Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, já estamos em agosto deste “Vinte Vinte e Um Virótico” e pelo visto, o danado do vírus vai continuar aí, firme e forte, roubando o viver do Mundo todo à conta-gotas, mesmo com boa parte dos braços já vacinados.
E mesmo que o “baile de máscaras” não acabe nunca, muito menos os ditados populares findam. Assim sendo, vamos lá para mais 20 ditos (frutos do inconsciente coletivo), mantendo minha meta de distrair nossas mentes, neste momento pandêmico interminável (com as vacinas chegando amiúde), principalmente no “Brasil”.
101- O ditado popular: “Olha com os olhos e lambe com a testa”, significa dizer, que qualquer pessoa que esteja numa situação de observar uma coisa fora de suas possibilidades e mesmo assim, insistindo em conquistar, nunca terá e se frustará.
102- “171”. Este termo que caiu na boca do povo para classificar os estelionatários e trambiqueiros de modo geral, faz referência ao artigo “171 do Código Penal Brasileiro”. O texto estipula: [“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”]. Este número coincidentemente, está nos algarismos das camisas de alguns dos bandidos mais famosos das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados da “Disney”, “Os Irmãos Metralhas - The Beagle Boys” (1951), que é uma quadrilha de ladrões atrapalhados.
103- A origem da expressão: “Ao deus-dará”, tem duas explicações possíveis. Pode ser: um ato de abandono, de descaso, de ficar à toa; ou pode ser, a citação de “Jesus” (na cruz), relatado em: (“Lucas” - 23:34) - E dizia Jesus: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes”. Com isso, o filho de Deus destaca, que seus algozes estão entregues à própria sorte, diante de tamanha violência.
104- “Voto de Minerva”. Esta é uma adaptação latina da mitologia grega. Na história mitológica, o mortal “Orestes”, matou sua própria mãe e o amante dela, para vingar a morte de seu pai, “Agamenon”. Para escapar da pena capital, “Orestes” pediu ajuda ao “deus Apolo”, que atuou como seu advogado em um julgamento presidido por “Atena” (que tem o nome de “Minerva”, na versão romana). Como a votação do júri formado por 12 cidadãos terminou empatada em 6 votos, coube à “Atenas/Minerva - deusa da Razão e da Justiça”, dar o voto decisivo, inocentando “Orestes”.
105- “A cobra vai fumar”. Esta é uma frase clássica. Durante a “Segunda Guerra Mundial”. O governo brasileiro presidido por “Getúlio Dornelles Vargas” (19 de abril de 1882 - 24 de agosto de 1954), ora se aproximava dos “Estados Unidos”, ora da “Alemanha nazista”. Na época, era comum ouvir que: “Seria mais fácil uma cobra fumar, do que o Brasil entrar na guerra”. Mas, entramos (do lado americano) e como resposta às provocações, os soldados/pracinhas¹ da “FEB - Força Expedicionária Brasileira”, adotaram como símbolo (no escudo das fardas), uma cobra fumando.
106- “Amor com amor se paga”. Esta frase está relacionada à reciprocidade, à questão de receber o que você dá. Se você der amor, será retribuído com amor, se você tratar alguém muito bem, esta pessoa também o tratará bem. Mas, se você tratar alguém mal, esta pessoa inevitavelmente o tratará muito mal. Em outras palavras, cada pessoa colhe o que planta. Se você semeia indiferença, não tem como colher outra coisa. Mas, se você semear amor, você terá uma “boa colheita” de amor. Em outras palavras, você escolhe o que quer colher. Então, o ditado é reescrito para: “o amor com amor se paga e com desdém se apaga”. Este não é um ditado popular que é difícil de entender, mas, às vezes é difícil de executar.
107- “Bambambã”. É uma expressão popularmente usada para designar uma pessoa perita em determinado assunto, alguém muito bom naquilo que faz. “Bambambã”, vem de “bamba”, que seria um indivíduo corajoso, valente e decidido. Mas, “estar na corda bamba”, por exemplo, significa outra coisa: passar por uma situação instável, por algo perigoso. Ou seja, “bamba” é uma palavras (entre tantas), que exibe significados diferentes na leitura.
108- “Bola pra frente”. Esta é uma expressão muito repetida e, mostra o real desejo de encorajar alguém a seguir adiante, depois de passar por algo negativo. Tal dito, parece mesmo ter nascido no futebol, quando um time está em uma situação adversa e necessita virar o jogo, o empenho dos atletas em campo, é sempre para que a bola seja tocada à frente e que a equipe permaneça no ataque, em busca do gol.
