Poucas pessoas hoje em dia se lembrarão, que no ano de (1961), após apenas sete meses no poder, o “Presidente Jânio da Silva Quadros” (27 de janeiro de 1917 - 16 de fevereiro de 1992), surpreendeu o País com a sua renúncia ao cargo. O ato que partiu justo daquele homem, que em sua campanha dizia que iria “varrer a corrupção do Brasil”, pegou de surpresa políticos, a imprensa e toda a nação. Só não pegou de surpresa as Forças Armadas.
“Jânio” que era do “Partido Trabalhista Nacional - PTN”, se candidatou a Presidente na coligação com outros quatro partidos: “União Democrática Nacional - UDN; Partido Republicano - PR; Partido Libertador - PL e Partido Democrata Cristão - PDC”, vencendo nas urnas. O seu opositor, “Henrique Batista Duffles Teixeira Lott” (16 de novembro de 1894 - 19 de maio de 1984), “Marechal brasileiro, do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB”, com 48,26% dos votos, contabilizando um total: 5.636.623.
A Sua renúncia foi prontamente aceita pelo “Congresso Nacional”, e especula-se, que talvez “Jânio” não esperasse que sua carta-renúncia assinada, fosse ser realmente acolhida pelos congressistas. E no dia (25 de agosto de 1961), sendo relatado pelo tradicional: “O Repórter Esso”¹, em edição extraordinária, qual noticiava que a renúncia (segundo “Jânio Quadros”), era devido as “forças ocultas” (frase que “Jânio” jamais disse), porém, que entrou para a História e para o imaginário do povo brasileiro, devido a divulgação do noticioso popular da época.
Aquilo que “Jânio” realmente disse, foi, que devido a pressão de “forças terríveis”, ele deixava a presidência, mas, na época, ele não relatou quais seriam tais “forças (que todos sabiam ser os militares), as “Forças Armadas”, só que “Jânio Quadros” não teve coragem de dizer e pelo contrário, exaltou de forma especial, que os militares sempre cuidaram dos assuntos do País, cuja a conduta sempre foi exemplar, em todos os instantes de seu governo.
Assim, nesta oportunidade, com a sua saída, quem assumiria, seria o seu vice, “João Belchior Marques Goulart” (1° de março de 1918 - 6 de dezembro de 1976), conhecido popularmente como “Jango”. Mas, “João Goulart” não foi aceito pelos “Ministros Militares”, que o vetariam no auge da crise. Assim, o poder ficou provisoriamente com o advogado, “Paschoal Ranieri Mazzilli” (27 de abril de 1910 - 21 de abril de 1975), nome de consenso entre os militares da época, enquanto acontecia a “Campanha da Legalidade”, em que se destacou “Leonel de Moura Brizola” (22 de janeiro de 1922 - 21 de junho de 2004), “Governador do Rio Grande do Sul” e cunhado de “João Goulart”.
Ficou a cargo de “Tancredo de Almeida Neves” (4 de março de 1910 - 21 de abril de 1985), a adoção do regime parlamentarista. “Tancredo”, que havia sido “Primeiro Ministro” do governo de “Getúlio Dornelles Vargas” (19 de abril de 1882 - 1° de março de 1930), não conseguiu implantar este novo regime de governo, que acabou após um plebiscito em (1963), quando também já haviam passado pelo cargo, dois outros juristas: “Francisco de Paula Brochado da Rocha” (8 de agosto de 1910 - 26 de setembro de 1962) e “Hermes Lima” (22 de dezembro de 1902 - 10 de outubro de 1978). Enfim, como “Jânio da Silva Quadros” temia, as “forças ocultas do Regime Militar” entrariam em vigor em (1964), três anos após sua renúncia e desta maneira, tanto “Jânio Quadros”, quanto os ex-presidentes “João Goulart” e “Juscelino Kubitschek de Oliveira” (12 de setembro de 1902 - 22 de agosto de 1976), tiveram os seus direitos políticos cassados.
_“Carta-renúncia de Jânio da Silva Quadros”_
“Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia.
Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.
O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.
Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo. Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor. Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.
Brasília, 25-8-1961.”
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ “O Repórter Esso” foi um noticiário histórico do Rádio e da TV brasileira, criado no governo de: “Getúlio Vargas”, transmitido de (28 de agosto de 1941, até 31 de dezembro de 1968), nas Emissoras: “Globo; Nacional; Record e Tupi”. O programa, seguia a versão americana chamado de: “Your Esso Reporter”. No “Brasil, O Repórter Esso” teve os seguintes apresentadores: “Kalil Filho” (2 de dezembro de 1930 - 13 de abril de 1970); “Gontijo Teodoro” (20 de março de 1924 - 5 de setembro de 2003); “Luís Jatobá” (5 de janeiro de 1915 - 9 de dezembro de 1982); “Heron Domingues” (4 de junho de 1924 - 10 de agosto de 1974) e “Roberto Figueiredo” (28 de agosto de 1955).
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웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* “Garfield e Odie” (1978), criações do cartunista americano: “Jim Davis” (28 de julho de 1945).
* “Mickey Mouse” (1928), do animador americano: “Walt Disney” (5/12/1901 - 15/12/1966).