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sábado, 29 de agosto de 2026

“Farmar Aura e Six Seven”

Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, vejo com preocupação jovens e adultos se perdendo no automatismo de telas, com metas de produtividade e conexões superficiais que substituem a convivência real.

Entre as tendências e modas estranhas da atualidade, destaca-se o conceito de “Farmar Aura” e “Six Seven”. Qualquer pessoa que passe tempo nas Redes Sociais ou interaja com jovens nascidos na Geração Z (1997–2009), ou na Geração Alpha (2010–2025), provavelmente já ouviu estas expressões.

E é “Farmar Aura” mesmo e não “FORMAR Aura”. O termo se tornou muito popular em (2025) e continua em voga, podendo parecer confuso à primeira vista, mas, que revela muito sobre como a imagem pessoal dos jovens é construída e percebida na Internet... uma completa perda de tempo útil.

O verbo “farming” (“farmar”, em português), vem diretamente de videogames como: “Minecraft”, “World of Warcraft” e “Fortnite”. Nestes ambientes, “farmar” significa realizar tarefas repetitivas para acumular recursos, pontos ou experiência. O termo remete ao conceito da “fazendinha” (“farm”), uma área de cultivo agrícola que aparece frequentemente nestes jogos; já a “aura” é entendida como o carisma, a presença, a energia ou a “vibe” que uma pessoa projeta.

Portanto, “Farming Aura” (“Farmar Aura”), significa agir de maneira a acumular “pontos de estilo”, construindo a imagem de alguém interessante, inspirador ou descolado (“cool”). É como se a pessoa estivesse constantemente elevando seu nível de admiração aos olhos dos outros, seja por meio de um esforço ativo ou não. “Sigma” é o termo usado para quem consegue “Farmar Aura” com sucesso, enquanto “Beta” refere-se a quem falha nesta missão.

Mas, na cabeça dos jovens, “Farmar Aura” é algo importante, sendo baseado em séries de animes como: “Naruto”¹, “Dragon Ball”¹ e “Bleach”¹, onde personagens ampliam seus poderes, seu “ki” ou “chakra”, ficando cercados por uma aura que os torna mais fortes. Da mesma forma, os jovens entendem que alguém “farmando aura” parece ser misterioso ou marcante, é alguém que ignora elegantemente algo que outra pessoa disse ou fez. Ou seja, este jovem está sendo descolado diante dos demais.

Em suma, “farming aura” é uma gíria da Internet para o ato de acumular carisma, estilo ou uma presença marcante de maneira irônica ou lúdica. É um termo frequentemente usado por jovens, tanto online quanto na vida real e já tem muito marmanjo repetindo esta bobagem por aí.

Veja a que ponto a humanidade chegou: enquanto os idosos enfrentam o isolamento pelo esvaziamento dos papéis sociais, a dispersão familiar e a velocidade do mundo digital que muitas vezes os exclui, estamos drenando as cores do arco-íris para “50 tons de cinza”, enquanto os jovens, online, estão “farmando aura”, achando que esta tolice de ficar fazendo diversos gestos com as mãos, conta como uma evolutiva interação social

Além de “Farmar Aura”, esta garotada também anda fazendo gestos com as mãos no ritmo da tendência “Six Seven”, que começou como um meme esportivo surgido no TikTok. Foi uma combinação de uma música do rapper americano Jemille Marrail Edwards, conhecido profissionalmente como Skrilla (3 de junho de 1999), que destaca a altura do armador do Minnesota Timberwolves, LaMelo LaFrance Ball (22 de agosto de 2001), que mede 6 pés e 7 polegadas (cerca de 2,01 metros), ou “Six Seven” (em inglês) e um vídeo do adolescente americano, Maverick Trevillian (29 de maio de 2011), apelidado de “The 67 Kid” nas Redes Sociais, que apareceu olhando para a câmera (num jogo de basquete onde LaMelo Ball atuava), fazendo gestos com as mãos a cada boa jogada do armador, gritando repetidas vezes: “Six Seven”, transformando esta frase em uma febre mundial entre crianças e adolescentes.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]

¹ “Naruto” exibido (de 3 de outubro de 2002 a 8 de fevereiro de 2007), pela TV Tokyo - Japão, totalizando 220 episódios na fase clássica; “Dragon Ball” é um anime clássico exibido originalmente no Japão (de 26 de fevereiro de 1986 a 19 de abril de 1989), na Fuji TV, totalizando 153 episódios; o anime “Bleach” foi exibido originalmente (de 5 de outubro de 2004 a 27 de março de 2012), pela TV Tokyo. Atualmente, a história continua sendo transmitida através da sua saga sequência. A série Clássica, conta com 366 episódios e a Série Sequência (“Bleach: Thousand-Year Blood War”), estreou (em outubro de 2022), para adaptar o arco final do mangá, sendo dividida em quatro partes, com encerramento programado para o fim
do ano (2026).

