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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

“O Homem Invisível e o Planeta Mongo”

Quando escrevemos um texto para os nossos blogs, penso que a maioria de nós não faz de maneira biográfica, apesar de compreender, que muito do que escrevemos, faz parte das nossas preocupações de vida, pois, de nada adianta nos preocuparmos com o meio ambiente, por exemplo, se não nos preocuparmos primeiro com a totalidade do ambiente em que vivemos.
    
Senão, vejamos: você está, numa praça, crianças brincam, idosos jogam dominó, babás e mães conversam, o vendedor de pipoca estoura o milho na panela e mesmo assim, estando rodeado de tanta gente, você sente que está só.
     
Ou, você está, dentro de um ônibus, no Metrô, numa antessala de um consultório médico ou dentário, ali existem outras pessoas, que estão no mesmo lugar contigo, mas, nem por isso vocês estão juntas.
    
Aliás, estar juntos, hoje em dia, até alguns casais que convivem no mesmo lar, não estão na mesma página. As fotos do casal estão expostas por toda a casa em porta-retratos, eles dormem na mesma cama, mas, ambos muitas vezes, sentem um vazio sem fim.
    
Quando uma pessoa muito rica morre, você já viu no cortejo fúnebre, um carro-forte seguindo o rabecão funerário? Isso ninguém viu e, nunca irá ver. Viver pobre e solitário, morrendo rico e cercado de pessoas em um velório (ou cerimônia crematória), é pura estupidez. Nos tempos modernos, não existe mais espaço para sarcófagos, pirâmides e faraós.
    
De um modo geral, nossa relação com a solidão é tamanha, que chegamos ao ponto de recebermos mais ligações e mensagens de texto (via Smartphone), vindas das operadoras de telemarketing, que de parentes e amigos.
    
Quem de nós nunca se viu vivendo dentro de um filme do Flash Gordon (ícone perene da ficção científica), que tão bem nos representa, no Mundo contemporâneo, em que existe um tal de Universo Virtual, que sabe-se lá onde fica? Talvez seja no Planeta Mongo¹ (uma espécie de universo paralelo). Ou ainda, quem de nós, por vezes, já sentiu ser, um daqueles bonequinhos movidos por corda, que saem disparados pela casa, e quando topam com uma parede, ficam andando sem sair do lugar?
    
O que aprendemos de concreto, nesta vida, é que uma pessoa só pode ser ignorada por dois motivos: primeiro por ser alguém insuportável; segundo por ser alguém que é invejado. Uma pessoa insuportável, por incrível que pareça, consegue ser aceita com mais facilidade nos grupos sociais, do que a invejada. Sim, pois, quem é insuportável se faz presente nas rodinhas sociais, enquanto quem tem a sombra da inveja nas suas costas, sequer é convidado até mesmo para os eventos mais populares, por medo de que ofusque os demais convidados.
   
Dos heróis das histórias em quadrinhos, aquele que mais se assemelha com a verdade da vida do maior número de pessoas do Mundo, é O Homem Invisível, não por suas habilidades de super-herói, mas sim, por sua invisibilidade, por sua habilidade tácita de ser antissocial, devido ao seu talento de se fazer ausente em locais públicos, mesmo estando presente. E hoje com o advento dos Smartphones, ser invisível mesmo estando conectado ao Mundo (via Internet), é algo que está ao alcance dos dedos, sempre acelerados nas telas de touch screen dos nossos celulares, ou seja, muitos vivem no piloto automático, de maneira anestesiada, como se subsistissem, agindo como se fossem zumbis virtuais e, agora também invisíveis, numa espécie de quarentena opcional, onde não sentem solidão em sua condição de invisibilidade, mesmo que não façam parte da Liga da Justiça.
    
No Mundo contemporâneo, não é difícil percebermos (salvo raríssimas exceções), muitas pessoas agindo da mesma maneira, quando se sentem violadas em seus direitos e, assim, como o herói, se tornam invisíveis diante de situações inconvenientes, que a sociedade denomina, Zona de Conforto.  
    
Sendo invisíveis, estamos cada dia mais seletivos em nossas relações pessoais, mesmo estando vivendo em grupos sociais, como qualquer pessoa sociável e visível ao Mundo. Ou seja, já não nos vestimos mais em trajes de gala para grandes festas e eventos, preferimos o conforto dos moletons surrados das nossas quarentenas do dia a dia. Somos invisíveis, cobertos com o manto da invisibilidade (uma das três Relíquias da Morte), do universo do bruxo Harry Potter e assim, não ficamos visíveis para os outros, uma vez que este modo defensivo, nos torna solitários, às vezes por opção, às vezes por uma situação de vida imposta pelas demais pessoas que nos cercam, as mesmas pessoas que te excluem (que te jogam para escanteio), por egoísmo e maldade gratuita, assim, como se a amizade, fidelidade e respeito, fossem sentimentos desnecessários em nossos dias, até o Natal chegar, pois, aí todos são receptivos e praticam atos de empatia. 
    
