Com a economia global praticamente paralisada (devido à pandemia), estando funcionando somente os setores essenciais na indústria e no comércio, o Mundo entrou na bancarrota¹. O desemprego que assolou o Mundo por causa do vírus afetou nossas vidas de forma semelhante a um apito para cães: embora ninguém tenha conseguido ouvir o silvo agudo da COVID, o resultado trágico está bem aqui, de mandíbulas escancaradas, mordendo a todos nós.
As incertezas econômicas e estruturais que a sociedade enfrenta certamente terão repercussões de longo prazo, deixando muitos trabalhadores divididos entre a espiral do desemprego e o trabalho remoto. Além disso, o eventual retorno ao modelo de trabalho tradicional, após este longo período em casa (que muitos ainda estão vivenciando), não será nada fácil, visto que muitos terão se acostumado ao Home office.
Até mesmo minhas palestras no Rotary, atualmente, ocorrem por meio de videochamadas em grupo. E um tema recorrente nestas reuniões virtuais, é a preocupação premente com o futuro profissional das pessoas na era pós-pandemia; independentemente de voltarmos ao normal, teremos de nos adaptar ao trabalho fora de casa de forma contínua e, ao mesmo tempo, aprender a reconhecer o potencial de cada indivíduo nesta nova fase da vida, livre das máscaras e de medidas de confinamento. (Lockdown).
Considere o seguinte cenário: devido à pandemia, muitas orquestras interromperam totalmente suas atividades, e alguns músicos tiveram de deixar seu talento de lado por necessidade premente de obter renda imediata para sustentar suas famílias. Um maestro poderia, por exemplo, sugerir que um violinista aprendesse a tocar flauta para suprir a escassez de flautistas na orquestra; no entanto, isso exigiria uma quantidade significativa de prática e treinamento. Em outras palavras, durante este período de aprendizado, a orquestra perde um excelente violinista e ganha, pelo menos inicialmente, um flautista medíocre.
Considere agora outro exemplo envolvendo uma situação mais crítica. O proprietário de uma loja vê seu gerente falecer em decorrência da COVID-19 e precisa encontrar um substituto. A loja conta com um excelente vendedor: honesto, pontual e com mais de uma década de casa. O proprietário decide promovê-lo a gerente; no entanto, nos meses seguintes, as vendas caem, e os demais vendedores ficam desmotivados e desorganizados em suas funções. Em suma, aquele excelente vendedor, que era competente em seu trabalho e motivava os colegas por gostar do que fazia e prosperar na competição de vendas (já acostumado à pressão de bater metas), estagnou em sua evolução profissional. Ele estava habituado a receber ordens, e não a dá-las. O proprietário deveria ter simplesmente concedido um aumento ao vendedor por sua eficiência e contratado alguém com perfil de liderança para gerenciar a loja; assim, todos teriam saído ganhando.
Em suma, nem toda mudança na remuneração significa uma melhoria na qualidade de vida, nem toda promoção pode ser considerada benéfica; muitas vezes, acostumamo-nos tanto ao nosso trabalho atual que a transferência para outro departamento, ou a necessidade de mudar para outra cidade, Estado, ou país, pode fazer com que recomeçar pareça decepcionante.
Trabalhar hoje em dia, nestes tempos de pandemia, tornou-se algo desgastante (assim como, na verdade, quase tudo se tornou maçante); no entanto, estar desempregado, seja no passado ou durante a pandemia, parece-me algo ainda pior.
No entanto, com ou sem pandemia, sempre teremos de fazer escolhas e seguir em frente, pois, como Agenor de Miranda Araújo Neto — Cazuza (4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990), disse com propriedade na canção “O Tempo Não Para” (1988): ♫...Eu vejo o futuro repetir o passado ♪ Eu vejo um museu de grandes novidades ♪ O tempo não para ♪ Não para não, não para...♫
É verdade: todos estamos vendo a história se repetir, pois, esta não é a primeira pandemia que o Mundo enfrenta e, ao que tudo indica, não será a última. Mas, aonde tudo isso vai levar? A resposta para esta pergunta é tão incerta quanto a trajetória de um avião de papel; quando lançamos um, nunca podemos ter certeza da direção que ele tomará, mesmo que seja lançado em linha reta, pois vários fatores podem desviá-lo de seu destino pretendido, como o tipo de papel utilizado ou imperfeições na dobradura. O vento, também, pode ser um fator de risco que afeta o voo planado e estável do nosso aviãozinho de papel.
Hoje em dia, pequenos gestos fazem toda a diferença, coisas que antes pareciam insignificantes (como lançar um inofensivo aviãozinho de papel). Assim, novos começos são forjados nos detalhes, na nossa capacidade de nos adaptarmos a novas tarefas e às novas pessoas ao nosso redor. No entanto, não há garantia de que esta nova jornada será confortável. O certo é que a chamada zona de conforto que havíamos construído anteriormente e, que agora (durante a pandemia), chamamos de quarentena, nos deixou completamente desestabilizados.
Vale ressaltar, no entanto, que muitas pessoas não alteraram seus hábitos de vida durante a pandemia, desafiando o vírus e colocando em risco a própria vida e a de todos ao seu redor; um número considerável não manteve o isolamento social, não apenas devido à necessidade de trabalhar fora de casa, mas, também por uma crença imprudente de que as adversidades da vida acontecem apenas com os outros. Devemos sempre lembrar, contudo, que, para os outros, nós somos os outros.
Espero que o nosso atual estado de mera sobrevivência deixe de ser este circo de horrores... esta sensação de estar encaixotado e à espera do dia da mudança, para que possamos, em breve, voltar a simplesmente vivenciar os ciclos naturais da vida. Afinal, viver é composto por diversos fenômenos, eventos e ações recorrentes que moldam cada instante da nossa existência. Momentos em que questionamos, aprendemos, erramos e acertamos. No fim das contas, a verdadeira sabedoria reside em saber aproveitar a vida ao máximo e saborear o que ela tem de melhor. O que não podemos nem devemos fazer é pular etapas, desperdiçando tempo com tolices e falta de compreensão humana.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Bancarrota, representa a quebra e/ou falência de uma empresa ou pessoa física, acompanhada ou não de culpa ou fraude do devedor. Pode ser também, a falência financeira do Estado, por impossibilidade monetária, qual suspende o pagamento de suas obrigações legítimas e vencidas. No sentido literal da palavra, bancarrota representa: ruína, quebradeira econômica.
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Cerejeira%20Outono).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Avi%C3%A3ozinho%20de%20Papel).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Caixas%20na%20Cabe%C3%A7a).png)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Loira).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Bal%C3%A3o%20da%20Loira).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Loira%20-%20Tico%20e%20Teco).png)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Telejornal).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Boo%20-%20Monstros%20S-A).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Amigas%20Mascaradas).png)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Dia%20Internacional%20da%20Mulher).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20(Menina%20Irada).gif)
%20%C2%AEDOUG%20BLOG%20((Mulher%20Brava).png)