada, anos
mais tarde, a figura e lenda de Hachikō foi distorcida e usada como
símbolo de lealdade ao Estado, aparecendo em propagandas que difundiam o
fanatismo nacionalista que acabaram levando o Japão à Segunda Guerra
Sino-Japonesa, no final da década de (1930) e também à Segunda Guerra
Mundial. Lamentavelmente, a primeira estátua foi removida e derretida
para fazer armamentos durante o período de guerra, em (abril de 1944).
No entanto, em (1948), uma réplica foi feita por Takeshi Ando (1° de
novembro de 1942), filho do escultor original da obra, sendo reintegrada
no mesmo lugar da anterior e hoje, a nova estátua do cão, é um ponto de
encontro extremamente popular na Estação de Shibuya.
Em
(1987), no filme japonês: “Hachikō Monogatari - ハチ公物語 - O Conto de
Hachiko”, foi lançado e contava a história do famoso cachorro e seu
amigo professor. Uma refilmagem americana foi feita em (2009),
intitulada de: “Hachikō: A Dog’s Story” - no Brasil: “Sempre ao Seu Lado”,
onde o ator Richard Gere (31 de agosto de 1949), interpretou o
professor Hidesaburō Ueno, ajudando a popularizar a história do famoso
e bondoso cão, também no ocidente.
Em
(8 de março de 2021), completaram-se 86 anos desde que Hachikō se
foi, mas, em (2015), nos 80 anos de sua morte, os alunos da Faculdade
de Agricultura da Universidade de Tokyo, mandaram esculpir mais uma
estátua para homenageá-lo, desta vez a escultura retrata o reencontro de Hachikō com seu dono. Esta nova estátua, está no Campus da
“Universidade de Tokyo e os recursos para a produção, foram obtidos por
doações.
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