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Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, vocês já pararam para pensar o quanto a humanidade é estranha? Por que ter medo de gatos pretos, por exemplo?
Somos um banquete... e cada um de nós é um ingrediente com seu próprio sabor específico. Nos dividimos em quatro grupos principais de temperamentos humanos. Somos um reality show de personalidades anônimas, com um elenco de tirar o fôlego (ou a nossa paciência).
Colérico
Existe o ser colérico. É ele quem organiza o churrasco de amigos e família. Se a vida é uma batalha, o colérico já chegou ao campo de batalha como se fosse um “drone antiaéreo” de soluções. É a pessoa que não perde tempo, assume a liderança e começa a dar ordens. Num churrasco em casa, ele não pergunta se você quer a carne malpassada ou bem passada; ele simplesmente decide por você. Afinal, ele sabe o que é melhor “para Deus e para o mundo”. É o tipo de pessoa que, se as brasas estão apagando, não reclama; ele as sopra. Ou melhor, encontra outra pessoa para soprar as brasas quase mortas, mas, sempre com um tom furioso na voz, porque, sua paciência é curta, porém, sua capacidade de fazer as coisas é imensa. O colérico sempre repete: “É urgente!” — mas, não por raiva, é apenas eficiência bruta.
Sanguíneo
Já o sanguíneo é como um mestre de cerimônias em eventos. Se o colérico é o “poderoso chefão”, o sanguíneo é a alma da festa ou o “arroz de festa”¹. É o primeiro a chegar e o último a sair. Pode até fazer amizade com os cães de guarda da segurança e, em cinco minutos, já sabe como é a vida do caseiro. Parece uma “abelha social”, voando de flor em flor, distribuindo sorrisos e piadas boas (e algumas nem tanto). Sua memória para compromissos é como um sinal de Internet rural, mas, sua memória para fofocas é impecável. Se você precisa de alguém para animar o ambiente, o sanguíneo é a pessoa certa. Se precisa que ele chegue na hora certa, é melhor mandar a mensagem com três dias de antecedência, e mesmo assim, pode não dar certo. Um sanguíneo não é nada britânico; ele perde a hora das provas, perde o voo e, se bobear, acaba indo ao churrasco do amigo colérico no sábado seguinte. A frase favorita do sanguíneo é: “A vida é uma festa sem horário certo!”
Fleumático
O fleumático é quase um monge zen-budista. Num mundo de caos, o fleumático personifica a calma. Enquanto os outros correm de um lado para o outro, ele observa com parcimônia. O fleumático não é lento; move-se ao seu próprio ritmo, como um gato à espreita, o que combina perfeitamente com a sua paz interior. Num churrasco, é ele quem fica de olho nas asas de frango para garantir que não queimem na brasa. É o pacificador oficial do grupo; se o colérico e o sanguíneo estão discutindo, ele simplesmente oferece uma cerveja ou refrigerante a cada um e muda de assunto, encerrando a discussão. O fleumático é leal, confiável e tem uma paciência invejável. O único problema, é que agindo assim, demora a entender o pensamento dos outros, pois, é ácido e expressa opiniões fortes, o que muitos atribuem à ironia e ao sarcasmo, mas, nem sempre é assim. A frase favorita do fleumático é: “Nada é para ontem... muito menos para hoje!”
Melancólico
Uma pessoa melancólica, à primeira vista, é geralmente considerada alguém triste, mas, metaforicamente, na sociedade, é um artista dramático, o poeta e filósofo do grupo. É aquele que se senta num canto de uma festa e fica observando tudo, analisando cada detalhe e provavelmente imaginando uma tragédia épica sobre a falta de sal grosso na carne do churrasco ou a cerveja que está esquentando, sozinha na mesa. O melancólico não é triste, mas sim, é profundo. Pensa em tudo, planeja cada passo e se preocupa com cada detalhe. É extremamente perfeccionista e, portanto, a execução de uma tarefa pode levar anos. Mas, quando concluída, é uma obra-prima. Se o sanguíneo é a abelha, o melancólico é o pavão. Não voa, mas, exibe a beleza de seus detalhes taciturnos. A única coisa que desconcerta o melancólico, é a imprevisibilidade; a invisibilidade que frequentemente ocorre, não o incomoda. Sua frase favorita é: “E este ano que nunca acaba!”
Então, qual destes temperamentos é você? Ou melhor, qual é a tua combinação favorita neste banquete maluco da vida?
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[NOTAS FINAIS ®BLOG DOUG]
¹ “Arroz de festa” refere-se a um ditado popular que requer três explicações. 1) A tradição de jogar arroz nos noivos ao saírem de um casamento. 2) Aqueles que adoram festas, sendo os primeiros a chegar e os últimos a sair. 3) Para Câmara Cascudo (30 de dezembro de 1898 - 30 de julho de 1986), antropólogo e grande colecionador de expressões populares, a origem deste ditado popular vem do arroz-doce, sobremesa quase obrigatória nas festas do século XIV, muito apreciada pelos paladares portugueses e brasileiros. A iguaria logo se tornou sinônimo daqueles que nunca perdem uma celebração. Mas, à medida que o arroz-doce gradualmente deixou de ser o principal deleite nos bailes da corte, a expressão mudou para: “arroz de festa”.
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:
* Luis Fernando Veríssimo.
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| 💬 Eu simplesmente não consigo beber água da torneira. É muito difícil! 💬 É extremamente fácil... Me mostra como você está fazendo! 💬 OK! |
DESPEDIDA
Descanse em paz... “EXTRAORDINARÍSSIMO”. O meu amigo Luis Fernando Veríssimo (26 de setembro de 1936 - 30 de agosto de 2025), era como eu: fleumático e com um senso de humor aguçado.
Luis Fernando Veríssimo (no futebol), era colorado e botafoguense e, apesar de ser gaúcho, não gostava de chimarrão; amava música e tocava saxofone nas horas vagas, fazendo shows e gravando discos com a banda Jazz 6, conhecida como o “menor sexteto do mundo”, por ter apenas cinco integrantes... mais ele. Veríssimo dizia: “Todos os músicos da banda são profissionais; o único amador sou eu, que sou metido a músico!”
O multitarefas, morreu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, um mês antes de completar 89 anos.
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