O “Blogger” deu um “upgrade” nas configurações dos “blogs”. Muita gente gostou, outros nem tanto, o certo é que continuamos ativos na “blogosfera”.
Estamos sempre demovidos na tentativa de alcançar bem-estar, seja mandando pintar a casa/apartamento, mudando um móvel de lugar, com um corte de cabelo diferente, etc...
O Mundo de antes da pandemia não volta mais e, este tal de “Novo Normal”, eu desconfio que ninguém sabe onde fica? Assim sendo: “Vou-me embora pra Pasárgada; lá sou amigo do rei; lá tenho a mulher que eu quero; na cama que escolherei...”
E o “Rei da Pérsia” existiu mesmo, era “Ciro II” (4 de dezembro de 559 a.C. - 4 de dezembro de 530 a.C.), mas, é óbvio que o poeta multitarefas brasileiro, “Manuel Bandeira”, não conheceu este imperador pessoalmente, mas, como um bom estudioso que era, revelou não só a veracidade da existência de “Ciro II”, quanto da cidade de “Pasárgada” (em persa: پاسارگاد), qual deu origem ao célebre poema: “Vou-me Embora Pra Pasárgada”, do livro: “Libertinagem” (1930).
“Pasárgada”, foi a primeira capital da “Pérsia Aquemênida” e, coexistiu com as demais cidades/capitais de seu tempo, dado que era costume persa, manter várias capitais em simultânea funcionalidade, devido ao império ter um vasto território ocupado, consistindo de: “Ecbátana, Susa e a bíblica Sárdis” (em grego: Σάρδεις), citada em: “Apocalipse” (3:1-6). Hoje a grafia da cidade é “Sardes”, sendo considerada “Patrimônio Mundial da Unesco”, devido ao seu valoroso acervo histórico.
Porém, antes deste reconhecimento histórico persa, “Pasárgada” e outras cidades, foram locais de orgias eméritas de “Ciro II” e seus asseclas, qual deixou o nosso poeta pernambucano encantado, em supor poder ter sido amigo do rei, tendo qualquer mulher que quisesse na cama que escolheria.
Nada aconteceu, como descrito no poema... Mas, “Manuel Bandeira” sempre pensou, o quê ele não perdeu, por não ter sido contemporâneo de “Ciro II”.
“Vou-me Embora Pra Pasárgada” (1930)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei.
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive.
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada.
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
°°°
* “Vou-me Embora Pra Pasárgada”, do poeta “Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho” (19 de abril de 1886 - 13 de outubro de 1968), declamado pelo saudoso diretor de teatro, ator e apresentador de TV brasileiro: “Antônio Abujamra” (15 de setembro de 1932 - 28 de abril de 2015).