Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, continuando com os ditados populares, destaco mais 20 deles, chegando aos 220 já apresentados aqui na minha página da blogosfera.
201- “Diga-me com quem andas e lhe direi quem és”. Este modo de escrita que também é comumente falado, este ditado, está errado. A forma correta é: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Fica meio rebuscada a grafia, mas, é a forma correta. A ideia aqui é que as suas companhias podem influenciar quem você é. Podemos encarar este ditado popular como um conselho, de como selecionar bem as pessoas que fazem parte do nosso cotidiano.
202- Continuando nesta vertente das escolhas pessoais, a expressão: “Escolher a dedo”, significa selecionar algo com muita discrição e cuidado, meticulosamente, para não ter complicações futuras.
203- “Quem espera sempre alcança”. Este ditado popular faz menção da fábula da tartaruga e a lebre, quando os dois animais apostam, quem levará menos tempo para chegar em casa, a lebre começa a correr velozmente, enquanto a tartaruga simplesmente recolhe sua cabeça para dentro de seu casco. Moral da história: “Devagar se vai ao longe”, pois, nem sempre é preciso sair em carreira desenfreada, para se chegar primeiro que todos, até porque, a vida não é uma maratona.
204- “Laranja madura na beira da estrada, ou tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”. O provérbio, citado numa música “Laranja Madura” (1966), de “Ataulfo Alves” (2 de maio de 1909 - 20 de abril de 1969), sugere-nos que se você encontra algo muito fácil, com certeza está com defeito ou existe algum perigo eminente para que você consiga ter o que encontrou.
205- “Agora Inês é morta”. É uma expressão da língua portuguesa e significa: “não adianta mais”. Hoje em dia a frase é usada para expressar a inutilidade de certas ações. Muitas vezes esta expressão completa é: “Agora é tarde, Inês é morta”, o que indica que é tarde demais para tomar alguma atitude a respeito de algo.
Mas, quem foi “Inês”? Ela foi uma dama da corte portuguesa que teve morte trágica no mesmo dia e mês do seu nascimento (e isso não foi uma coincidência). Seu nome: “Inês de Castro” (7 de janeiro de 1325 - assassinato: 7 de janeiro de 1355), amante do príncipe herdeiro, que se tornaria rei de Portugal, denominado: “Pedro I de Portugal” (8 de abril de 1320 - 18 de janeiro de 1367), apelidado de “o Justo, o Cruel e o Justiceiro”. “Pedro” foi o “Rei de Portugal e Algarves” (de 1357 até a sua morte) e não tem nada a ver com “D. Pedro I, imperador do Brasil”. Em (1345), com a morte da esposa, “Dona Constança Manuel” (28 ou 29 de novembro de 1316 - 13 de novembro de 1345), o príncipe português passou a viver secretamente com “Inês”, chegando a ter filhos com ela. Dez anos depois, o “rei Afonso IV” (8 de fevereiro de 1291 - 28 de maio de 1357), apelidado de: “Afonso o Bravo”, aproveitando que o filho “Pedro” estava fora do país, mandou executar “Inês de Castro” no dia de seu trigésimo aniversario, morrendo sem poder se defender. Quando “Pedro” retornou, ficou furioso e ordenou a morte dos conselheiros que ajudaram seu pai na decisão. Apesar da vingança, não havia mais o que fazer, pois, “agora Inês é morta”. O caso trágico foi contado e recontado em várias obras portuguesas, como, por exemplo, em “Os Lusíadas, de Luís de Camões” (1524/1525 - 10 de junho de 1580). Esta frase passou a ser usada sempre em alusão a outras tragédias.
206- “Boca de siri” ou “Fazer boca de siri”. É uma expressão corriqueiro quando alguém pede para outra pessoa se calar após contar-lhe uma fofoca. Em casos mais extremos, utiliza-se a expressão como forma de obrigar alguém a guardar um segredo. Estes termos são praticamente impossíveis de se manterem fidedignos, porque, indicam que se deve guardar segredo de algo que alguém lhe contou. Como diria o polímata estadunidense “Benjamin Franklin” (17 de janeiro de 1706 - 17 de abril de 1790): “Três pessoas são capazes de guardar um segredo, se duas delas estiverem mortas!”
207- “De mãos e pés atados”. Esta é uma expressão usada para dar ênfase ao fato de quando alguém, encontra-se impedido de fazer algo, quando sente-se inábil para agir. Este dito, pode ser também relacionado, por exemplo, a censura contra a impressa.
208- “Esperando a poeira baixar”. Esta expressão normalmente é usada para definir um momento de “calmaria”, na espera de encontrar uma solução para uma situação. O termo ganhou conotações abrangentes no “Brasil dos Milicos”, frente aos escândalos e violações políticas e judiciais, com direito a pressões e protestos populares diante do “desaparecimento” de muitas pessoas durante a ditadura militar de 21 anos¹.
209- “Estar de bode”. É um ditado muito popular no “Norte e Nordeste do Brasil”, que não tem nada a ver com a barba dos bodes e nem com a barba rala dos adolescentes; mas sim, significa estar com gastura, chateado, aborrecido, com preguiça. E nas meninas, pode ser estar menstruada.
210- “Firme feito prego na areia”. Este ditado popular, diz respeito, quando alguém aparenta ser algo que não é. Se diz forte, mas, não passa de uma “manteiga derretida”. Mas, quem gosta de “manteiga derretida” é pipoca.
