As nossas mentes são fabulosas e inventivas, são “caixas” de memórias e experiências. Notem, que independente da idade, sexo, de nível social ou cultural, quase todo mundo tem uma “caixa de badulaques” guardada dentro de um armário. E assim, também são os cérebros humanos, que exatamente por isso, no uso coloquial da palavra, são denominados de “caixolas”, embora muitos utilizem também esta palavra com (ch), “cacholas”, para definir a parte superior do corpo; a cabeça no sentido de inteligência, do intelecto e dos pensamentos.
Existem “caixas e caixolas/cacholas” de todos os formatos, estampas e tamanhos, tudo fica ao gosto do freguês (acumulador).
Agora, quanto ao que se guarda nestas benditas “caixas de badulaques”, isso difere de pessoa para pessoa, pois, cada um coleciona (acumula), coisas das mais diversas origens e espécies e, em nossas mentes acontece o mesmo, com pensamentos variados, sonhos, dilemas, traumas, planos, aborrecimentos, etc...
Eu particularmente evito ter “tranqueiras” guardadas em meu apartamento, até porque, coisas demais em casa e o semblante com barba e bigode, só servem para acumular poeira.
Quem sofre de “Alzheimer”, por exemplo, perde a tampa da “caixola/cachola”, observando dia após dia, suas memórias escaparem, transformando-se em um prisioneiro do esquecimento e de seu próprio corpo, quase vazio de si mesmo.
Somos seres fungíveis e assim, não temos como manipular o envelhecer de modo lúcido (alguns idosos conseguem envelhecer com lucidez, outros não). Aqueles que não conseguem, se tornam em “escravos da idade”, sendo dependentes inconscientes, do ter de conviver com cuidadores, na fase da senilidade.
Com este longo período de pandemia, muitas pessoas perderam suas vidas prematuramente, sem sequer conseguir vislumbrar uma mínima ideia de envelhecer futuro. Tem uma frase minha neste sentido, que diz:
“Com à Covid, estamos calçando sapatos apertados faz tempo!”
Mesmo com os avanços tecnológicos na ciência e na medicina, que contribuem muito para o aumento da expectativa de vida, é importante dizer, que às melhorias na saúde não servem apenas para se viver mais, mas sim, para que o idoso possa viver com mais qualidade no ato de envelhecer e não, de somente existir. Assim sendo, mesmo que outrora (na média), as pessoas vivessem menos, o ato da longevidade, do envelhecer com idade avançada (no Mundo contemporâneo), deve ser tratado com zelo, pois, a velhice nunca vem só, ela sempre traz um dia a decrepitude e suas limitações, antes de nos apresentar para a foice fatal da “Dona Morte”.
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웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* “Mafalda” (1964), criação do cartunista argentino: “Quino” (17 de julho de 1932 - 30 de setembro de 2020).