Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, tem gente que gosta dos dias de sol, outros dos dias de chuva, porque, a vida é assim mesmo, saber lidar com as nossas diferenças e ansiedades. Humanos que somos, tememos perder a razão, tememos os desagradáveis constrangimentos das “camisas de força sociais” que nos tiram o poder de sermos os primeiros entre os nossos pares.
Começamos muito jovens, na infância, aguardando a adolescência com uma impaciência quase insana e quando envelhecemos, preferíamos voltar a ser criança sem titubear. Mas, é na maturidade que esperamos ter independência financeira, quem sabe até fazer fortuna? Ou, como último recurso, conseguir um bom emprego, uma casa própria, uma esposa/marido que seja a melhor companhia de vida e filhos que sigam os ensinamentos dos pais.
Falando em filhos, eles inevitavelmente também envelhecerão aguardando a finitude dos pais, se tudo acontecer dentro da ordem natural das coisas.
Somos seres baseados nos riscos da vida: os enfermos apostam na cura das doenças; os soldados apostam no fim das guerras; os professores focam no tão esperado final do ano letivo e apostam “todas as suas fichas” nas merecidas férias; de contrapartida, os alunos de escolas e os universitários, apostam na formatura; as jovens de hoje, ao contrário das suas mães e avós, já não esperam um “príncipe encantado”, muito menos apostam no casamento; os idosos apostam, contra a sua vontade, na decrepitude e no fim da vida. Quem estiver numa prisão descobrirá que todos os outros presos apostam nos dias que trarão a retomada da liberdade; nas repartições públicas, no comércio, nas fábricas e nos escritórios, só encontraremos pessoas que se concentrem no momento da saída, na contagem das horas, numa espécie de rota de fuga profissional, que os levará à tão sonhada aposentadoria. Porém, muitas vezes, este sonho se transforma em pesadelo, pois a remuneração não é adequada e o tempo ocioso torna-se mais incômodo do que satisfatório.
Por todos os lados, nas praças, nos parques públicos, nos cafés, nos restaurantes, etc..., há homens à espera de mulheres e mulheres à espera de homens, apostando no amor. Nas Provas, nos exames e concursos, nos compromissos afetivos e via Web, nos cassinos, nas loterias, nas operações bancárias e da Bolsa de Valores, tudo é matéria de apostas. Todos temos paixões e expectativas diferentes, sejam elas religiosas, desportivas, recreativas, familiares e sociais.
As apostas da vida, como podemos observar, estão focadas na fortuna repentina, nas mudanças imprevistas da vida, no inusitado e, muitas vezes, no improvável e até no impossível. A verdade é que enquanto apostamos nas inúmeras possibilidades da vida, esquecemos de viver e sobreviver, é viver sem certezas, é viver pelo instinto, pelo hábito e pela imitação. Ou seja, sobrevivemos das lembranças do ontem (nem todas boas), somos repetidores do hoje (nos tornando em espectadores de erros de outras pessoas) e desconfiamos das apostas futuras.
Mas, quem entre nós, pelo menos um dia na vida, não simulou um sentimento que não teve, um entusiasmo que não sentiu, repetiu uma opinião irrealista e/ou errada para obter compensação, cumplicidade, sorrisos ou afagos alheios? Porém, quem doa parte de si se beneficiando, meio que se prostitui e assim, como se fosse uma mulher que põe um preço na sua sexualidade, acaba cometendo a prostituição não do corpo, mas, da alma, algo totalmente imperdoável.
Assim sendo, quem aposta, confia na sorte e no azar e isso não existe... Pelo menos eu não acredito nisso. Somos seres curiosos, talentosos e inventivos. E inventiva e talentosa foi “Carmen Miranda”, que nos revelou “o que é que a baiana tem?” - fazendo esta pergunta e ela mesma respondendo na música mostrada no vídeo abaixo. Porém, para as apostas da vida, as respostas são “balangandãs”¹.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O “Balangandã” é de origem africana. Pode ser um brinquedo que emite som ao ser movimentado, utilizado para diversão, atividades esportivas e dança. Nas religiões é uma espécie de amuleto, numa estrutura com vários cordões e elementos pendurados, sendo símbolo de longevidade. Em termos culinários é um pão típico angolano.
“Carmen Miranda”
Filme: “Banana da Terra” (1939)
♫O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Tem torço de seda, tem (Tem)
Tem brincos de ouro, tem (Tem)
Corrente de ouro, tem (Tem)
Tem pano da costa, tem (Tem)
Tem bata rendada, tem (Tem)
Pulseira de ouro, tem (Tem)
Tem saia engomada, tem (Tem)
Tem sandália enfeitada, tem (Tem)
E tem graça como ninguém
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Como ela requebra bem
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Quando você se requebrar, caia por cima de mim
Caia por cima de mim, caia por cima de mim
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Mas o que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Tem torço de seda, tem (Tem)
Tem brincos de ouro, tem (Ah)
Corrente de ouro, tem (Que bom)
Tem pano da costa, tem (Tem)
Tem bata rendada, tem (Que demais)
Pulseira de ouro, tem (Tem)
Tem saia engomada, tem (Tem)
Sandália enfeitada, tem
Só vai no Bonfim quem tem
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Só vai no Bonfim quem tem
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Um rosário de ouro, uma bolota assim
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim.
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Só vai no Bonfim que tem
O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?
Só vai no Bonfim que tem
O que é que a baiana tem?
Um rosário de ouro, uma bolota assim
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
Quem não tem balangandãs não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim
Oi, não vai no Bonfim.♫
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♪“O que é que a baiana tem?” (1939), é uma canção do cantor, compositor, violonista brasileiro “Dorival Caymmi” (30 de abril de 1914 - 16 de agosto de 2008), gravada pela cantora, dançarina, e atriz luso-brasileira “Maria do Carmo Miranda da Cunha - Carmen Miranda” (9 de fevereiro de 1909 - 5 de agosto de 1955), no filme: “Banana da Terra”, do mesmo ano.