211- “Gosto de cabo de guarda-chuva”. O significado desta expressão, é dita pelo sabor estranho que é sentido na boca. Pode ser o bafo de quando se acorda, ou após uma ressaca de uma bebedeira... O famoso: “bafo de onça”, que deixa uma catinga na boca. Aliás, “Bafo de onça”, deu origem a outro ditado popular neste mesmo sentido.
212- “Não confunda alhos com bugalhos”. Esta é mais uma expressão luso-brasileira, e significa, tomar uma coisa por outra ou relacionar algo a outra coisa erroneamente. A criação desta expressão se deve a dois fatos: a palavra alho rimar com bugalho (uma espécie de maçã), que nasce na galha de várias espécies de carvalho, que é semelhante a uma cabeça de alho com um bugalho.
213- “Não fede nem cheira”. Este ditado popular, no primeiro caso, vem de um sentido figurado, que nos diz: “ter que engolir” pessoas inconvenientes, como aqueles colegas de trabalho que ninguém suporta e que estão sempre puxando conversa... Nós escutamos, respondemos (Hmm... Hmm...) - mas, nem sabemos o que eles estão dizendo. Em outras palavras: eles “não fedem nem cheiram” para nós. Mas, esta expressão também pode significar nem perder nem ganhar. Em outras palavras, não ser nada mais do que um mero participante de uma competição, mas, na zoação dos torcedores, aí “já são outros 500”... Que aliás, é também um dito popular, qual revelarei abaixo o seu significado.
214- “São outros quinhentos”. Este dito popular, vem da “Idade Média Ibérica”. O valor de uma indenização por uma calúnia ou injúria contra o “Império”, era de 500 soldos. Como o soldo nunca alcançava este valor, quem era condenado a pagar tal pena, sempre estava devedor de “outros 500”, além do valor dos impostos normais já cobrados.
215- “O negócio é rir para não chorar”. Esta expressão nos diz que você não deve sentir-se ansioso, irritado ou triste quando está sorrindo. O riso ajuda a relaxar e recarregar nossas energias, a reduz o estresse. E acreditem: utilizamos mais músculos do rosto para chorar do que para sorrir. O riso solto, o gargalhar, utiliza 135 músculos faciais; já para o pranto copioso, usa-se 262 músculos faciais. Assim sendo, como diz outro ditado popular: “rir é o melhor remédio”.
216- “São nos pequenos frascos que estão os melhores perfumes”. Este ditado na realidade, foi um slogan da empresa “Chanel” em (1920), criada pela estilista francesa: “Gabrielle Bonheur Chanel”, conhecida como: “Coco Chanel” (19 de agosto de 1883 - 10 de janeiro de 1971). Assim, até hoje dizem por aí, que os melhores perfumes estão nos menores frascos. Mas, cuidado com este ditado, pois, nos mesmos frascos menores, é que são guardados os mais fatídicos venenos.
217- “Nem uma coisa, nem outra”. Este dito que é bilíngue, revela que alguém está no meio do caminho, que não sabe “se casa ou se compra uma limonada”. Revela alguém que nem tentou o “Plano A”, ignorou o “Plano B” e inventou um “Plano C” inexistente. Ou seja, não virou “nem uma coisa, nem outra”. Ou ainda, é algo que não foi possível dar valor. Em castelhano seria algo como: “Ni chicha, ni limonada”.
218- Este não é exatamente um ditado popular, embora a expressão: “Terrinha” seja usada popularmente pelos brasileiros para se referir aos nossos patrícios portugueses. Quando diminutivos são usados, muitos associam a algo ruim, pobre ou de pouco valor. No entanto, o oposto acontece frequentemente no “Brasil”, quando nos referimos a “Portugal como “terrinha”, pois, a palavra “terrinha” não é associada a algo pejorativo, com um lugar pequeno ou atrasado, para a maioria dos brasileiros, chamar “Portugal” de “terrinha” é uma forma afetuosa de se referir à terra natal de muitos dos nossos antepassados.
219- “Venhamos e convenhamos”. É um ditado popular, que significa: “vamos combinar?” - ou seja, é tentar fazer um acordo com outra pessoa, para chegar a um denominador comum. Algo que seja conveniente para ambas as partes.
220- Chegamos ao Ditado Popular n° 220 (com um zero à direita), mas, a expressão: “Zero à esquerda”, refere-se a matemática, onde os zeros que ficam à esquerda de uma virgula, não mudam em nada no seu valor. Por exemplo, 0,2 e 00,2 valem o mesmo tanto. Por causa disso, é chamada de “zero à esquerda”, aquela pessoa que não acrescenta, que não agrega nada de valor na vida das outras pessoas. Gente que não faz diferença.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ “Ditadura Militar” foi o período da história brasileira que se estendeu de (1964 a 1985). Esse regime antidemocrático foi instaurado no “Brasil” por meio de golpe militar.
* “El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de La Mancha” - (1605), obra de “Miguel de Cervantes” (29 de setembro de 1547 - 22 de abril de 1616). * Arte inicial animada da postagem ®DOUG BLOG.
* Ditado popular n° 182 - “Mr. Magoo” (1949), personagem criado no estúdio de animação da “United Productions of America”.