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Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, vocês trariam um inimigo para dentro de casa, compartilhariam todos os tipos de informações pessoais com ele e, no fim do dia, levaria este “inimigo íntimo” para a cama? A resposta mais provável será não, mas, a mais precisa é sim, porque, o teu “inimigo íntimo” está em tuas mãos; ele te alegra, te traz informações, entretenimento, dicas, música, muita bobagem e “polarização”.
O teu “inimigo íntimo” é amigo dos “terraplanistas”, aquelas pessoas que frequentemente rejeitam explicações científicas estabelecidas sobre a Terra ser redonda, acreditando que são conspirações mundiais; o teu “inimigo íntimo” promove a comunidade chamada “Red Pill”, que acredita que a igualdade foi alcançada pela segunda onda do feminismo em benefício das mulheres e nutre ódio pelo movimento feminista.
O “Smartphone” é provavelmente o objeto mais paradoxal já criado. É o primeiro objeto que tocamos ao acordar e o último antes de dormir, ocupando um espaço de intimidade que antes era reservado a diários trancados a sete chaves e, hoje, inacreditavelmente, a maioria das pessoas expõem abertamente detalhes de suas vidas nas “Redes Sociais”. No entanto, esta proximidade esconde uma dualidade perigosa: o celular se tornou nosso "inimigo íntimo".
Este dispositivo que nasceu¹, como uma ferramenta de libertação, com a promessa de estarmos conectados a qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mas, na prática, ele muitas vezes nos aprisiona, roubando a profundidade do momento presente, onde estamos todos juntos e separados ao mesmo tempo. Ou seja, há uma conexão contraditória neste “dispositivo mágico”, onde encontramos milhares de pessoas em “pequenas solidões”, pois, temos mil amigos virtuais, mas, atualmente, raramente olhamos nos olhos da pessoa sentada à nossa frente.
O “Smartphone” oferece conhecimento e entretenimento; é nele que temos museus, shoppings, cinemas e muitas outras formas de diversão, tudo ao alcance dos nossos dedos. No entanto, a maioria das pessoas prefere usá-lo para “rolar feeds” intermináveis e superficiais que serão esquecidos minutos depois.
Esta produtividade ilimitada gera muita ansiedade: as atividades estudantis e o trabalho agora nos seguem até o quarto, confundindo a linha entre descanso e o dever.
Este “inimigo íntimo” conhece nossos segredos, nossos medos, sabe o que buscamos no “Google”, nos apresentou à “I.A.” e define nossos desejos (através do que compramos online). Ele vive em nosso bolso, sente o calor do nosso corpo e ouve nossas conversas. Esta intimidade gera uma dependência quase biológica; a ausência do dispositivo causa “nomofobia”², gerando ansiedade física e mental.
Nosso “inimigo íntimo” é um mestre da “economia da atenção”. Grandes corporações gastam bilhões para entender como manter seus olhos grudados na tela luminosa, usando mecanismos de recompensa cerebral (dopamina) semelhantes aos dos jogos de azar.
O “inimigo íntimo” não nos ataca de frente; ele nos seduz com notificações coloridas, emojis e memes de gatinhos fofos, prometendo que a próxima publicação finalmente nos trará satisfação e “likes”.
Precisamos encontrar uma trégua, porque, não se trata de jogar o aparelho no lixo; afinal, ele é caro e (se usado corretamente), é útil, servindo como um banco para pagar nossas contas, um mapa (GPS), para nos ajudar a chegar aos nossos destinos, uma playlist para organizar nossas músicas favoritas e nosso ponto de contato instantâneo com aqueles que estão longe. O desafio é impor limites a este “amigo” invasivo. Trata-se de retomar o controle da nossa própria atenção e entender que estar disponível para o Mundo inteiro o tempo todo, significa muitas vezes, não estar disponível para nós mesmos.
A tecnologia deve ser uma extensão das nossas capacidades, não um substituto para a nossa humanidade. O segredo para desarmar este “inimigo íntimo”, é tratá-lo novamente pelo que ele realmente é: uma ferramenta, não um “oráculo”.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O primeiro aparelho celular comercial do Mundo foi o “Motorola DynaTAC 8000X”, lançado no final do ano de (1983). Embora a primeira chamada tenha sido feita em (3 de abril de 1973), por “Martin Cooper” (26 de dezembro de 1928), engenheiro elétrico e designer americano considerado o “pai do telefone celular”. Ou seja, comercialmente o celular só apareceu onze anos mais tarde, sendo um aparelho muito grande (“tijolão”), pesando quase 1 kg. O primeiro celular com acesso à Internet foi o “Nokia 9000 Communicator”, lançado em (15 de agosto de 1996), ele permitia navegação básica via redes GSM e, apesar de ser pesado e caro, foi um marco na transição para os “Smartphones” modernos. Mas, à Internet móvel só começou a se tornar viável no final da década de (1990 e início dos anos 2000), com o surgimento da “banda larga 2G” e tecnologias de aparelhos menores e mais flexíveis, como o “Blackberry e o iPhone”.
² O neologismo “Nomofobia” vem do inglês: “no mobile phobia”, ou seja, medo de ficar sem o celular.
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