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Meus amigos e amigas do ®Doug Blog, relacionamentos amorosos são construídos sobre comportamentos românticos superestimados. Vamos aos fatos:
Casais adoram sair para comer e, não é incomum vermos alguns deles na penúria financeira disfarçada de gesto fofo, compartilhando tudo que comem, até o último pedaço do profiterole¹, aquela colherada perfeita que deveria ser tua, mas, que é sumariamente usurpada pelo teu amor, enquanto ela/ele diz: “Deixa eu provar só mais um pedacinho”. Isso não é amor; é um saque calórico consensual. Em outras palavras, um casal dividindo uma sobremesa não é prova de “quentinho no coração”... na verdade, é só falta de dinheiro para comprar dois profiteroles.
Continuando na conquista do par perfeito pelo estômago, quem nunca decidiu fazer um piquenique no parque? Acho que todos nós já tivemos esta ideia,
que é ao mesmo tempo romântica e desastrosa. A literatura e o cinema
nos vendem a imagem de um casal sorridente, bebendo vinho espumante e
beliscando queijos, sanduíches, salgadinhos, etc..., sob o sol da tarde, tudo dentro de uma linda cesta de vime, sobre uma toalha xadrez vermelha... mas, a realidade nua e crua é outra... envolve
formigas subindo pelas pernas do casal, a grama pinicando lugares
inacessíveis, o espumante esquentando em copos de plástico e o vento
levando os queijos, sanduíches e salgadinhos para longe da toalha. Aí, uma pessoa se levanta para tentar salvar o lanche e, derruba o vinho na outra e, quando você finalmente consegue dar uma mordida no sanduíche que sobrou, sente a crocância das formigas misturada à maionese.
Se
formos puxar o fio desta meada de ilusões românticas, a lista de
fantasias amorosas não para por aí. Pense na clássica posição “dormir de
conchinha”. No reino dos ideais românticos, casal que não dorme assim, está vivendo errado. Mas, a realidade desta posição decúbito lateral duplo, não representa o auge da intimidade e do conforto... muito pelo contrário, na vida real, no dia a dia, após exatos dez minutos dormindo assim,
o braço que fica embaixo da outra pessoa perde totalmente a circulação,
chegando ao estado clínico de um membro morto. Você começa a ponderar
se é melhor acordar seu amor ou simplesmente amputar o braço ali mesmo.
Isso sem falar nos pés gelados sendo aquecidos entre as tuas pernas.
Para completar, há a batalha implacável, silenciosa e incansável pelo
controle do edredom durante a noite toda. O resultado: uma noite de sono
terrível e um hálito matinal, pior até do que a própria noite em claro,
bafo potente o suficiente para derrubar um rinoceronte.
E quanto aos casais que tomam banho juntos, eles nunca vivenciam a cena exatamente como nos filmes eróticos. Na realidade, não há sensualidade alguma em tomar banho juntos (de chuveiro); após tentativas de contorcionismos circenses, com duas pessoas nuas se esforçando em fazer algo acontecer que não funcionaria nem mesmo em um ambiente seco e espaçoso, duas pessoas constrangidas, finalizam o ato, com uma pessoa ficando sob a água quente, enquanto a outra leva respingos e treme de frio, esperando a sua vez de se lavar.
No fim das contas, o amor verdadeiro não sobrevive por causa destes grandes clichês idealizados pelo romantismo social... ele sobrevive apesar deles. Amar é, justamente, olhar para a outra pessoa tremendo de frio no canto do box, com o braço dormente e a boca cheia de formigas, e pensar: “Vamos lá... eu aguento mais um mês...”.
Assim sendo, na vida amorosa, tudo gira em torno de beleza e paciência. Se as coisas derem certo... BELEZA! Se não derem... PACIÊNCIA!
°°°
NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O profiterole é uma sobremesa clássica de origem franco-italiana, feita com uma massa leve e oca chamada “pâte à choux”, tradicionalmente recheada com sorvete de baunilha ou creme e servida com uma calda quente de chocolate.
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