 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

“Meu Amigo e Seguidor Robô”

Meus amigos e amigas (não robôs), do ®DOUG BLOG, a percepção de que as plataformas de Redes Sociais são “cidades fantasma” não está longe de ser verdade e, toca em um ponto real e amplamente debatido na cultura digital: embora bots (robôs) e contas inautênticas não representem a totalidade da Internet, eles constituem uma parcela enorme do ecossistema das Redes Sociais, e existe uma clara complacência coletiva em querer acreditar que este problema é menor do que apresenta ser.

Auditorias de dados cibernéticos, indicam que uma grande proporção de influenciadores digitais de renome é diretamente afetada por seguidores imaginários, com números impressionantes que chegam a quase 60%, no caso da empresa Meta Platforms (que detêm usuários com mais de um milhão de seguidores).

A Meta Platforms, empresa que administra o monopólio de Mark Elliot Zuckerberg (14 de maio de 1984) - Facebook; Instagram; WhatsApp; Messenger; Oculus (empresa de realidade virtual); Threads; Workplace, Portal (dispositivo de videoconferência) e Meta AI (assistente virtual integrada as plataformas), enfrenta uma mega-ação judicial histórica nos Estados Unidos, que consolida milhares de processos movidos por usuários, distritos escolares e procuradores-gerais de 29 estados. O litígio acusa principalmente Instagram e Facebook de utilizarem designs deliberadamente viciantes para prejudicar a saúde mental de crianças e adolescentes e rolagem infinita de imagens e Stories.¹

Usuários comuns e criadores de conteúdo buscam reconhecimento social e validação por estatísticas; ao fazerem isso, alimentam um mercado ativo de pacotes de automação, curtidas e comentários gerados por empresas de bots. Quanto mais seguidores alguém tem, maior a monetização. Consequentemente, na mente destes “profissionais da web”, vale a pena investir na compra de “seguidores fantasma”, pois, isso lhes permite monetizar mais e adquirir ainda mais “amigos seguidores robôs”. E assim, pouco se importam com o fato de que Mark Zuckerberg estar enfrentando processos judiciais por má conduta e pela monopolização indevida de sua empresa e seus “tentáculos”.

No Brasil, as atividades de Startups que vendem bots, os quais fornecem seguidores e engajamento artificial por meio de sistemas automatizados (“seguidores fantasma”), não são tipificadas como crime específico no Código Penal; no entanto, são consideradas infrações de natureza civil e comercial. Contudo, até mesmo o Judiciário brasileiro faz vista grossa, deixando de proibir expressamente as operações destas empresas ou de impor sanções que vão além de simples multas, uma vez que este mercado gera receitas vultosas, tornando vantajoso para as Startups pagar estas multas judiciais quando elas ocorrem. Entre os pares destes tribunais, há muitos usuários de Redes Sociais com milhões de seguidores, milhares dos quais são, sem dúvida, “seguidores fantasma” (bots comprados). Assim, punir empresas deste setor equivaleria acariciar com a mão direita da justiça, enquanto se atiraria pedras com a esquerda.

Mesmo sabendo que parte da audiência das Redes Sociais é falsa, o cérebro humano prefere aceitar o número inflado a encarar a irrelevância estatística. Perfis com grandes números de seguidores (mesmo aqueles compostos por bots), atraem milhares de humanos reais, que presumem que a conta é relevante simplesmente pelo seu tamanho.

Este cenário alimenta uma teoria da conspiração genuína da era digital, conhecida como “Teoria da Internet Morta” (“Dead Internet Theory”). Esta teoria sugere que a maior parte do conteúdo, das interações e das postagens na Web não é mais gerada por humanos, mas sim, por I.A. (Inteligência Artificial) e bots que interagem entre si para simular atividade e captar a atenção de pessoas reais. Neste panorama, em que ninguém está realmente conversando com ninguém, os anunciantes também são enganados, pois, seus produtos e serviços são exibidos em milhões de páginas operadas por bots que não consomem nada além da nossa paciência.