109- “Calcanhar de Aquiles”. Este ditado revela o ponto fraco de alguém, sendo relacionado à fraqueza do herói da mitologia grega “Aquiles”, que é relatado sendo um mortal, filho do “Rei Peleu” e da “deusa Tétis”. Para torná-lo imortal, sua mãe o mergulhou no “Rio Estige”, segurando-o pelo calcanhar, o único lugar onde as águas não o tocaram e, portanto, a única parte vulnerável de seu corpo. Na “Guerra de Tróia”, “Aquiles” teria sido flechado no calcanhar por “Páris”, que estava ciente de seu ponto fraco. Em outras palavras, uma amizade pode muitas vezes ser perigosa, porque, aqueles que estão em nosso círculo íntimo nos conhecem bem e também podem nos machucar.
110- À origem da expressão: “Chato de galocha”, surgiu nos anos (1950), quando o uso de galochas era um costume típico entre homens e mulheres. As galochas são botas de borracha usadas para proteger os pés do contato com a água, preservando-os da umidade e por consequência, do desagradável contratempo de molhar os pés e também poder danificar o calçado. Mas, “chato de galocha”, é também uma expressão idiomática da língua portuguesa, muito usada no “Brasil”, qual descreve uma pessoa que é muito inconveniente, extremamente desagradável, com pouco senso social e insistente em assuntos desinteressantes. Existe uma terceira hipótese, esta mais “suja”. Calma, eu explico: antes das ruas serem asfaltadas, o uso de galochas era bem mais comum. Assim, algumas pessoas saiam à rua com elas, e era a primeira coisa que tiravam ao chegar em casa (ou na casa de alguém). “Chato de galocha”, seria neste caso, aquela pessoa inconveniente, que entrava em casa (ou na casa dos outros), com as galochas sujas, lançando lama para todos os lados.
111- “Cheio de nove horas”. Esta expressão não tem nada a ver com um lugar cheio de relógios marcando 9 horas. Este ditado vem do século XIX, quando 9 horas da noite era uma barreira quase intransponível, um horário de ir dormir, uma espécie de regulador da vida social brasileira na época (quase um toque de recolher). Quem saísse depois das 9 da noite não era considerado uma boa pessoa, mas sim, um boêmio. Um marido, por exemplo, que não voltasse para casa antes desse horário, estaria em apuros. Com o tempo, esta expressão passou a se referir também a pessoas meticulosas e cheias de regras.
112- “Chutar o balde”. Esta expressão a principio, está relacionada na execução utilizada com uma corda, quando um condenado à pena capital, ficavam em pé em um balde e após, era colocada uma corda ao redor de seu pescoço (amarrada geralmente nos troncos de uma árvore), sendo o balde chutado pelo executor/carrasco, para que o condenado fosse enforcado e morto. Anos mais tarde, às forcas tinham escadas e alçapões, recursos que facilitavam “tirar o chão” do enforcado. Há também uma outra possibilidade: este ditado teria nascido, dos chutes que as vacas dão nos baldes de leite, quando não se sentem confortáveis, no momento da ordenha manual. Mas, todas estas hipóteses são diferentes de outro chute... Pois, “chutar o pau-da-barraca”, por exemplo, designa a perda da paciência de uma pessoa com algo ou alguém.
113- “Ter o rei na barriga”. Este é um dito em metáforas: a menos nobre delas (apesar de ser referente a monarquia), ilustra a sucessão do trono, quando uma Rainha fica grávida de um “varão”, sendo esta notícia muito festejada, passando a monarca a ser tratada de maneira especial, pois, ela carrega o futuro rei em seu ventre. Cercada de tantos cuidados e acostumada com o bem-bom, a Rainha passa a ser considerada arrogante aos olhos de outros integrantes do reino, sendo vista como alguém orgulhosa, por estar carregando um filho homem em seu ventre, fato que não se sucederia igual, caso fosse uma menina. Outra versão (esta bíblica), mostra “Maria de Nazaré” recebendo a visita do “anjo Gabriel”, que lhe diz: “Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande; será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó, e o seu reino não terá fim.”
114- “Corredor Polonês”. Este foi o nome dado à faixa de terra transferida da “Alemanha” para a “Polônia” em (1919), após o “Tratado de Versalhes”, um acordo de paz assinado após a “Primeira Guerra Mundial”. Com a ascensão do partido nazista ao poder e a chegada de “Hitler”, que fizeram as forças armadas alemãs tomarem a região em (1939), os poloneses foram encurralados pelo exército de “Hitler”², posicionado dos dois lados do “corredor”. A expressão é usada em tempos atuais, para nomear uma passagem estreita, formada por duas fileiras de estudantes e/ou soldados, que geralmente batem na cabeça dos “calouros”² que passam no meio deles. Ou seja, uma espécie de “Bullying”.
