Existem muitos mitos que resistem ao tempo, mesmo após o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” (que sempre foi o desejo da padronização das regras ortográficas, dos países de língua lusófonas, desde (1990), sendo ratificado pelo “Brasil” em (2008) e implementado em (2009).
O português é falado no “Brasil, além-mar” e em alguns países africanos. Diante destes mitos, o atual é argumentar se este “Acordo Ortográfico”, foi bom ou ruim? - pois, ele se baseia em mudanças necessárias, quais ajudam principalmente o ato de escrever em português. Agora, se tudo isso foi inútil e assim, continuaremos praticando a grafia anterior ao “acordo?” - são meras conjecturas.
Dizem que nos estados do “Sul”, temos o português mais correto do “Brasil”. Mas, este fato é uma verdade, ou mais uma destas balelas aceitas como verdade, por terem sido estes estados (em sua maioria), colonizados por europeus? De contrapartida, os maranhenses alegam ser eles, que falam o português mais correto, porém, os índices educacionais maranhenses, revelam o contrário, deste suposto domínio linguístico, exibido de maneira medíocre há décadas, pela turam do “ex-presidente do Brasil, José Sarney” (24 de abril de 1930).
Segundo o “IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”, a taxa de analfabetismo da população brasileira, com 15 anos ou mais, caiu de 7,2% em (2016), para 7,0% em (2017), mas, não alcançou o índice de 6,5% de (2015) e nada indica, que um índice nestes moldes aconteçam nos próximos anos, a tendência é o analfabetismo expandir.
Outra bobagem de grande prestígio, é esta que sustenta ser o português “a língua mais difícil do Mundo”. Fácil o português não é, assim, como não é fácil falar mandariam, alemão, polonês, russo, ou qualquer outro idioma. No entanto, todos temos inteligência suficiente, para o aprendizado de novas línguas, mas, nos baseamos sempre nos estrangeirismos, que colocam a errônea noção, de ser o inglês a língua fundamental a ser falada e copiada por todos no Mundo.
O certo, é que os americanos falam de modo “parco” o seu idioma, pois, acham desnecessário aprender qualquer outra língua, pois, os norte-americanos, são um povo ufanista, orgulhosos de seu hino, de sua bandeira e por serem monoglotas¹, é raro ver um cidadão americano legítimo, sabendo falar outro idioma. Os latinos e demais migrantes, que residem nos “EUA”, aprendem mais que os americanos natos, pois, são obrigados a falar o inglês (se tornando bilíngues), para assim, tentar “o sonho americano”, que muitas vezes, se transforma em pesadelo.
Nós brasileiros (por uma questão cultural), fazemos piadas de quase tudo e as loiras, acabaram sendo “crucificadas”, sendo o símbolo do nível de cultura precário do nosso País. Mas, o modelo de “loira burra”, nasceu baseado na estrela de cinema hollywoodiana, “Marilyn Monroe” (1° de junho de 1926 - 5 de agosto de 1962), mais um estrangeirismo do nosso povo, que adora falar: “Short, shopping, hot dog, diet” e pasmem, até a companhia de luz do “Rio de Janeiro” (que é 100% brasileira), se chama “Light”.
Cultura faz parte do todo, mas, as pessoas não percebem (ou fazem de conta que não percebem). Somos confrontados diariamente com a arquitetura barroca das nossas cidades históricas, com o linguajar rebuscado, dos nossos melhores escritores do passado, mesmo assim, as afirmações são categóricas o bastante, para dispensar a necessidade de provas inquisitórias, onde, quando o sujeito erra, ou desconhece o gênero de uma palavra, pronto, tudo está perdido... E lá vem a desculpa universal: “Ah, também, como é difícil a língua portuguesa. Se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses... Tudo teria sido bem melhor!” Mas, será que o queixoso em questão, se falasse holandês como língua-pátria, seria realmente mais culto? Ou seja, no “Brasil”, temos a crença que se tivéssemos sido colonizados de outra maneira, hoje seríamos mais sábios. Porém, a dificuldade da língua portuguesa não encontra solo fértil de outra nação, nem mesmo em “Portugal” (nação situada na “Europa”), mostrando-nos, que o problema não é da geografia de onde a língua se encontra.
Muitos dos nossos antepassados falavam o latim e o francês, apostando na boa cultura. O latim se tornou uma língua morta e o francês, nem de longe é um dos idiomas mais praticados no Mundo. Espanhol, italiano e até o japonês, são mais falados. Ninguém precisa ter encarado um idioma (em que se use declinação gramatical), para entender que o português seja tão complexo, ao ponto de necessitar de um acordo ortográfico (que ainda hoje), não funciona muito bem, pois, não é cortando acentos e o hífen, por exemplo, que construiremos um idioma mais cerrado entre nações irmãs.
Outro mito, diz respeito das agruras superlativas da língua portuguesa, que se tornaram um verdadeiro “bicho-papão”, amedrontando crianças, jovens e até adultos, que procurem um bom projeto de desenvolvimento educacional e social, que vá além da promoção de um maior acesso da população em cotas, nas Universidades (hoje, tudo via “ENEM”²). Temo até, que o “ENEM” vá acabar em breve, pois, ano após ano, este modelo de aplicação de provas, coleciona fraudes, fracassos e abstenções de alunos em sua realização.
As raízes da educação, consistem bem mais que avaliar alunos em provas, sendo com certeza também, mais profundas que conseguir escrever uma boa redação. Percebe-se aí, uma mistura tóxica de autocomplacência, autodepreciação, fuga da realidade e um monte de outras “desculpas esfarrapadas”, que podem ser ainda mais difíceis de derrotar, que nosso vicejante semianalfabetismo, que para a classe política, sempre será algo valioso, pois, enquanto existir uma cultura parva, existirão massas de manobra em direção das urnas eletrônicas, levando votos para essa gente sem decoro moral e sapiência intelectual.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ “Monoglota” é alguém (monolíngue), capaz de usar fluentemente apenas uma língua.
² “ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio”, constituído por provas e redação, realizada pelo “MEC - Ministério da Educação”, uma vez por ano no “Brasil”.
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웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* “Chico Bento” (1961), personagem do cartunista: “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935), inspirado em seu tio-avô, morador da cidade “Santa Branca” (interior paulista), no “Vale do Paraíba”.
* “Calvin” (1985), do cartunista americano: “Bill Watterson” (5 de julho de 1958).
* “Garfield e Odie” (1978), criações do cartunista americano: “Jim Davis” (28 de julho de 1945).