Para identificar este comportamento automatizado no dia a dia, analistas de dados recomendam observar padrões que fogem aos dos humanos: contas com 500 mil seguidores, por exemplo, que geram apenas 10 ou 15 curtidas por foto; o uso excessivo de emojis ou frases repetitivas e desconexas (como: “Incrível!” e “Top!”), em postagens que exigiriam respostas mais elaboradas; e seguidores que não possuem foto de perfil nem postagens originais, mas, seguem milhares de pessoas, embora tenham um número ínfimo de seguidores.

As Deepfakes,² este mecanismo de criação de usuários falsos com conteúdo impressionantemente próximo da realidade, é outra “fábrica de seguidores” que alimenta egos inflados. Seguir perfis falsos, ilustra bem como a Internet e sua exploração intensiva do vazio cultural, presente nas Redes Sociais, fomenta uma profunda alienação social em vez de uma conexão genuína, indo na contramão da própria essência que a “rede” sugere... ser social. Em meio à superficialidade, à perda de privacidade e à natureza espetacularizada da vida em bolhas, fatores que levam muitos a sentir que nossa existência cotidiana perdeu a autenticidade e que permanecemos aprisionados na engrenagem de engajamento artificial do mundo digital, que tritura impiedosamente os próprios egos construídos por “amigos e seguidores robôs”.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]

¹ Stories são publicações em formato de foto ou vídeo curto que somem após 24 horas. Criados inicialmente pelo Snapchat e popularizados pelo Instagram Stories, o recurso é usado para mostrar momentos do dia a dia, bastidores e conteúdos interativos para os seguidores.


² Deepfake, é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com a ajuda de I.A. - Inteligência Artificial. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa em cena pode ser trocado pelo de outra; ou o que a pessoa diz pode ser modificado, usando a voz original da pessoa que é dublada pela I.A.


웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO:

Bender Bending Rodriguez é um personagem robótico da série de televisão animada Futurama, criada pelo cartunista americano Matthew “Matt” Abram Groening (15 de fevereiro de 1954) e pelo roteirista americano David Samuel Cohen, mais conhecido como David X. Cohen (13 de julho de 1966).


 

sábado, 15 de agosto de 2026

“Clipes e Eclipse”

Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, algumas palavras com sonoridade semelhante sempre complicam a vida das pessoas e as mergulham em total “escuridão”. Examinemos a conversa da trindade: Pai Johan, Mãe Elaine Jane e filho Stephen.

💬 Pai, como se chamam esses grampos de prender papéis
que você está usando?
💬 É clipes¹,
meu filho!
💬 E como se chama quando a lua cobre o sol?
💬
Eclipse², meu filho!
💬 Então, é a mesma coisa?
💬 Não, Stephen, a mesma coisa é um caminhão cheio de chineses.
Jane, ouvindo a conversa entre o marido e o filho, diz:
💬 
Johan, homem de Deus, que jeito de responder é esse? Isso é preconceito.
Isso não pode mais em pleno século XXI!
💬 Tá bom... tá bom... Elaine Jane... então, filho, é um caminhão cheio de japoneses. (risos)
💬 Afff... Johan, o que você acabou de dizer é a mesma coisa.
E é clipe no singular, ‘é clipes’ no plural, são clipes. (risos)
💬 Não é a mesma coisa nada, Elaine Jane... japonês é japonês, e chinês é chinês.
E essa bodega aqui, é clipes mesmo, clipe é de música!
💬 Sabe de nada... seu filho está boquiaberto com a vergonha alheia. (risos) E pare de me chamar de Elaine Jane! Minha mãe só me chamava assim quando eu fazia alguma coisa errada.
💬 Está bem... está
bem... mim Tarzan³, você Jane! (risos)
💬 Johan, você é tão bobinho!
💬 Então, seu Tarzan, diz pra mãe que é um caminhão cheio de coreanos, e encerra essa história aí.
(risos)
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O inventor e funcionário público norueguês Johan Vaaler (15 de março de 1866 – 14 de março de 1910), foi quem criou o clipe de papel
(em inglês clip - plural: clips). Johan patenteou um modelo de arame liso, na Alemanha em (1899), porque, a Noruega não possuía leis de patentes na época, razão pela qual registrou o projeto no exterior.

