Quando eu era criança, o momento do ano que eu mais gostava, era o das férias escolares do meio e do final do ano, pois, minha mãe nos levava (eu e meus irmãos), para o interior de “Minas Gerais”, local onde residia minha amada “vó Lourdes” (mãe da minha mãe).
É engraçado, mas, todas as cidadezinhas do interior de “Minas” possui uma “Praça da Matriz”, com bancos de concreto (geralmente com nome de lojas da cidade, pintado neles), rodeados de um grande jardim, no centro um chafariz iluminado, um coreto e uma igreja, tudo “temperado” por aquele cheiro peculiar, de flores denominadas de: “Maria-Sem-Vergonha - Beijinho - Impatiens parviflora”, que exalam o seu olor com mais intensidade no período noturno, deixando toda a circunferência da praça com a sua forte fragrância.
Hoje, no entanto, não é necessário mais ir ao interior de “Minas”, para sentir o olor dessas plantinhas, pois, elas andam exalando seus “cheiros fortes” em qualquer lugar, porque, até essa “flor” perdeu sua beleza, pureza e encanto, além de mudar de lugar e nome. As “Maria Sem Vergonha”, hoje são conhecidas como “Piriguetes” e já não dão só mais em jardins e sim, em quartos de motéis ou lugares similares, onde não abrem mais os seus botões em flor, mas sim, abrem os botões das blusas... Os zíperes... As pernas.
É triste entender que a tecnologia ativou bem mais o pior do quê do melhor existente nos seres humanos, pois, no topo da tabela das pesquisas na Web, o que mais se vê é pornografia. Aí, um “blog”, por exemplo, nem sei em que plano fica (na procura), de tentar encontrar cultura na internet?
Vivemos em um Mundo onde a cultura se tornou supérflua, algo que as pessoas acreditam ser dispensável. Só que sem cultura, todos ficamos cegos, mudos e capengas.
Sou do tempo em que as pessoas escreviam cartas e ficavam felizes em receber as respostas, tudo no papel, escrito à mão, colocado no envelope, selado e enviado pelo Correio. Hoje em dia, nem e-mails as pessoas perdem mais tempo de escrever, mas, não escrevem (não por não gostar), mas sim, porque redigir um bom texto é trabalhoso. Dessa maneira, observamos os curtos escritos em diminutivos irritantes (nas “Redes Sociais e aplicativos”), tipo: “Twitter, Facebook e WhatsApp”, por exemplo, onde notamos claramente, quantos erros ortográficos existem (nas palavras), que são escritas completas, em tão curto espaço de texto.
Escrever uma carta de amor então, nem pensar, isso é mais brega que o amor que a “Bruxa do 71 - Dona Clotilde”, da série mexicana “Chaves”, sente pelo “Seu Madruga”. Mas, ficar na Web mandando “nudes”, isso é muito natural hoje em dia, até porque, é inevitável, quase todo mundo manda mesmo... E depois, “dão com os burros n'água”.
Dessa maneira, algumas pessoas, são outro tipo de “Marias”, porém, agora, além de “sem-vergonha”, são também “Maria-vai-com-as-outras”. Só que em alguns casos, dependendo para quem você manda as suas fotos, o resultado pode ser bem pior que o fatídico batom encontrado na cueca.
Hoje tudo se resolve na Web, pois, nem sexo em casa os casais fazem direito. 90% das pessoas (seja de qual faixa etária for), vivem com a cara enfiada na tela de um celular, esperando mensagens de “amigos”, que de tão leais (para não dizer letais), nem se visitam, ficando iludidos que “curtidas, likes e catucadas”, irão preencher suas vidas cheias de vazio.
Assim sendo, recapitulando aquilo que disse anteriormente, lá no início do texto... Quando eu era criança, o momento do ano que eu mais gostava, era o das férias escolares do meio e do final do ano, pois, minha mãe nos levava (eu e meus irmãos), para o interior de “Minas Gerais”, local onde residia minha amada vó “Lourdes” (mãe da minha mãe), pois, nas férias eu ia ser criança, jogar bola, soltar pipa, nadar, adar a cavalo, subir nas jabuticabeiras, nas mangueiras, correr, brincar de pique, mas, tudo convivendo com amigos reais, com primas(os), gente da mesma idade e não com os amigos “Gasparzinhos”¹, que as pessoas criaram em suas vidas, neste “Universo Paralelo”, que se transformou a Web em nossas vidas.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ “Casper - Gasparzinho, o Fantasminha Camarada”, é uma criação do roteirista americano: “Seymour Victory Reit” (11 de novembro de 1918 - 21 de novembro de 2001), em parceria com o cartunista americano: “Joseph Joe Oriolo” (21 de fevereiro de 1913 - 25 de dezembro de 1985).
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* “Ramón Antonio Estebán Gómez de Valdés y Castillo - Don Ramón - Seu Madruga” (2 de setembro de 1923 - 9 de agosto de 1988) e “María de los Ángeles Fernández Abad - Angelines Fernández - “Doña Clotilde - Dona Clotilde, Bruxa do 71” (9 de julho de 1922 - 25 de março de 1994), personagens do seriado da TV mexicana dos anos (1970): “El Chavo del Ocho - Chaves”, criado, roteirizado, dirigido e estrelado pelo mexicano: “Roberto Gómez Bolaños - Chespirito” (21 de fevereiro de 1929 - 28 de novembro de 2014).
* “Garfield e Odie” (1978), criações do cartunista americano: “Jim Davis” (28 de julho de 1945).