Por ser filho de pais mineiros eu posso falar com propriedade sobre este assunto. Sim, mineiros são mesmo seres privilegiados por natureza, pois, os ETS tinham o Mundo inteiro para visitar, porém, escolheram a dedo, a cidade interiorana do Sul de Minas - Varginha, porque, lá chupariam umas cabras e comeriam pão de queijo à vontade.
Aliás, segundo revelam recentes pesquisas da NASA - National Aeronautics and Space Administration, em breve será inaugurada uma Casa do Pão de Queijo em Marte. Mas, como dizem os mineiros: “Vamos parar de prosa fiada”. Assim sendo, Vou direto ao que interessa. O assunto hoje no ®DOUG BLOG, terá a ver também com a Maçonaria. Mas, o que tem os mineiros com relação aos Maçons? Bem, vou dar a opinião que escutei (anos atrás), do meu sábio e saudoso pai Walter, pois, ele foi um mineiro que se orgulhava em ser das “Gerais”.
A explicação do meu pai, dá conta que U.A.I., iniciais de União, Amor e Independência, lema Maçom, era um código desta irmandade. Assim, com a maior parte dos soldados da Inconfidência Mineira sendo integrantes de Lojas Maçônicas, eles criaram um código secreto, para tentar burlar a vigilância dos soldados portugueses, encontrando desta maneira, um jeito de se proteger de uma possível prisão. Então, para que a porta dos locais marcados para os encontros secretos da maçonaria fosse aberta, eram dadas três batidas específicas (batidas tradicionais dos Maçons e quem estava na parte de dentro do recinto perguntava: “Quem vem lá?” A resposta (código), de quem estava do lado de fora era: “U.A.I.” (falada de maneira pausada e sussurrada, letra após letra) e assim, como num passe de mágica, a porta se abria, para que o irmão Maçom pudesse adentrar ao recinto.
Este código foi criado, pois, a coroa portuguesa não gostava dos Maçons, mesmo que Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon... (UAI, pensei que este nome não acabasse mais!)... Ou simplesmente, D. Pedro I¹, tenha sido inclusive o criador do hino da maçonaria.
Existe uma outra versão mais popular de como UAI entrou no vocabulário do “minereis”² (que já foi tema de uma postagem aqui no ®DOUG BLOG). Segundo esta versão, devido a instalação da multinacional inglesa: Imperial Brazilian Mining Association, primeira empresa de capital estrangeiro a se instalar em Minas Gerais e que de partida, adquiriu a Mina de Ouro de Congo Soco³, que foi explorada entre (1824 até 1856). Durante este período, esta localidade se transformou numa autêntica colônia inglesa. Aí, a expressão UAI pode ser atribuída ao convívio com os ingleses, que residiram em Minas Gerais neste período, que comungou com a utilização por parte dos mineiros da interjeição UAI, qual possui semelhante fonética e semântica com o vocábulo “Why” (utilizado na língua inglesa), com o mesmo sentido do nosso “por quê?” - e como os ingleses não entendiam o que os mineiros falavam e muito menos, os mineiros entendiam patavina do que os ingleses diziam, algumas expressões passaram a ser ditas com frequência pelos mineiros, na tentativa de se comunicar com os ingleses, como, por exemplo, “Where” (“Uér”), “Why” (“Uai”) e “So” (“Sô”). Era o que entendiam e conseguiam falar, daí se popularizou também o “UAI SÔ?”/“Why So?” (“Por que Assim?”).
Com a saída da fábrica inglesa do Brasil, a maior parte dos ingleses também foi embora, mas, deixaram por aqui, parte de seu vocabulário e da sua cultura.
Não existem comprovações oficiais sobre a origem do UAI. A herança que ficou, são opiniões iguais a do meu pai, estudos, Teses defendidas por professores e pesquisadores. Até o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (12 de setembro de 1902 - 22 de agosto de 1976), que nasceu em Diamantina, se empenhou em mandar estudar a origem desta expressão.
Um mineiro quando diz: “trem, bão dimais dá conta”, “Sô” e “Émezzzz”, por exemplo, está utilizando palavras que se tornaram dialetos da cultura de Minas Gerais. Mas, o UAI, é uma palavra multiuso, pois, ela significa interrogação; hesitação; admiração; medo (susto/terror); impaciência; etc...
Alguns mineiros acreditam que o “G” do nome do físico, matemático, astrônomo e filósofo florentino, Galileu Galilei (15 de fevereiro de 1564 - 8 de janeiro de 1642), tem a ver com Gerais de Minas Gerais... “Uai sô... Serámezzzz?” Outros dizem que os dois “gês” do nome de Galileu Galilei, dão origem ao símbolo da maçonaria (na letra “G” que aparece entre o compasso e o esquadro). Este sim, é um fato “comprovadim, né, UAI!”
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Sua Alteza Dom Pedro de Alcântara (12 de outubro de 1798 - 24 de setembro de 1834), Príncipe Regente do Brasil, foi iniciado conforme prescrevia a liturgia maçônica, prestando juramento e adotando o nome de Guatimozín (referente ao último imperador asteca Cuauhtémoc). Assim sendo, em (4 de outubro de 1822), Dom Pedro I foi aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.
³ Congo Soco - município de Barão de Cocais, a 76 quilômetros de Belo Horizonte, era propriedade de João Baptista Ferreira de Souza Coutinho, conhecido por: Barão de Catas Altas (18 de outubro de 1775 - 31 de maio de 1839). Barão de Catas Altas foi um título criado pelo imperador D. Pedro I, por decreto, na data do quinquagésimo quarto aniversario do amigo (18 de outubro de 1829), a quem o imperador chamava intimamente de: Coutinho.
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* Garfield e Odie (1978), criações do cartunista americano: Jim Davis (28 de julho de 1945).
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