² O último eclipse solar total de (12 de agosto de 2026), transformou o dia em noite no Hemisfério Norte (Rússia, Islândia, Espanha) e durou mais de dois minutos na faixa de totalidade, porém, não foi visível no Brasil.

³ Na história original do escritor americano Edgar Rice Burroughs (1º de setembro de 1875 – 19 de março de 1950), o nome Tarzan (significa “Pele Branca”), na língua fictícia dos grandes símios. Na trama, o herói é John Clayton III, Lorde Greystoke, filho de aristocratas ingleses. Sua esposa chama-se Jane Porter.

 

 

domingo, 9 de agosto de 2026

“Sabedoria de Pai”

Bem meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, este não será um texto triste, mas sim, de palavras carregadas da saudade que ainda lateja. Já faz alguns anos que vivo sem a presença de meus pais no meu dia a dia. Dizem que esta é a ordem natural das coisas, mas, eu gostaria que não fosse desta maneira.

E, sendo hoje Dia dos Pais (no Brasil), há momentos em que sinto um desejo avassalador de voltar ao “ontem” e ser feliz mais uma vez ao lado daquele grande homem e botafoguense, que foi meu pai.

Na vida, sempre ganhamos ao ter um bom conselheiro. Mas, um dia, começamos a perder nossas referências; o tempo voa, e a saudade vem para nos roubar nossa paz de espírito.
 
Ainda me lembro como se fosse ontem: meu pai, um homem refinado, um verdadeiro “gentleman”, usando uma bonita aliança de ouro de seus cinquenta e seis anos de casamento com minha mãe, Neuza; sempre sorridente, um homem culto e um matemático brilhante, de mente aguçada, mesmo já avançado em seus mais de noventa anos. Meu pai era, de fato, um homem feliz... e sabia como me fazer feliz também. Hoje, os casais tornam-se meros companheiros, sem alianças... sem afeto.

“Meu filho, todos um dia sentimos nossas dores e tristezas... Você precisa se preparar para o não estar!” - Meu pai me disse esta frase; que na época, eu não compreendia o que aquele “não estar” significava. No entanto, sua ausência, que admito, ainda provoca uma dor aguda em meu peito, fez-me entender o sentido daquelas palavras: reconhecer a finitude da vida e a dor da perda, é um dos fardos mais difíceis da experiência humana.

No entanto, preparar-se para a ausência de um ente querido exige tempo, aceitação e, acima de tudo, acolher os próprios sentimentos, transformando a dor da despedida em memórias duradouras de afeto.

E o que você faz quando já não tem seu pai por perto para afastar seus medos? Fica um espasmo de saudade. Dizem que a vida é boa, mas, após a morte do seu melhor amigo, ela pode parecer uma vida à toa, sem propósito. Na inocência da infância, quando eu ainda era tão jovem e não conhecia as malícias da vida, eu acreditava que jamais perderia meus pais. No entanto, hoje, já adulto, aprendi a conduzir a vida por conta própria; porém, todos os dias, sinto o vazio deixado pela ausência de meus pais. Sem eles, percebi que eu era como um fruto que amadureceu antes do tempo: um adulto ainda repleto de perguntas sem respostas.

O tempo passa e a vida boa e à toa... voa, mas, a saudade volta em minha direção por todas as partes. Minha maior tristeza, hoje, é saber que a vida não pode retroceder; ainda assim, tornei-me um contador de histórias, compartilhando relatos que aprendi, em grande parte, com esta própria saudade. Saudade da minha avó, da minha mãe e da mulher que amei, mas, acima de tudo, do meu pai. 
 
Quando minha mãe faleceu, trouxe meu pai para morar comigo. Nesta nova convivência, ele recontava suas histórias de vida, sempre com a mesma cadência e o mesmo ritmo, não para cansar meus ouvidos, mas, como um mantra para renovar suas memórias, garantindo que nenhuma delas escapasse de uma mente que inevitavelmente envelhecia junto com sua “casca”.