Deste modo, outro herói entra em cena, ou no mar de dúvidas e isolamento, pois, agora, igual ao Príncipe Namor - Sub-Mariner, aqui em terra firme, somos só mais um peixe fora d’água, igual a tantos outros peixes que aprenderam a respirar na superfície, mas, estão perdidos neste mar de isolamento que o Mundo contemporâneo indica para nós, com insegurança social, falta de qualidade de vida, que faz com que as pessoas vivam cada dia mais sem opções de lazer (que no latim é: licere), ou seja, “ser lícito”, “ser permitido”. Mas, sendo invisíveis, não nos permitimos a quase nada, além de uma xícara de café (ou chá), uma maratona de séries por streaming na cama, pois, existem seis dias pretos no calendário (por semana) e temos de trabalhar muito, para ganhar “o pão nosso de cada dia”, neste Mundo literalmente desconstruído e descolorido em 50 tons de branco”, onde confundimos à busca de ter sossego, de ter quietude, de possuir ausência de problemas e de preocupações, com solidão.
°°°
[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ Flash Gordon, é o herói de aventura e ficção científica, lançado em (1934), tendo suas histórias muitas vezes passadas no Planeta Mongo - (Flash Gordon & the Warriors of Mongo). Foi criado pelo desenhista americano: Alex Raymond (2 de outubro de 1909 - 6 de setembro de 1956), a princípio para tiras de jornal e depois, para televisão e cinema, sempre com muito sucesso.



sábado, 25 de janeiro de 2020

“E Agora José? — A Pontuação de Don Juan”



Parafraseando o genial Carlos Drummond de Andrade (31 de outubro de 1902 - 17 de agosto de 1987), eu pergunto: “E agora José?... Tiraram o acento da PLATEIA, será que o respeitável público terá de assistir ao espetáculo de pé?”
    
E a CRASE então? Muitos “salpicam” elas nos textos, sem muita convicção. Mas, vocês sabiam que a crase nem é considerada um acento? Crase, é a contração de dois “aa”, é a fusão de duas vogais iguais. O sinal que indica a crase todos conhecem:(`) e significa: (a + a = à). Para comprovarmos a crase, o melhor estratagema é substituir o substantivo feminino por um masculino. 
     
A crase ocorre se o “à” se transformar em “AO”. Exemplo: “Ele fez referência às que saíram”. (= aos que saíram). Mas, observem a diferença: “Não reconheci as que saíram”. (= os que saíram), pois, esta dica não se aplica no caso dos pronomes: aquele(s), aquela(s) e aquilo.
    
Entre os muitos idiomas existentes no Mundo (apesar das controvérsias), a língua portuguesa é uma das mais difíceis de aprender. Existem palavras de mais no nosso vocabulário. Mas, é: “DEMAIS”, ou “DE MAIS” que se escreve? As duas formas existem e estão corretas. “DEMAIS” (junto), é uma locução adverbial que indica algo em excesso; além da conta; além da justa medida. Demasiadamente, de maneira muito forte. Exemplo: “O trabalho do aluno agradou demais o professor”. Já, “DE MAIS” (separado), é uma locução adverbial que indica uma noção de quantidade, nesse caso, de maior quantidade. Exemplo: “Ela está assustada de mais”. “DE MAIS”, é o contrário da locução adverbial: “DE MENOS”. 
     
A verdade é, que nem só de palavras similares e da crase que padecem os que erram. E nem sempre quem pronuncia bem os vocábulos da nossa língua, se garante na possibilidade de conseguir uma boa escrita. Sim, pois, muita gente nem percebe, mas, erra constantemente no quesito pontuação em seus textos. É óbvio que estou falando em textos escritos no papel, em redações, em provas, documentos, e-mails, etc... - pois, nas Redes Sociais, os idiomas foram linchados até à morte faz tempo, porque, o dialeto criado na Web, é algo particular dos internautas e é incompreensível por vezes, até entre eles. 
     
Mas, errar na pontuação, não é só árdua tarefa dos alunos, pois, não é incomum verificarmos até professores da língua portuguesa e hoje em dia, até o próprio Ministro da Educação do Brasil - Abraham Weintraub (11 de outubro de 1971), que além de muitos erros de pontuação, escreveu dia desses de modo impressionantemente errado (em um ofício), palavras comuns, com erros crassos de português: (“imprecionante”), foi escrito com (“C”) e “paralisação”, ele escreveu 2 vezes com (“Z”), (“paralização”). O Ministro da Deseducação do Brasil, parece ser desconhecedor de certas regras básicas do nosso idioma e assim, se valeu do lema: “errar é humano”, ao se desculpar informalmente via Web. Mas, é como eu sempre digo: Se errar é humano, acertar é igualmente humano também. Assim sendo, é melhor tentarmos acertar mais do que errar. Até porque, quem gosta de comprovar a sua natureza humana? - principalmente se os erros partirem dos que representam o país (nos órgãos federais), que deveriam ter funcionários detentores de bastante educação, mas, pelo visto, não praticam nem mesmo cultura.
     