115- “Custar os olhos da cara”. A origem desta expressão, não tem relação com o custo de vida, para destacar mercadorias cobradas com valores abusivos, como muitos pensam e utilizam. Este ditado, faz referência, ao espanhol “Diego de Almagro” (8 de abril de 1475- 8 de julho de 1538), um dos conquistadores da “América”, que perdeu um de seus olhos quando tentava invadir uma fortaleza “Inca”. Após esta incursão, ele disse ao imperador espanhol “Carlos I” (19 de novembro de 1600 - 30 de janeiro de 1649): “Defender os interesses da Coroa espanhola, me custou um olho da cara!”
116- “Elefante branco”. Este termo vem do antigo “Reino do Sião” (atual “Tailândia”), onde o elefante albino é considerado um animal sagrado e deve ser entregue ao Rei quando encontrado. O Rei, por sua vez, também pode presentear os membros da corte com um destes animais raros, sempre que desejar. E apesar do custo e do grande trabalho que envolve cuidar de um animal deste porte, não é uma boa ideia recusar tal presente do monarca, afinal, como diz a tradição tailandesa, trata-se de um animal sagrado. A questão é: não residindo em um palácio real, onde alguém que vive em uma casa normal pode guardar um presente tão grande? Assim, adaptamos esta expressão para qualquer objeto que seja desproporcionalmente grande em relação ao local onde vivemos e que ocupe muito espaço. Ou seja, esse objeto acaba se tornando um “elefante branco” em nossas casas.
117- “Erro crasso”. Esta é uma expressão da cultura popular, atribuída aos equívocos humanos. O “erro crasso”, refere-se ao romano “Marco Licínio Crasso” (114 a.C. – 53 a.C.), que no ano (53 a.C.), perdeu a “Batalha de Carras”, onde também perdeu a própria vida. “Crasso” partilhou o poder com “Júlio César” (13 de julho de 100 a.C. – 15 de março de 44 a.C.) e “Pompeu” (106 a.C. – 48 a.C.), em (59 a.C.), no período conhecido como “Primeiro Triunvirato”. Obcecado em conquistar o “Império Parta, na Mesopotâmia”, “Crasso” atacou a cavalaria inimiga, em campo aberto, apenas com uma infantaria romana (seu grande erro) e teve seu exército dizimado.
118- “Estar entregue às baratas”. Este é um ditado simples e muito repetido. Seu significado é: ser alguém sem importância para ninguém, ou estar sem nenhuma resistência para fazer nada.
119- “Mais feliz do que pinto no lixo”. Os galináceos adoram ciscar tudo que encontram pelo terreiro (e parecem felizes com isso). Assim, esta é uma expressão popular usada para representar a condição de uma pessoa em estado de extrema euforia, de felicidade plena, quando se encontra muito satisfeita com algo.
120- Esta é uma expressão muito comum entre as gerações mais antigas: “Neblina que baixa, Sol que racha”, porque, antes de termos previsões diárias na televisão e aplicativos de clima na web, muitas pessoas confiavam nos sinais da natureza para prever o que aconteceria com o clima. Este ditado popular revela a pouca visibilidade causada pelo fenômeno do nevoeiro (neblina baixa), que se desloca horizontalmente, devido ao ar úmido que se dissolve, tornando o clima mais seco. Ou seja, com neblina baixa pela manhã, o dia será ensolarado à tarde. O oposto deste ditado é: “Névoa na serra, chuva que berra”.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
* “Mafalda” (1964), criação do cartunista argentino: “Quino” (17 de julho de 1932 - 30 de setembro de 2020) e “Mônica” (1963), criação do cartunista brasileiro: “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935). * Arte inicial Animada da postagem ®DOUG BLOG.
* No ditado popular n° 110, aparece “Francisco Everardo Tiririca Oliveira Silva - Tiririca”, cantor, compositor, palhaço, humorista e político brasileiro (1° de maio de 1965).
¹ “Pracinhas”, é um termo referente aos soldados veteranos do “Exército Brasileiro”, que foram enviados para integrar as forças expedicionárias contra as forças do eixo nazista, na “Segunda Guerra Mundial” (1° de setembro de 1939 – 2 de setembro de 1945).
² “Adolf Hitler” (20 de abril de 1889 - 30 de abril de 1945), “Führer da Alemanha Nazista” (de 1934 até 1945). — “Calouros”, no sentido do ditado, refere-se ao estudantes/soldados novatos, quais são submetidos ao trote estudantil/militar. Ou seja, ficam à mercê das brincadeiras de mau gosto, estabelecidas pelos colegas mais antigos, denominados “veteranos”. Existem outros tipos de “calouros”, estes relacionados a música, em programas de auditórios.