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Bem meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, este não será um texto triste, mas sim, de palavras carregadas da saudade que ainda lateja. Já faz alguns anos que vivo sem a presença de meus pais no meu dia a dia. Dizem que esta é a ordem natural das coisas, mas, eu gostaria que não fosse desta maneira.
E, sendo hoje Dia dos Pais (no Brasil), há momentos em que sinto um desejo avassalador de voltar ao “ontem” e ser feliz mais uma vez ao lado daquele grande homem e botafoguense, que foi meu pai.
Na vida, é sempre bom ter um bom conselheiro. Mas, um dia, começamos a perder nossas referências; o tempo voa, e a saudade vem para nos roubar nossa paz de espírito.
“Meu filho, todos um dia sentimos nossas dores e tristezas... Você precisa se preparar para o não estar!” Um dia, meu pai me disse esta frase; que na época, eu não compreendia o que aquele “não estar” significava. No entanto, sua ausência, que admito, ainda provoca uma dor aguda em meu peito, fez-me entender o sentido daquelas palavras: reconhecer a finitude da vida e a dor da perda, é um dos fardos mais difíceis da experiência humana.
No entanto, preparar-se para a ausência de um ente querido exige tempo, aceitação e, acima de tudo, acolher os próprios sentimentos, transformando a dor da despedida em memórias duradouras de afeto.
E o que você faz quando já não tem seu pai por perto para afastar seus medos? Fica um espasmo de saudade; dizem que a vida é boa, mas, após a morte do seu melhor amigo, ela pode parecer uma vida à toa, sem propósito. Na inocência da infância, quando eu ainda era tão jovem e não conhecia as malícias da vida, eu acreditava que jamais perderia meus pais. No entanto, hoje, já adulto, aprendi a conduzir a vida por conta própria; porém, todos os dias, sinto o vazio deixado pela ausência de meus pais. Sem eles, percebi que eu era como um fruto que amadureceu antes do tempo: um adulto ainda repleto de perguntas sem respostas.
O tempo passa e a vida boa e à toa... voa, mas, a saudade volta em minha direção por todas as partes. Minha maior tristeza, hoje, é saber que a vida não pode retroceder; ainda assim, tornei-me um contador de histórias, compartilhando relatos que aprendi, em grande parte, com esta própria saudade. Saudade da minha avó, da minha mãe e da mulher que amei, mas, acima de tudo, do meu pai.
Quando minha mãe faleceu, trouxe meu pai para morar comigo. Nesta nova convivência, ele recontava suas histórias de vida, sempre com a mesma cadência e o mesmo ritmo, não para cansar meus ouvidos, mas, como um mantra para renovar suas memórias, garantindo que nenhuma delas escapasse de uma mente que inevitavelmente envelhecia junto com sua “casca”.
Assim sendo, por ter aprendido a ser um contador de histórias com o melhor contador de histórias que conheci, finalizo esta postagem do ®DOUG BLOG com esta narrativa da minha infância:
Eu sempre adorei maçãs verdes, aquelas que são mais ácidas e, este gosto está profundamente enraizado nas minhas memórias afetivas. Recordo com carinho a imagem do meu pai segurando um canivete em uma mão e uma maçã verde na outra, descascando a fruta sem romper a tira da casca. Eu sempre me impressionava com sua habilidade sutil; parecia algo tão simples para ele, mas, impossível de eu reproduzir. Minha mãe costumava dizer que era um desperdício de nutrientes, já que as vitaminas da maçã estão concentradas principalmente na casca. Mesmo assim, eu adorava vê-lo descascar cada maçã para eu comer, porque, o que eu realmente queria, era vê-lo realizar aquela arte... aquela “mágica” com a casca da fruta. Já adulto, tentei descascar maçãs verdes sem romper a tira... foi difícil aprender e, embora tenha conseguido algumas vezes, jamais alcancei o nível de maestria do meu pai. A verdade é que não sou mais criança e, muitas vezes, sinto-me perdido, sem saber a quem pedir para descascar uma maçã verde com perfeição. As “cascas” das maçãs verdes da vida ainda continuam a existir, mas, agora as enfrento sem meu pai ao meu lado, em dias em que a própria vida, muitas vezes, parece ter um gosto ácido. Quanto às maçãs verdes de verdade, elas passaram a ter gosto de isopor, resultado do tanto de saudade que sinto de meu eterno contador de histórias.
FELIZ DIA DOS PAIS!
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| Pai Walter de Mello |
Interprete: Elizeth Cardoso
♫Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã.
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
(não doía assim)
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim.♫
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim.♫
°°°
♪ “Naquela Mesa” (1968), composição de: Sérgio Freitas Bittencourt (3 de fevereiro de 1941 — 9 de julho de 1979), interpretada na voz da “Divina” - Elizeth Moreira Cardoso (16 de julho de 1920 - 7 de maio de 1990).
♪ “Naquela Mesa” (1968), composição de: Sérgio Freitas Bittencourt (3 de fevereiro de 1941 — 9 de julho de 1979), interpretada na voz da “Divina” - Elizeth Moreira Cardoso (16 de julho de 1920 - 7 de maio de 1990).
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Olá Douglas
ResponderExcluirLindo seu relato falando sobre seu pai.
Gostei da parte que você fala que ele era culto
Você tem pra quem puxar!
Gostei de tudo que você narrou
Principalmente sobre a sua infância
Que comia maçã verde sem a casca.
Realmente ouvi falar que a parte boa está na
casca.
Feliz dia dos pais para o meu e o seu pai.
Deus abençoe
Abraço