Acho que todo mundo já assistiu na TV, no “Programa do Chaves”, a celebre frase da “Dona Florinda”, quando ela diz ao seu filho “Quico”: “Tesouro, não se misture com essa gentalha!” - para que assim, ele fique longe do “Seu Madruga, da Chiquinha e do Chaves”, principalmente.
Eu sempre respeitei todas as pessoas e, sempre achei que as mais simples (que residem nas roças principalmente), seriam as mais cordiais. Porém, as coisas não acontecem bem assim, pois, existe “gentalha” fora do “Programa do Chaves”, até nos confins do Mundo.
Particularmente, gosto de gente que acorda de bom humor, que caminha sozinho e consegue rir de si mesmo, lembrando das bobagens da vida. Eu gosto de gente positiva e verdadeira, aquele tipo de gente, que não urde um sentimento e que de tão boa, chega a transbordar alegria. Sim, eu gosto de gente engraçada, que sorri por conta de nada, gente que solta muitas gargalhadas, diante das situações mais inusitadas da vida. Gente que “se faz de bobo para viver” entre os que se acham muito espertos.
Gosto de gente simples, que anda de bicicleta (mesmo que eu não saiba andar de bicicleta para acompanhar). Gosto de gente que toma café sem parar e, que se diverte tomando sorvete até se lambuzar. Gosto de gente decente, que fala o que pensa, gosto de gente alegre, que não tá nem aí para a tristeza, mas, que sabe chorar quando necessário.
Gosto de gente educada, que pede licença, que diz: Bom dia! Muito obrigado! Com licença! e Por favor! - gosto de gente que se aventura por ai e não tem medo de quase nada, gente ousada, intrépida e intensa, que sabe o que quer. Gosto de gente que ama, que tropeça, mas, gosto principalmente de gente que: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Gosto de gente que sempre me olha nos olhos, gente que guarda no coração só sinceridade. Gosto de gente humilde que reconhece os erros, na busca infinda dos seus acertos. Gosto de gente que me faz dançar sem música, que me faz sentir bem quando eu estou pra baixo e que segura as minhas mãos, quando percebe meus medos.
Gosto de gente que sente um pouco de ciúmes, que nunca emburra, mas, que quando isso acontece, desfaz o bico ao receber um cafuné. Eu gosto de gente simples, que se dispersa vendo aonde as formigas vão carregando algumas folhas (quais, servirão de alimento para elas mais tarde). Gosto de gente que gosta de gente, que tropeça e sai correndo, fingindo que estava simulando uma queda. Gosto de gente meio estranha, que olha dos dois lados de uma rua de mão única, na hora de atravessar, pois, é como dizem: “Cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém!” e “Seguro morreu de velho!” - gosto de gente sem frescuras, de cabelos arrepiados, que vive com cara de sono, “gente fina” de sorriso largo e franco, com um coração de mãe, onde sempre cabe mais um.
Eu simplesmente gosto de gente. Mas, aprendi duramente, que nem sempre essas “pessoas especiais”, simplórias (aquelas, dos idos tempos da vovó), ainda existam, porque, hoje em dia, até nas roças, algumas pessoas “sem noção” andam rudes. Gente que polui as águas claras da localidade, tornando tudo em um “rio preto”, pois, a arrogância anda de “carro velho”, transita por uma estrada de terra de três quilômetros e ainda precisa passar por uma pinguela de madeira bem perigosa.
Esta “gentalha” que está além da pinguela, não sabe brincar, faz tudo de caso pensado, para humilhar, igual a “Dona Florinda - do Chaves”pois, pois, ao invés de uma bola, são capazes de nos dar uma melancia para cabecear.
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웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* “El Chavo del Ocho - Chaves no Brasil”, seriado da televisão mexicana dos anos (1970), criado, roteirizado, dirigido e estrelado pelo mexicano: “Roberto Gómez Bolaños - Chespirito” (21 de fevereiro de 1929 - 28 de novembro de 2014). Os moradores da vila são: “Seu Madruga, Dona Neves e Chiquinha” (casa 72); “Dona Clotilde - apelidada de: Bruxa do 71”, devido sua aparência e o número de sua residência (casa 71); “Dona Florinda e seu filho Quico” (casa 14); “Glória e sua sobrinha Paty” (casa 24) e posteriormente, o carteiro “Jaiminho e Dona Edwiges - apelidada de: Louca da Escadaria”.
“Garfield e Odie” (1978), criações do cartunista americano: “Jim Davis” (28 de julho de 1945).