A taxa de analfabetismo mais recente no Brasil, foi divulgada pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em junho de (2019), tendo o país cerca de: 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos, sem o mínimo de instrução básica (6,8% de analfabetismo), a mesma média de (2018), um índice melhor que no ano de (2016), 7,2%; e de (2017), 7,0%; porém abaixo do índice de (2015), 6,5%.
    
Assim sendo, na tentativa de ajudar a compreender melhor a pontuação (um dos principais dilemas de quase todos, sejam alfabetizados ou não?) - eu criei 4 cartas escritas pelo galanteador Don Juan, personagem que pego emprestado, da obra homônima de: Tirso de Molina (24 de março de 1579 - 12 de março de 1648), para ser também o protagonista da minha história, onde Don Juan tenta conquistar 3 jovens, se valendo da escrita contida nas missivas, onde ele modifica somente a pontuação do texto, o que faz as mesmas rumarem todas num sentido totalmente diferente.
 
CARTA 1 (Para Daniela)... “Se obedecer à razão, digo que amo Daniela. Não a Ana Paula, cuja bondade ser humano não teria. Não aspiro à mão de Gabriela que não é linda donzela.”

O texto da carta não ficou nenhum primor, nem tem muita poesia, mas, Daniela gostou bastante. Apaixonou-se também por Don Juan, que muito volúvel, logo se esqueceu dela e começou a se engraçar por uma tal de Ana Paula, para quem escreveu a segunda carta:
 
CARTA 2 (Para Ana Paula)... “Se obedecer à razão, digo que amo Daniela? Não! A Ana Paula cuja bondade ser humano não teria. Não aspiro à mão de Gabriela que não é linda donzela.”

E com essa carta tudo se repetiu... Ana Paula se apaixonou fervorosamente, mas, depois de algum tempo, Don Juan esqueceu dela também e passou a interessar-se por uma moça feinha... como ele diz: “uma donzela não muito bela”, de nome Gabriela. E como não poderia deixar de ser, enviou-lhe a mesma carta com a seguinte pontuação em seu texto:
 
CARTA 3 (Para Gabriela)... “Se obedecer à razão, digo que amo Daniela? Não. A Ana Paula cuja bondade ser humano não teria? Não. Aspiro à mão de Gabriela que não é linda donzela!”

Mas, por fim, desiludido do amor, como diria Cazuza (4 de abril de 1958 - 7 de julho de 1990), na canção: “Codinome Beija-Flor” (1985), ♫...Que só eu que podia, dentro da tua orelha fria, dizer segredos de liquidificador...♫ - Don Juan então modificou pela última vez o texto de sua carta, e publicou aqui no ®DOUG BLOG, para que todas as três ex-namoradas pudessem ler o seu descontentamento.
 
CARTA 4 (Para ®DOUG BLOG)... “Se obedecer à razão, digo que amo Daniela? Não! A Ana Paula cuja bondade ser humano não teria? Não! Aspiro à mão de Gabriela? Que!? Não é linda donzela!”
   
E ponto final.
°°°
웃 PERSONAGENS NAS ARTES NÃO MENCIONADOS NO TEXTO: 
* A Escolinha do Professor Raimundo, criada pelo icônico comediante brasileiro Chico Anysio (12 de abril de 1931 – 23 de março de 2012), conhecido por sua vasta gama de personagens, surgiu em (1952), na Rádio Mayrink Veiga. Em (1957), o programa migrou para a TV Rio. Em (1973), chegou à Rede Globo, onde permaneceu até (2001), embora com algumas interrupções. Em (2015), a atração passou a ser exibida no canal a cabo Viva, com transmissões posteriores na Rede Globo  e ficou no ar até (6 de novembro de 2020), agora sob o comando do filho de Chico Anysio, o comediante brasileiro Bruno Mazzeo (3 de maio de 1977), no papel do Professor Raimundo.



“Professor Raimundo”

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웃 O simpático cãozinho azul “Bidu” [1959] foi o 1° personagem de “Mauricio de Sousa” (27 de outubro de 1935); “Cebolinha e Cascão” surgiram um ano após [1960]; “Mônica” e seu coelhinho de pelúcia (inicialmente amarelo e depois azul), de nome: “Sansão”, tomaram conta da turminha em [1963]. A menina do vestido vermelho é inspirada em uma das 6 filhas do cartunista: “Mônica Spada e Sousa” (28 de setembro de 1960); já “Magali”, também inspirada em uma das filhas de “Mauricio”: “Magali Spada e Souza” (5 de outubro de 1961), foi criada em [1964].

Douglas Melo é um premiado jornalista - profissional diplomado em Comunicação Social, poliglota, Mestre/PhD - Philosophiæ Doctor, escritor, cronista e aforista brasileiro. É o idealizador do blog: ® DOUG BLOG + FRASES ® DOUG BLOG, onde é conhecido como: Doug.