Assim sendo, por ter aprendido a ser um contador de histórias com o melhor contador de histórias que conheci, finalizo esta postagem do ®DOUG BLOG com esta narrativa da minha infância:

Eu sempre adorei maçãs verdes, aquelas que são mais ácidas e, este gosto está profundamente enraizado nas minhas memórias afetivas. Recordo com carinho a imagem do meu pai segurando um canivete em uma mão e uma maçã verde na outra, descascando a fruta sem romper a tira da casca. Eu sempre me impressionava com sua habilidade sutil; parecia algo tão simples para ele, mas, impossível de eu reproduzir. Minha mãe costumava dizer que era um desperdício de nutrientes, já que as vitaminas da maçã estão concentradas principalmente na casca. Mesmo assim, eu adorava vê-lo descascar cada maçã para eu comer, porque, o que eu realmente queria, era vê-lo realizar aquela arte... aquela “mágica” com a casca da fruta. Já adulto, tentei descascar maçãs verdes sem romper a tira... foi difícil aprender e, embora tenha conseguido algumas vezes, jamais alcancei o nível de maestria do meu pai. A verdade é que não sou mais criança e, muitas vezes, sinto-me perdido, sem saber a quem pedir para descascar uma maçã verde com perfeição. As “cascas das maçãs verdes da vida ainda continuam a existir, mas, agora as enfrento sem meu pai ao meu lado, em dias em que a própria vida, muitas vezes, parece ter um gosto ácido. Quanto às maçãs verdes de verdade, elas passaram a ter gosto de isopor, resultado do tanto de saudade que sinto de meu eterno contador de histórias.

FELIZ DIA DOS PAIS!

 
“Meu filho, todos um dia sentimos nossas dores e tristezas...
Você precisa se preparar para o não estar!”
(Walter de Mello)

“Naquela Mesa”
Interprete: Elizeth Cardoso

♫Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã.
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
(não doía assim)
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim.♫
°°°
♪ “Naquela Mesa” (1969), é uma emocionante homenagem póstuma ao lendário mestre
do chorinho, Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim (14 de fevereiro de 1918 - 13 de agosto de 1969). A canção foi escrita logo após a morte repentina do músico aos 51 anos, por seu filho Sérgio Freitas Bittencourt (3 de fevereiro de 1941 — 9 de julho de 1979), no vídeo interpretada na voz da “Divina” - Elizeth Moreira Cardoso (16 de julho de 1920 - 7 de maio de 1990).

domingo, 2 de agosto de 2026

“Lugar de Homem é na Cozinha”

Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, muitos homens sabem cozinhar por habilidade, enquanto outros se veem forçados pela necessidade a lidar com talheres e panelas. Alguns são profissionais (chefs), outros são supérstites.¹

A cozinha tem uma forma curiosa de revelar quem somos, geralmente dividindo os homens que cruzam seu portal em duas castas bem distintas: os que entram por vocação e os que entram por sobrevivência.

De um lado do balcão, temos o cozinheiro por habilidade profissional. Para ele, a cozinha não é um cômodo; é um templo, um palco, um laboratório de alquimia. Este homem planeja o cardápio da semana com esmero. Ele conhece a diferença entre um corte julienne e brunoise,² ostenta facas que cortam o vento e trata uma panela de ferro fundido com o zelo de quem cuida de um recém-nascido. Quando ele pilota o fogão, há uma coreografia: o avental é impecável, o vinho já está no decanter³ para ser servido nas taças corretas... e o molho reduz em fogo brando, enquanto ele discursa sobre a importância do tempo de cura do queijo Camembert. Cozinhar, para este homem, é um ato de sedução, de vaidade e de puro prazer. Ele quer os aplausos, os elogios sussurrados entre garfadas, a validação de que domina o fogo e os sabores diante de sua plateia: seus convidados para jantar.

E entre estes convidados, está espremido entre a pia e a geladeira, o cozinheiro por necessidade. Os caprichos da vida o empurraram para a beira do fogão... seja um divórcio, a mudança para estudar fora e ter de morar sozinho, a independência recém-adquirida ou simplesmente o custo proibitivo dos aplicativos de entrega (delivery). Ele não tem vontade de criar nada; quer apenas saciar sua fome com arroz, ovos, pão, linguiça e macarrão instantâneo. Ele não faz reduções de molho; em vez disso, compra sachês prontos, aquece-os e mistura tudo diretamente no “Miojo”. Os utensílios que utiliza são sobreviventes da época em que morava com os pais: uma frigideira com o revestimento antiaderente descascando (teflon), uma panela de pressão que exige ajuste da borracha de vedação antes de cada uso e uma colher de pau com um lascado na ponta. Para ele, a cebola não é picada ritmicamente com facas bem afiadas; ele destroça a cebola com uma “faquinha cega”, enquanto chora lágrimas de puro arrependimento por não ter comprado além do sachê de molho de tomate, também o tempero pronto. Seu maior triunfo não é arrancar elogios de uma plateia exigente (aliás, ele nem convida ninguém para comer sua gororoba), ele apenas pretende conseguir transformar duas salsichas, um resto de extrato de tomate, duas fatias de muçarela e um pão amanhecido, em algo digno de ser engolido sem que a azia o desperte às três da manhã.

O irônico é que, na intimidade do prato feito, a fome não faz distinção de classe culinária. O estômago ignora se o risoto levou quarenta minutos de caldo de legumes artesanal ou se o arroz com ovo foi o ápice do malabarismo de fim de mês. Como minha saudosa vó Lurdes sempre dizia com muita propriedade: “A fome é o melhor tempero!” - um famoso provérbio popular atribuído ao filósofo, político e advogado romano: Marco Túlio Cícero (3 de janeiro de 106 a.C. - 7 de dezembro de 43 a.C.).

A mágica da cozinha é que ela é um território mutável. Não raramente, o homem que começou queimando o alho por pura obrigação, com o tempo, pega o jeito da coisa. O primeiro feijão que dá certo traz um orgulho inesperado. O molho que engrossa no ponto certo desperta uma faísca. E assim, entre um erro e um acerto forçado, o cozinheiro da necessidade percebe que vai domesticando as panelas. Ele limpa o suor da testa, olha para o prato simples que acabou de criar e, pela primeira vez, sorri antes da primeira garfada... descobrindo, enfim, que a necessidade também sabe parir o talento.

O cerne da questão é, que eu aprendi a amar tanto comer quanto cozinhar, graças às minhas saudosas vó Lourdes e mãe Neuza, naturais de Minas Gerais, o estado brasileiro com a melhor culinária que conheço. 

Porém, embora as mulheres ainda administrem 96% das cozinhas domésticas no Mundo e constituam a base do preparo de alimentos das famílias, elas chefiam apenas 7% das cozinhas profissionais. A alta gastronomia tem sido historicamente dominada por homens, devido a estruturas de poder social, desigualdade de oportunidades e maior visibilidade na mídia. Historicamente, o preparo de banquetes nas cortes europeias e a literatura sobre a alta gastronomia eram domínios masculinos. E nas cozinhas profissionais modernas dos grandes chefs, esta disparidade (como mencionado), é ainda mais acentuada.
°°°

[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹
Supérstite significa sobrevivente. É um termo do latim (superstite). O termo é bastante usado no meio jurídico e burocrático (especialmente em inventários e partilhas).

² Na gastronomia, Julienne são tiras finas (cerca de 2 a 3 mm de espessura), enquanto Brunoise são cubos minúsculos derivados dessas tiras (cerca de 2 a 3 mm de lado). Embora sejam mais aplicados a vegetais, carnes também podem ser cortadas assim para recheios ou cozimento rápido.

³ Um decanter (ou decantador de vinho), é um recipiente de vidro ou cristal com base larga e gargalo estreito, utilizado para acomodar o vinho após a abertura da garrafa; ele permite que o líquido repouse, separando sedimentos e possibilitando a oxigenação, liberando os aromas do vinho antes de servi-lo.

⁴ O Camembert é um queijo francês de maturação superficial. Ele passa por um processo de “cura” promovido por fungos benéficos (Penicillium Camemberti), que formam sua casca branca aveludada e criam sua textura cremosa de dentro para fora.

⁵ Oficialmente, a palavra MUÇARELA deve ser escrita com “Ç”. Esta é a grafia registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. No entanto, no uso cotidiano, em cardápios e embalagens, a forma MUSSARELA (com “SS”), é a mais popular (coloquial) e amplamente aceita no comércio. Além disso, a forma MOZZARELLA (com “Z”), também está correta. Em outras palavras, a forma usada no dia a dia é a única que está incorreta.

 

 

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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.